Pesquisar este blog

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Além das quatro paredes.

Não entendo porque as pessoas se preocupam ou se ocupam com o que acontece, e de que forma acontece,  entre as quatro paredes do outro. Também não entendo o porquê de se alardear as preferências sexuais. Independente de ser homo ou heterossexual as pessoas ocupam e exercem uma função no mundo e na sociedade ao qual pertencem, seja um médico, um engenheiro, um professor, um advogado, um artista, um atleta ou um operário qualquer. Não se vive 24 horas do dia entre as quatro paredes do quarto. Apesar do mundo ser heterossexual, nem por isso podemos dizer que tudo corre às mil maravilhas. O que existe escondido por trás do biombo, ou dentro do armário, talvez seja muito mais preocupante que ser ou não heterossexual. Os sociopatas, por exemplo, escondem perigos imperceptíveis ao olho humano e estão por aí, ao nosso redor, exercendo cargos e lidando com assuntos do cotidiano. Estes sim, deveriam ser a razão de preocupação e fobias. Suas vítimas que os digam. O ser humano tem por costume rejeitar tudo que não está dentro da "sua" visão de correto. Esquece que muitas vezes comete erros ao olhos do outro e não aceita ser julgado. Os erros do outro é sempre mais grave que o seu próprio. O mundo é plural no sentido amplo, e a tentativa de uniformização e eliminação dessa pluralidade é dominação perigosa e perda de liberdade. Não devemos esquecer dos campos de extermínios existentes na Alemanha nazista.
Mas, voltando às quatro paredes, devo admitir que a sexualidade é uma das características mais forte nos seres vivos, isto porque a natureza biológica tem como objetivo primordial a reprodução e perpetuação da espécie, a prole é o seu alvo. Não interessa à natureza o indivíduo em si, a não ser como reprodutor e garantidor da perpetuação da espécie. Mas a natureza também deu ao homem uma característica que só ele tem: a inteligência. Então, nada impede, nos tempos de hoje, que uma pessoa, seja ela homo ou heterossexual, tenha ou não filhos. Temos exemplos dos que apelam para a inseminação artificial e barriga de aluguel, e até mesmo adoção, que é também uma forma de proteger a prole. Há, também, os que já cumpriram com o seu papel na natureza, como é o caso da cantora Daniela Mercury, que tem filhos e netos, podendo agora fazer o que quiser com seus sentimentos amorosos. Não foi a toa que a natureza dotou o ser humano de inteligência, foi para que ele se adaptasse às condições adversas, modificando o meio para que melhor possa sobreviver. Há, portanto, que se discutir acerca do respeito a liberdade e pluralidade humanas, porque os padrões do certo ou errado não são seguros.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

A expressão "CONCERTO"

Acredita-se que foi Diego Ortiz, músico espanhol que viveu no século XVI, o primeiro a se valer da expressão concerto para nomear um gênero de composição. Antes do seu Concerto para 5 vihuelas - publicado em Roma, em 1553 -, não existe registro de outra obra que trouxesse a mesma designação. Nota-se assim, pela primeira vez, o uso da qualificação "concerto" significando música para um conjunto instrumental, sendo que no caso de Ortiz, o grupo se  compunha de vihuelas - nome porque se conheciam na Espanha entre os séculos XII e XVIII, os instrumentos de corda com braço, quer de arco quer dedilhados. A partir do músico espanhol, contudo, o termo foi abrangendo áreas de composição que não se limitavam ao conjunto instrumental, aplicando-se também a motetos, para vozes e instrumentos, a trabalhos para um só instrumento, a peças para alguns solistas e orquestra ( como o Concerto Grosso barroco) ou para um único instrumento e orquestra.
Ao que parece, o gênero se instalou na Alemanha por intermédio de J.S. Bach, que escreveu concertos em diversas formas: para um único instrumento, para instrumento e orquestra e para muitos instrumentos. Nos pequenos estados alemães, antes de Bach, os concertos na sua mais esmerada forma para um ou muitos  instrumentos executantes, provinham da Itália (particularmente de Veneza) que ganhava aprovação da nobreza, com entusiasmo, para o seu deleite, mantendo em seus palácios pequenos conjuntos orquestrais fazendo-os executar periodicamente. Um desses nobres influentes era o margrave de Brandenburgo, Cristian Ludwig, jovem príncipe prussiano, celibato, que estudava profundamente música e colecionava partituras de concertos compostos por autores da época, a  quem Bach lhe fora apresentado em 1719, pelo príncipe Leopold Anhalt- Cohethen, que tinha a seu serviço o músico alemão desde essa época e o acompanhava a fim de que ele se apresentasse em outros estados.
( fonte: Coleção Grandes Compositores da Música Universal)

quarta-feira, 3 de abril de 2013

PEC - "primeiro mundo da noite para o dia".

A partir de hoje está valendo a nova lei que regulamenta o emprego doméstico, o PEC. Sempre sonhei com o momento em que empregada doméstica se tornaria artigo de luxo, como em países de primeiro mundo. Agora elas não vão mais ter  vergonha de ter na carteira assinada  a  Profissão Doméstica. Muitas delas arranjavam mil desculpas para não entregar a carteira profissional, o que era motivo para muitos patrões escaparem das obrigações trabalhistas. Nada mais justo que regulamentar essa profissão que até então não era valorizada. Mas o grande problema são os penduricalhos que poderão  acompanhar a lei do PEC , como salário família, creche, seguro etc. Querer comparar o emprego doméstico com outros de empresas privadas, que visam lucros, é irreal. Outro problema é a qualidade de mão de obra no que diz respeito a capacidade profissional e responsabilidade para com o emprego, que na maioria das vezes deixa a desejar e que de agora em diante vai ser mais exigido. É preciso também esclarecer os deveres das domésticas, muitas não cumprem horário de chegada. Frisar que a relação empregada patroa  tem que ser estritamente profissional também é utópico, porque a proximidade com os problemas pessoais de ambos os lados é mais intensa. Não se pode proibir sentimentos nas relações humanas. Infelizmente no Brasil as leis muitas vezes são feitas e são desobedecidas porque  não há correspondência com a realidade. Mas essa lei deve ser louvada pois haverá mudanças, para melhor, nos lares da família brasileira. As meninas patricinhas, e meninos, não precisarão mais viajar para a Europa a fim de aprender a fazer a sua própria cama e arrumar o seu quarto como fazem os de lá. Terão que aprender aqui mesmo. Os maridos terão que aprender a mudar fraldas de bebês e lavar o seu próprio prato e copo. Nada de ficar sentado dando ordens, têm que dividir as tarefas domésticas. Talvez o ruim de tudo isso seja mesmo o aumento de desemprego na área das domésticas, que deverão mudar de profissão ou optar por serem autônomas tornando-se diaristas, afinal, a maioria dos brasileiros não ganha o suficiente para manter tal luxo.