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quinta-feira, 4 de outubro de 2012

ENVELHECIMENTO - Velho cuidando de velho

De acordo com as estatísticas, um em cada dez pessoas no mundo está na faixa dos 70 anos. Já é comum vermos, nas clínicas, idosos de 60 anos ou mais, cuidando de familiares, ( pai, mãe e até mesmo parentes) com  mais de 90 anos. A profissão de cuidadores de idosos, mesmo sem grandes preparos,  está crescendo, e os que podem pagar optam por este recurso.  Aqui no Brasil, com este sistema de saúde público deficiente, o aumento de expectativa de vida não alegra ninguém. Os planos de saúde privados, além de caríssimos não gosta de velho. Fazem uma série de restrições para aprovar um candidato idoso no sistema. 
O SUS, (Sistema Único de Saúde) com seus hospitais públicos mal geridos e profissionais da área mal remunerados, deixa muito a desejar. Mas podemos dizer que "ruim com ele pior sem ele". Onde o pobre iria se consultar, mesmo tendo que esperar uma vida para ser atendido?

Diz a lei:  
"Através do Sistema Único de Saúde, todos os cidadãos têm direito a consultas, exames, internações e tratamentos nas Unidades de Saúde vinculadas ao SUS da esfera municipal, estadual e federal, sejam públicas ou privadas, contratadas pelo gestor público de saúde.
O SUS é destinado a todos os cidadãos e é financiado com recursos arrecadados através de impostos e contribuições sociais pagos pela população e compõem os recursos do governo federal, estadual e municipal.O setor privado participa do SUS de forma complementar, por meio de contratos e convênios de prestação de serviço ao Estado quando as unidades públicas de assistência à saúde não são suficientes para garantir o atendimento a toda a população de uma determinada região".

Vemos aí que, na teoria, é um plano maravilhoso. Copiado até por países de primeiro mundo, como Inglaterra e Canadá. Só que lá a coisa funciona, porque esses países aplicam, pelo menos, 10% do seu PIB em saúde, enquanto o Brasil apenas 3,6%. Junta-se a isto o agravante descaso com a educação. A ignorância e falta de informação está por trás deste caos. O pobre é ludibriado e acha que realmente ascendeu à classe média. Pergunto: Como é possível uma família ser considerada classe média só porque sua renda familiar subiu para 2.000 reais? Tem faculdades que cobram muito mais que isto em suas mensalidades. Mas a classe C acredita que pode agora financiar carro com taxas de juros mais baixas em 36 meses ou mais. Que sua dívida no cartão de crédito pode ser dividida em infinitas prestações. Educação e saúde só se lembram que é deficiente na hora que precisam de uma matrícula em escolas públicas e não acham vagas. Ou quando alguém morre nos corredores dos hospitais públicos.
Falando assim até parece que estou misturando alhos com bugalhos, já que o assunto é envelhecimento do país. Mas não. Ficar velho neste país, mesmo com uma aposentadoria, não garante uma boa qualidade de vida. A falta de educação leva à falta de informação e desemprego que leva à falta de saúde. Sabemos que a obesidade está aumentando no país, e isto leva a consequências graves como diabetes, pressão alta, etc. e é resultado de desinformação. Dizem que o número de analfabetos diminuiu no Brasil. Ou seja: aumentou o número dos que já sabem juntar B com O e L com A. Mas entender o que leu, que é o principal, não sabem. Como pode o analfabeto funcional entender uma bula, notícias de jornais e revistas para reclamar e reivindicar melhorias no sistema de  saúde pública? Infelizmente esse problema só poderá ser resolvido a longo prazo. Não se cuida do futuro com paliativos tipo cestas básicas e bolsa família. O que urge, no que diz respeito aos órgãos públicos, é uma medida  mais eficaz em saúde voltada para os que já chegaram a tal "melhor idade", para que os sessentões possam acudir os  mais velhos que já estão sofrendo do tal mal de Alzheimer. Ainda falta muito para que o idoso possa ser considerado um cidadão respeitado.