quarta-feira, 23 de junho de 2010

Memórias Juninas

O mês de Junho é para mim um mês mágico. Quando criança eu me alegrava quando virava a folhinha de 31 de maio para 1º de Junho. Sabia que estava chegando as festas juninas, começando com as rezas de Santo Antonio e terminando com as alegres folias de São João.
No meu bairro, quase todas as casas tinham altares armados com papéis crepons coloridos com o seu Santo Antonio no alto. Rezava-se a trezena de Santo Antonio, ou seja, 13 dias. Que poderia começar no dia 1º e terminar dia 13, ou começar dia 13 e terminar dia 26 de Junho. Dependendo da devoção da cada um. Às vezes, as vizinhas combinavam para não coincidir o término das rezas, que sempre eram acompanhados de festas, regadas a licor de genipapo, amendoim cozido e outras guloseimas.
Na minha casa festejava-se mais o São João. Era um sobrado de três andares, com doze irmãos. Vejo minha avó, com suas bochechas coradas na beira do fogão mexendo a canjica de milho, ou ralando o aipim para fazer o bolo, assado na brasa de carvão. No amplo quintal, uma grande fogueira armada por meu pai e os irmãos maiores, completava o cenário fantástico na minha imaginação. Nela acendíamos fogos, assávamos milho, pulávamos e fazíamos pedidos a São João. Os balões, muitas vezes confeccionados em casa, com sua bucha de querosene e algodão, davam o colorido no céu em meio às estrelas. Num tempo em que não havia proibições nem fábricas para impedi-los. Tudo isso ao som das músicas animadas, cantadas em ritimo de baião. E as quadrilhas e roupas caipiras? Havia disputa da mais bonita.
Hoje, ainda sinto essa alegria quando São João está chegando, mesmo com um cenário diferente e desfalcado. Só que prefiro olhar pelo meu espelho retrovisor.

Museu Náutico da Bahia. Forte Santo Antonio da Barra - Farol da Barra.

Farol da Barra - Salvador -Bahia Este é o Forte de Santo Antônio da Barra, edificado no século XVI, ocupando o Sítio da Ponta do Padrã...