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terça-feira, 14 de setembro de 2010

Conhece seu vizinho?

texto de Darcy Brito

Se você respondeu que nem ao menos sabe o nome dele, não se orgulhe disto.
No artigo do professor de Filosofia, Rodrigo dos Santos Manzano, publicado na Revista Filosofia, nº 50 de Agosto de 2010, ele escreve "Reconhecer o próximo é parte essencial da própria percepção de si, já que o 'eu' só existe no contato com o outro, em um processo em que cada um se torna interdependente".
De acordo com o artigo os desejos egoistas, cada vez maiores, são frutos de uma época marcada pelo individualismo. Tais atitudes trazem consequências graves para a sociedade atual, como a violência, desestruturação nas relações familiares e nas relações amorosas. O culto ao "eu"é direito de cada um que busca a felicidade, mas, quando levado às últimas consequências faz com que os seres humanos afundem num individualismo desmedido e desregrado tornando-os cada vez mais embrutecidos diante dos dramas alheios. Diz ele: - para constituir nossa personalidade precisamos de algum contato com os outros. Nosso modo de pensar, de agir e até de sentir, urge de nossas relações sociais.
A dialética Hengeliana defende a idéia de que algo só toma consciência de si no contato com o externo.
O individualismo surge com a Modernidade, que intensificou a questão da posse, da obtenção por meio da compra, através do capitalismo, século XVII, e o industrial, século XVIII. O sociólogo alemão Georg Simmel (1858-1918) em seu texto O indivíduo e a liberdade, distingue o individualismo do século XVIII daquele do século XIX. O primeiro seria o individualismo quantitativo, do homem isolado, mas livre e responsável. Já o segundo, seria o individualismo qualitativo, aquele no qual a liberdade é uma forma de o individuo realizar-se em sua particularidade, ver-se como ser incomparável e singular.
" A solidão é o preço que temos que pagar por termos nascido neste período moderno, tão cheio de liberdade, de independência e do nosso próprio egoísmo", SOSEKI NATSUME.
E o que dizer da frase de Jean Paul Sartre "O Inferno são os Outros"?