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sábado, 30 de junho de 2012

AS EMOÇÕES E O CORPO

Texto de Darcy Brito

É sabido que as emoções exercem poderosas influências sobre todo o organismo humano. Podemos dizer que algumas emoções são positivas, como o amor,  a alegria, a confiança em si mesmo e nos outros,  a paciência, ou esperança que as coisas melhorem. Elas facilitam o funcionamento do nosso organismo evitando que as emoções  negativas como o medo, a raiva a afobação, o desespero, dominem e conduzam nossas ações. Essas emoções negativas, muitas vezes, causam mais mal que os parasitas microbianos, produzindo diversas doenças sem que percebamos, pois elas se instalam sorrateiramente, algumas vezes desde a infância. É claro que algumas emoções como o medo está ligada ao nosso instinto de defesa, nos livrando de situações de perigo, como é o caso de medo da morte. Porém, ligado ao medo muitas vezes acumulamos irritação, precipitação, revolta, levando a um estado de espírito de desespero e raiva. Daí a necessidade de sermos cautelosos, dosar o medo. Já foi demonstrado que os homens e animais, sobre sob a ação das emoções, sofrem profundas alterações nas funções de seus órgãos, como aparelho digestório, respiratórios, circulatório, pele, e, também, alterações químicas no sangue ou no sistema humoral, gerando os mais variados sintomas patológicos, como dor de estômago, azia, náuseas, vômitos, afta, secura na boca, ou fora do aparelho digestório, como dor de cabeça, eczema, etc., que são as manifestações corporais da emoção.  Então a emoção ocorre de forma simultânea, na mente e no corpo. Muitas vezes essas emoções não são exteriorizadas, ficam dentro de nós, na mente, como um conteúdo latente. As que se exteriorizam são as emoções que comumente relatamos para o médico, as manifestas.
A personalidade é que vai determinar o modo de agir e de ser de cada um de nós, ou seja o comportamento. Há pessoas que são inquietas, afobadas, exigentes demais, irritam-se com facilidade, negativistas, desconfiadas, e mesmo sendo inteligentes têm dificuldades de resolver problemas. Outras são medrosas, desanimadas; outras metódicas. Impossível  descrever todas as personalidades, porque cada um tem seu jeito de viver e sentir as coisas. É conhecida a frase  "problemas existem, o que os diferenciam é a forma como se lida com eles". Portanto conservar uma boa saúde ou adoecer vai depender da sua personalidade. De acordo com a medicina psicossomática ou sócio-psicossomática, várias causas estão em jogo na boa ou má saúde. Umas são predisponentes outras desencadeantes.Um indivíduo que tem uma predisposição para desenvolver uma úlcera, poderá desenvolvê-la ou não. Para isso vai depender se o fator desencadeador vai se  juntar ao predisponente. O hábito alimentar inadequado e o temperamento do indivíduo poderá ser esse fator.

domingo, 24 de junho de 2012

A Literatura brasileira nos seus primórdios

O Brasil, na sua fase inicial, não possuía tipografia e muito dos manuscritos do período colonial só sobreviveram graças aos esforços de seus autores. Era um país sem livros.
Pero Vaz de Caminha (? - 1500) escrivão português, elaborou a carta de Achamento do Brasil, entre abril e maio de 1500, logo após desembarcar com a frota de Cabral. Uma espécie de certidão de nascimento da Ilha de Vera Cruz. Era o primeiro documento em língua portuguesa sobre o país, mas que só foi conhecido em 1817, porque a coroa mantinha o manuscrito guardado em Lisboa a sete chaves para evitar a cobiça dos estrangeiros.

