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sábado, 29 de dezembro de 2012

ELE FOI EM BUSCA DO PRÊMIO

Qualquer notícia de morte é chocante, mesmo aquela já esperada após dias de sofrimento de alguém querido, porém, nenhuma é mais impactante que a morte por suicídio, até mais que o homicídio. Isto porque essa notícia nos deixa com um certo sentimento de culpa, nos perguntando se não poderia ser evitada. O suicídio é um grito de socorro que ecoa tardiamente, é a voz que não foi ouvida em tempo hábil. Há quem diga que matar-se é um ato de covardia. Não concordo. Acho que é um ato de desespero e de muita coragem. Muitas vezes um suicida parece não transparecer esse perfil ao relacionar-se com as pessoas e então todos são pegos de surpresa com a notícia da morte e se perguntando por quê? E aí vem as observações e os eras: ele era muito introvertido; era brincalhão; era muito bom; era muito falador; era bom pai; era bom marido;era amável etc. Mas apenas aparências. Na verdade o verdadeiro perfil dele nunca fora visitado ou analisado. Digo isto porque recebi uma notícia de suicídio de uma pessoa querida e lembrei-me que, certa vez, numa festa de aniversário, essa pessoa comentando sobre a morte de alguém que vinha sofrendo, disse com bastante convicção "a morte é um prêmio". Então, esta foi a primeira lembrança que tive ao saber do seu suicídio. Ele foi em busca do prêmio - eu falei e ninguém entendeu. Sim, esta pessoa deveria ter um perfil suicida e ninguém havia percebido. Mas eu não esqueci a frase.
A vida não tem sentido, tem objetivos e, muitas vezes, é um fardo pesado. Há os que tiram de letra, que sabem contornar as situações difíceis e há os que não têm a mesma capacidade. O fato de estarmos neste mundo não nos obriga a gostar da vida. Os religiosos acham o suicídio um crime, uma revolta suprema contra Deus. Em países como Itália França e Alemanha, o suicídio era punido com o sepultamento fora de solo sagrado (geralmente à margem de estradas) e com o confisco das propriedades do suicida pelo Estado até o século XVIII. Na Inglaterra, o último país a descriminar o suicídio, isto era crime até 1961.
Não há o que explicar, condenar ou culpar, apenas lamentar.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

SER OU NÃO SER SÓ, EIS A QUESTÃO>

Foto Google



Buscar no parceiro uma satisfação para as suas frustrações tem sido, nos tempos de hoje pós moderno, angustiante. Saber se relacionar nunca foi fácil, mas hoje em dia está cada vez mais difícil. As queixas de solidão estão se tornando comum, apesar disso permanecer solteiro parece ser a solução mais saudável. A família está se afastando do padrão antigo, formada de um lar com pai mãe e filhos. A evolução da mulher, que pegou o homem despreparado para esta mudança, tem contribuído, em parte, para aumentar esta a dificuldade no relacionamento a dois. Segundo o filósofo alemão Arthur Schopenhauer (1788-1860), para ser feliz é importante ser autosuficiente. Então, ser solitário seria uma solução  para uma vida saudável. Mas estar solteiro ainda é mal visto pela sociedade devido a distorções a respeito do conceito que se faz de uma pessoa que prefere permanecer solteira. As mulheres, antigamente, que não casavam, ganhavam o adjetivo de "titia". Os homens que chegam à maturidade sem se casar tem sua opção sexual suspeita. Não estar acompanhado de um parceiro ou parceira parece estranho. A ideia  banalizada de amor no nosso cotidiano aumentam as dificuldades nos relacionamentos. O romantismo mostrado nas músicas, nas novelas, nos livros ou  nos filmes de amor têm contribuído para a ilusão da cara-metade perfeita, ideal. Felizmente a coisa está mudando. A introspecção, a tranquilidade de estar só consigo mesmo, o refúgio, parece ser uma boa estratégia para a felicidade. Conquistar a si próprio talvez seja mais importante. Para ser feliz é necessário  não se deixar levar pelos  os impulsos da vontade em busca de conquistas amorosas, sexuais. Para Schopenhauer nossa felicidade não depende da completude do outro numa relação de dependência, do lado de fora, que muitas vezes provoca inquietações e nos afasta de nós mesmos. Ou seja, abnegação, resignação, desapego é o que esse filósofo alemão exalta em sua obra, muito influenciada pelo Budismo, para alcançar a tranquilidade. 
Mas o que fazer quando a força da natureza fala mais alto no que diz respeito à perpetuação da espécie, que é o seu objetivo primordial? O prazer do indivíduo pouco importa para a natureza biológica. Satisfazer um desejo leva à vontade de outro.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Sobre Jesus e seu nascimento.

foto Google
Texto extraído do livro "O Julgamento de Jesus" de Gordon Thomas.

Jesus (de Nazaré). Yeshu. Seu nome judaico significa etimologicamente "Jeová é o Salvador". A data exata de seu nascimento é desconhecida, mas, definitivamente, não é 25 de dezembro. As suposições acadêmicas apontam para o final do verão de 12 a.C., tempo aproximado em que a "estrela do Oriente" dos Evangelhos, mais tarde chamada de Cometa de Halley, foi vista sobre o céu de Belém. Isso leva a idade de Cristo próxima aos quarenta anos quando começou seu ministério, e próximo à meia idade quando foi crucificado. Falava quatro línguas, mas não deixou qualquer registro pessoal escrito. Orador público magnético, a despeito do forte sotaque nazareno ridicularizado pelos sofisticados habitantes de Jerusalém. Confinou amplamente seu ministério ao interior.Seus seguidores imediatos não ultrapassavam em número os setenta e doze eram denominados apóstolos. Todos desertaram no Jardim do Getsêmani.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Oscar Niemeyer, 104 anos foi pouco.

A duração de vida das pessoas deveria ser proporcional à sua importancia no mundo, ao seu valor como pessoa, as suas intenções. Aqueles que trazem o gene do bem poderiam trazer acoplado o gene da super longevidade, pois assim poderíamos desfrutar por mais tempo da sua presença, do seu convívio. Estou falando de gente como Oscar Niemeyer, que apesar de ter vivido 104 anos foi pouco em relação aos projetos que ainda tinha em mente, ao valor que teve na divulgação do Brasil lá fora de forma positiva e que nos deixou orgulhosos de sermos brasileiros. Coisa que não vemos no dia a dia das corrupções e violências que tanto nos entristecem. Artista, humanista, arquiteto das curvas e muito mais que isto, Gente. Brasília poderia perfeitamente expulsar todos os seus governantes de lá e deixar apenas a obra de Niemeyer, que é o que salva a capital. Ouvi do seu arquiteto criador, numa de suas entrevistas, a sua decepção diante da insensibilidade do governo para com os moradores das cidades satélites, que vivem à margem como se não fizessem parte de nada daquilo que projetou. Os "candangos" que ajudaram na construção da Brasília ficaram de fora da cidade. Que cidade é esta que não inclui seus habitantes mais desfavorecidos? Imagino a frustração de  Niemeyer, que costumava ajudar os mais carentes, ao ver, com seu olhar generoso, o sofrimento dos que realmente moram ao redor da cidade, esta que nos fins de semana fica praticamente vazia porque seus "habitantes" voam para suas bases. Quero, por isto, deixar aqui registrada a minha admiração por este brasileiro que ajudou a mudar o cenário do Brasil com seu traço leve, com seu olhar futurista tão bem expresso no seu semblante calmo.