A seguir tudo que os homens cultos instalados no país escreviam, era, principalmente, sobre os costumes locais, deslumbrados e fascinados com o novo "paraíso". A literatura funcionava como consolidação da conquista.
José de AnchietaOs jesuítas mandados de Portugal para o Brasil a partir de 1549, para ensinar a língua portuguesa e a religião católica aos índios, adotaram com originalidade termos nativos nas suas obras. O padre José de Anchieta, (1534-1597)foto, por exemplo, escrevia cartas, ensaios, sermões e poesia não só em latim, português e castelhano, como também em tupi-guarani, e usou o teatro para evangelizar. Mas nesse primeiro século, de  Brasil colônia, estava longe de ter uma literatura que pudesse chamar de brasileira. Esses autores estavam separados a centenas de milhares de quilômetros, nos raros núcleos de povoamento.Como bem comparou metaforicamente o crítico literário Antonio Cândido em Iniciação à Literatura Brasileira: "eles eram os vaga-lumes numa noite densa". Ilustrando assim a precariedade no mundo das letras numa época em que não havia instituições  de ensino superior  no país e nem havia livros impressos, jornais ou panfletos. A colônia vivia alienada, seu  elo com o mundo era através de Portugal. quem quisesse publicar suas obras precisava embarcá-las de navio para a metrópole. Só no século 19 o Brasil conheceu a tipografia, com a chegada da família real em 1808. À semelhança do território, povoado por índios, negros, portugueses e mestiços, a literatura não tinha identidade própria. No livro História da Literatura Brasileira, a historiadora e crítica literária italiana Luciana Stegagno Picchio afirma ..."a estética barroca se adapta perfeitamente a um país que cria sua própria fisionomia e cultura em termos de oposição e de encontro de contrários, de mestiçagem. Neste sentido, também a primeira literatura dos descobrimentos, com seu tom grandiloquente é literatura barroca como também o é, em bloco, a literatura dos jesuítas...."
Mas foi em 1601, com a publicação de Prosopopeia, que determinou no país o início do Barroco - um estilo rebuscado. Esse poema épico, marcado pela tensão entre divino e profano, céu e terra, razão e emoção, escrito pelo judeu luso-brasileiro Bento Teixeira Pinto(1561-1600) entre 1584 e 1592, tem clara influência de Os Lusíadas,de Luís de Camões.
 Dois autores se destacaram no Brasil, no período em que a igreja católica tentava recuperar seu poder político e social enfraquecido pelas reformas protestantes e pelo Renascentismo: o poeta baiano Gregório de Matos e Guerra(1636-1695) formado em Direito em Coimbra, e o padre jesuíta português Antônio Vieira (1608-1697). A obra de Gregório de Matos só foi parcialmente editada 200 anos depois de escrita. A autenticidade dos textos é posta em dúvida porque, se resistiu ao tempo, foi graças ao artifício de distribuir os manuscritos aos amigos, que copiavam e passavam adiante. Não há notícia de nenhum manuscrito de seu próprio punho. O que não o impediu de ser considerado  por todos os estudiosos de o maior poeta do Barroco brasileiro.
O português Antônio Vieira propagava sua obra através da oratória e arrebatava platéias durante suas declamações públicas. Amigo da realeza, trabalhou pela permanência de seus escritos organizando ele próprio a primeira edição de seus Sermões, a partir de 1679. De linguagem requintada e cheia de religiosidade sua obra exibe o uso excessivo de metáforas e de outro recurso: alegorias, que marcou a literatura barroca - menciona-se uma coisa querendo dizer outra com a intenção de dar uma lição de moral. Outro artifício muito comum no Barroco é a hipérbole que ou aumenta ou diminui o objeto da narrativa. Exemplo: Não há homem tão pigmeu ou tão formiga que não aspire a ser gigante (extraido dos Sermões).
Em 1763 a capital de Salvador é transferida para o Rio de Janeiro, favorecendo uma renovação artística no Brasil. Uma mudança estratégica: a cidade ficava mais perto das novas fontes de riqueza, as jazidas de ouro e diamante de Vila Rica ( atual Ouro Preto)  mudou o eixo econômico do país. O Barroco entrava em decadência. O Arcadismo, com seu modo simples e objetivo de fazer literatura, passou a ser almejado pelos autores que prezavam a ordem direta, o vocabulário claro, dando valor à natureza e à universalidade. Arcádia, é uma província lendária da Grécia, onde homem e natureza viviam em harmonia. Com esses princípios remetem aos clássicos gregos. O Arcadismo também ficou conhecido como Neoclassicismo e, por causa da influência da nova safra de autores ligado a Minas Gerais, também recebeu o nome de Escola Mineira. Neste contexto, a literatura  ganhou uma identidade brasileira, falando da natureza, dos aspectos da paisagem tropical, das minas de ouro e do índio, como no poema religioso Caramuru, escrito por José de Santa Rita Durão(1722-1784) e no épico O Uraguai, de José Basílio da Gama ( 1741-1795), conquistou a solidariedade contra o massacre que era imposto pelo branco. Surgiram as academias e sociedades literárias, e os intelectuais e artistas já não estavam isolados, havendo uma interação entre o escritor, seu objeto e  público que foi refletido nas suas produções.
A independência dos Estados Unidos, em 1776 e a Revolução Francesa em 1789, inspiraram, nos três poetas amigos,Claudio Manoel da Costa (1729-1789),Tomás Antonio Gonzaga (1744-1810) e Inácio José de Alvarenga Peixoto, o espírito libertador, unindo este espírito ao Arcadismo. Eles participaram do movimento independentista Inconfidência Mineira, revolta contra os altos impostos cobrados pela monarquia pela extração do ouro. Foram presos e morreram no exílio ou no cárcere. Em suas obras defendiam a vida simples, bucólica e pastoril. Adotavam pseudônimo de pastores, convencionando o que se chamou de fingimento poético.. Tomás Antonio Gonzaga se apresentava como pastor Dirceu, por exemplo, e Cláudio Manoel da Costa era o guardador de rebanhos Glauceste Satúrnio, autor do poema Obras, dando início ao Arcadismo brasileiro. Quem deu maior destaque tropical ao movimento foi o poeta árcade Inácio da Silva Alvarenga (1749-1814), transportando para seus versos a fauna e a flora brasileira  bem como os acidentes regionais.Seu mais famoso poema tem como musa uma índia, Glaura, que dá nome ao poema. Mas Tomás Antonio Gonzaga é o que melhor atingiu os preceitos árcades de simplicidade e naturalidade. É dele o poema Marília de Dirceu, que serve de exemplo do gênero. Acredita-se que seja dele também os versos, Cartas Chilenas, que ridicularizam o então governador de Minas Gerais Luís da Cunha Menezes, escrita sob anonimato e publicada apenas em meados do século 19. 
No início do século 19 surge o Romantismo estilo que surgiu na Inglaterra e na Alemanha. A palavra deriva do advérbio latino romanice, que significa "na língua de Roma", embora as histórias não fossem narradas em latim, a palavra apenas era usada para definir um tipo de poema épico. O Romantismo chegou por aqui em 1836, com a Niteroi, Revista Brasilense e o livro Suspiros Poéticos e Saudades, de Domingos José Gonçalves de Magalhães (1811-1882), ambos publicados em Paris. Logo as primeiras obras românticas brasileiras surgiram com Canção do Exílio, de Gonçalves Dias (1823-1844) em 1846, e a Moreninha, de Joaquim Manoel de Macedo (1820-1882) em 1844. Ao longo do século 19 o Romantismo e o Realismo se confrontaram, sendo que o Realismo venceu o jogo. O marco inicial do Realismo/Naturalismo chega com  Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis (1839-1908), publicado em 1881. Com essa obra a idealização e o imaginário que dominava na época do Romantismo cedeu lugar à razão e a objetividade na construção da narrativa: "Não digo que já lhe coubesse a primazia da beleza, entre as mocinhas do tempo, porque isto não é romance, que o autor sobredoura a realidade e fecha os olhos às sardas e espinhas..." Com isso Machado de Assis critica os autores românticos ao descrever Virgília, no retrato físico e moral da personagem feminina de Memórias Póstumas de Brás Cubas. Joaquim Maria Machado de Assis tornou-se o maior autor brasileiro de todos os tempos. 
Gonçalves DiasPara criar as bases da literatura brasileira, os autores brasileiros foram em busca de elementos do passado e chegaram ao descobrimento para criar seus  personagens, resgatando o nacionalismo e o saudosismo típico do período. Assim, o índio virou herói das histórias. Podemos dizer que o maior representante dessa corrente nacionalista literária foi José de Alencar (1829-1877), autor de O Guarani (1857), Iracema (1865) e Ubirajara (1874). Outro muito importante foi Antonio Gonçalves Dias (1821-864), autor do poema épico Juca Pirama, que na língua tupy quer dizer "aquele marcado para morrer", publicado no livro Últimos Cantos (1851).
José de Alencar  foi além do indianismo, com temas mais profundos construindo personagens complexos, como Lúcia de Lucíola (1862) e Aurélia de Senhora (1875), onde descreve conflitos da alma e choque entre o bem e o mal. Nota-se em sua prosa urbana alguns aspectos do Realismo, época em que a ciência surgia como a única capaz de explicar a realidade e resolver os problemas da humanidade. Essa mudança de pensamento se deu graças à publicação de Origem das Espécies, em 1859, do cientista e pesquisador Charles Darwin (1809-1882), provando que o homem é regido por leis naturais, influenciando, assim toda a arte, e consequentemente a prosa e a poesia. A partir daí alguns românticos assimilaram o espírito do novo tempo,  como Antonio de Castro Alves ( 1847-1871), que levantou-se contra as injustiças sociais e a escravidão em Cachoeira de Paulo Afonso,(1876), e os Escravos (1883) publicados postumamente.
Também o célebre romance sertanista A Escrava Isaura (1875), do mineiro Bernardo Guimarães(1825-1884) tem seu toque social.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

A Rebelião dos Anos 50

Fotos da Enciclopédia Nosso Século 1945/1960
"Nós somos da juventude,/Da juventude transviada,/O lema da nossa escola/É a lambreta e a Coca-Cola./Elvis é o nosso mestre/E Pat Boone, o diretor./Na nossa primeira aula/Nós aprendemos o rock-and-roll".


Assim nasceu, na década de 50, o novo herói: mal barbeado, cabelos em desalinho, irreverente, rebelde, problemático. Era os anos da Guerra Fria e o mundo descobria o medo da guerra atômica. Os Estados Unidos viviam uma época de "caça às bruxas", sob o comando do senador Joseph Raymond McCarthy, e Hollywood descobria um novo filão: A violência da juventude do pós-guerra. Surgem, então, Marlon Brando ( Um Bonde Chamado Desejo, 1951; O Selvagem, 1954; Sindicato de Ladrões, 1954) e James Dean, (Vidas Amargas,1954; Juventude Transviada, 1955; Assim Caminha a Humanidade, 1955/56 ), os dois grandes símbolos da rebelião dos anos 50. Mas foi James Dean, e não Marlon Brando, com o filme Juventude Transviada, "um filme profético e hipnótico que veio  sintetizar  a insegurança e violência vividas por essa geração - a rebeldia juvenil, a androginia, a sexualidade reprimida, a solidão em família - temas novos para a sociedade da época -explica Paulo Veríssimo".
Em 30 de Setembro de 1955, James Dean morre ao bater sua Porsche Spyder contra um caminhão, na auto-estrada 466, perto de Hollywood. " Se eu tivesse 100 anos para viver, eu não teria ainda tempo para fazer tudo  o que quero fazer - (James Dean)".
Desaparecia o rebelde mas surgia uma maneira "diferente e chocante" de encarar a vida: Viver o mais intensamente e arriscar sempre.
Em 1954, Bill Haley e Seus Cometas, combinando o rhythm and blues, ( musica popular negra) com o country e o western ( musicas rurais do meio-oeste americano), lançava o Rock Around the Clock, usada como trilha sonora, muito barulhenta, do filme Sementes de Violência, com Sidney Poitier e Glenn Ford. Este filme chegou a induzir jovens a explosões de violência nos lugares onde era exibido. No Brasil, o filme Balanço das Horas, com Bill Haley, provocou a depredação de cinemas como o recém inaugurado Cine Paulista, na Rua Augusta (S.Paulo).
Em 1956 surge o maior ídolo do Rock: Elvis Presley, com o Heartbreak Hotel, "The Pelvis" Presley. Cantando à maneira dos negros americanos e requebrando de forma sensual os quadris, ele "enloquecia" a juventude. Não era apenas um gênero musical, como diz Nelson Motta, era uma nova forma de comportamento para a juventude dos anos 50, com os blusões de couro, as motos, os topetes, as camisas coloridas, os jeans (...) rompendo definitivamente com os padrões tradicionais de milhões de jovens. Pela primeira vez um gênero musical consegue se  transformar em agente e veículo e uma violenta transformação no modo de vestir, pensar e agir desses jovens.

Jovens bem comportados x rebeldes sem causa.
                                                                               fotos enciclopédia Nosso Século 1945/1960
Antes da explosão do rock, a principal diversão dos jovens eram os bailinhos familiares. Os rapazes, com brilhantina nos topetes, paletó e gravata, ficavam de um lado do salão. As moças, com exuberantes penteados fixados com laquê, vestidos rodados e muitas anáguas ( como no musical de Doris Day), esperavam ansiosas do outro lado. O "chá de cadeira" era uma grande humilhação. A bebida mais consumida era o Cuba Libre ( rum com Coca-Cola). Os casais dançavam "coladinhos rosto com rosto", deslizando ao sabor dos grandes sucessos da época (Autumn Leaves; An Afair to Remamber) e da suave voz de Nat "King" Cole. A presença da  de Ray Conniff e sua orquestra não podia faltar nos bailinhos. Depois, o bebop de Dizzy Gillespie, Harry Belafonte com o calipso e os meneios de mambo, e aquele ritmo quente da rumba,   importado da zona boêmia de Havana, da orquestra de Severino Araújo. Também Libertad Lamarque, atriz e cantora argentina, quase na mesma época, transformou-se em musa do cinema latino-americano, filmando para a Pelmex alguns dos seus principais sucessos, dentre eles História de un Amor, em 1955.
Até ai, 1955, os bailinhos eram bem comportados. Mas algo estava mudando. O compositor cubano Ernesto Lecuona, autor de MalagueñaSiboney deu o veredicto: um casal que se olha cara a cara e se abraça não poderá dançar a verdadeira rumba. e, de repente, os bailinhos mudaram. As roupas eram as mesmas e os cabelos também, mas os corpos já se desequilibravam sensualmente ao sabor dos novos ritmos. Até que ao sabor de Bill Haley e Seus cometas, com o som "one, two, three o"clock, four o'clock rock( .....) a juventude 'enlouqueceu" e os bailinhos deram lugar a "salões alucinantes".
                                      Resumo do artigo da enciclopédia Nosso Século (1945-1960)

domingo, 17 de junho de 2012

A maioria dos micróbios do corpo não causa doenças



O Projeto Microbioma Humano, financiado pelos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos, publicou nas revistas "Nature" e PLoS", um conjunto de 14 estudos relacionados com as comunidades de micro- organismos do corpo humano, como bactérias e fungos, que foram mapeadas pela primeira vez. As pesquisas usaram técnicas de sequenciamento de DNA para identificar esses micro-organismos e mostrar sua diversidade, abundância e funções no corpo dos seres humanos. A coleta foi feita em diversas partes do corpo, como pele, boca, intestino e vagina através de análises feitas em 242 mulheres e homens. Somente as bactérias do trato gastrointestinal haviam sido catalogadas, até então, pelo projeto MetaHIT, que envolve oito países. Os pesquisadores concluíram que quase 10 mil espécies de micro-organismos perfazem a comunidade ecológica de nosso corpo, e que cada parte do corpo tem uma população diferente de micróbios, cada uma com sua função - no caso do intestino, por exemplo, os micróbios ajudam a digerir os alimentos. A pesquisa mostrou ainda que cada pessoa tem um microbioma único, com tipos e quantidades diferentes de bactérias realizando o mesmo trabalho. Ser mais ou menos saudável não estar relacionado com o fato de se ter mais ou menos bactérias. O pesquisador James Versalovic chefe do projeto e  do departamento de patologia do Texas Children's Hospital nos Estados Unidos, afirma que a maioria dos micróbios do corpo não causa doenças. "Esperamos que com esses dados as pessoas fiquem menos paranóicas e não usem antibióticos ou sabonetes bactericidas para tudo. Interferir no equlíbrio do microbioma pode causar mais danos que benefícios".  SegundoVersalovic  definir o microbioma de um adulto saudável e saber quais são e o que fazem os micróbios que habitam o ser humano era o primeiro objetivo do  Projeto Microbiano Humano. Agora, com o material genético proveniente de comunidades completas de micróbios, os próximos passos serão comparar os micróbios de pessoas saudáveis com os de doentes para entender como os problemas se desenvolvem e criar novas drogas. Vasco de Azevedo, professor do Instituto de Ciências Biológicas UFMG diz que "essa é só a ponta do ice-berg. O interessante será observar como os dois genomas - o humano e o dos micro-organismos - interagem".
Um dos estudos do MetaHIT já mostrou que quem tem menor diversidade de bactérias na flora intestinal tende a ser obeso, a ter mais gordura no fígado e responder pior a dietas.

Texto extraido e resumido da Folha de S.Paulo, C11 Saude+ ciência.

                                                   

sexta-feira, 15 de junho de 2012

A Peste, doença do passado, ainda ameaça

(Resumo do artigo publicado na Revista Ciência Hoje de junho de 2012)
Imagens google.

Pesquisas mostram que a incidência da Peste vem crescendo em vários países. No Brasil o último registro foi em 2005, mas o Serviço de Referência Nacional em Peste (SRP) está em busca de novos conhecimentos e tecnologias para aperfeiçoar os sistemas de vigilância e de controle epidemiológico, para evitar que a bactéria, ainda encontrada em roedores silvestres em algumas áreas do país, atinja a população humana.
Responsável pela morte de mais de 200 milhões de pessoas  ao longo dos últimos milênios, em diferentes épocas, alterou o curso da história, social e economicamente. Ela atingiu ricos e pobres, homens e mulheres, adultos e crianças. As artes como a pintura, literatura, poesia, teatro e cinema retrataram suas marcas através dos anos..
Originária do planalto central da Ásia a enfermidade causou, só na era cristã, três pandemias. A primeira, (Peste de Justiniano) afligiu o norte da Africa, Europa e o centro-sul da Ásia, entre os anos de 542 e 602, com elevada mortalidade tendo como consequência o declínio do Império Romano. A segunda (Peste Negra)surgiu na forma mais letal, a pneumônica, e se estendeu até do século 14 ao 16, exterminando um terço da população européia entre os anos de 1347 a 1353, ou seja em apenas seis anos. A terceira, chamada de 'Pandemia Contemporânea', teve início na China, em 1855, considerada a única de fato pandêmica graças ao desenvolvimento do transporte marítimo, e em menos de 50 anos a epidemia se espalhou por locais até então livres da doença, criando focos em todos os continentes habitados, com exceção da Oceania.
A Peste chegou ao Brasil em 1889, pelo porto de Santos, no navio Zeyer, que chegou da Holanda com um carregamento de trigo e com ratos e pulgas infectados, atingindo primeiro as cidades litorâneas, (fase portuária da doença). A partir de 1907 começou a fase urbana, quando a peste, por  ferrovias e rodovias chegou ao interior do país atingindo cidades grandes, vilas e povoados. Logo famosos pesquisadores foram a Santos, incluindo Oswaldo Cruz, para investigar a doença, onde os esforços para a fabricação de soros e vacinas contra a peste deram origem a dois institutos, um em 1889, (o atual Butantan) e o outro em 1900( a atual Fundação Oswaldo Cruz).
Após a Segunda Guerra Mundial, os antigos navios infestados de roedores e pulgas foram afundados e substituídos por modelos modernos, à prova de ratos, e a sua expansão diminuiu bastante, mas alguns consideram que esta terceira pandemia ainda está em curso.
Peste bubonica ( imagem do google)
A peste é, em essência, uma doença de roedores, mas é transmitida principalmente pela picada de pulgas infectadas por bactérias. Esta bactéria foi isolada pela primeira vez em junho de 1894, durante a terceira pandemia, pelo pesquisador suíço naturalizado francês, Alexander Yersin(1863-1943), em cadáveres e ratos(Rattus rattus). Em homenagem ao seu descobridor o microorganismo recebeu o nome de Yersinia pestis. Esta bactéria tem a forma de bacilo curvo e ovóide e já foi encontrada em mais de 200 espécies de pulgas, do total de 3 mil. Nos focos ainda existentes no Nordeste brasileiro, destaca-se um roedor nativo, o pixuna ou ratinho-do-cerrado (Necromys lasiurus). As pulgas parasitam os ratos ( seus hospedeiros) e são as principais transmissoras da doença. Cães, gatos, coelhos, caprinos e camelos também podem ser hospedeiros da Y.pestis. Pessoas que acampam, caçam, pescam em ambientes rurais e campestres, onde vivem roedores que podem estar infectados, podem acidentalmente contrair a doença.
 Também pode haver introdução de roedores e pulgas infectadas em ambientes habitados por humanos. A transmissão de pessoa para pessoa é mais rara, mas pode ocorrer por vias aéreas ( gotículas com bactérias expelidas na tosse ou no espirro). Neste caso na forma pneumônica, que é considerada a mais grave. Porém, qualquer uma das três formas, sem um pronto atendimento, a doença é fatal.