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domingo, 18 de janeiro de 2015

PARA AONDE NOS LEVA ESTE MUNDO FLUTUANTE?


                    

Neste contexto atual do efêmero, do passageiro, onde nada mais é sólido nem permanente, contrariando o que é básico na existência humana, "o que fica e o que passa", estamos perdendo a nossa identidade, que sem dúvida, está nas origens da cultura da humanidade. Mas o pior é que perdendo os valores básicos perdemos também o que consideramos essencial para a convivência entre as pessoas na sociedade.
Hoje em dia a mentira, a injustiça a falta de solidariedade, o individualismo, e a mercantilização do ser, que valoriza mais o ter, estão obscurecendo tudo aquilo que antes nos dava segurança. Estamos flutuando na nuvem tecnológica, e, como toda nuvem, está sempre mudando de forma e lugar. E o que devemos fazer para resgatar o alicerce que está também ruindo? Apelar para a cultura talvez fosse a saída, se ela também não estivesse abalada, mal interpretada, usada como propaganda para obtenção de poder, e descartada como mercadoria de 1,99. Vimos, há pouco, que o primeiro pensamento da Ministra da Igualdade Racial, Nilma Lino Gomes, recém nomeada, foi o de querer banir a obra de Monteiro Lobato, que retrata a cultura da época, por considerá-la racista. Este exemplo pode parecer fora do contexto, mas não está. É a cultura que nos torna humanos, pois nascemos frágeis e dependentes dela, a fim de sobrevivermos no meio em que nos criamos. Para compreendermos os dias atuais é necessário estudar o passado e não solapá-los.
Não sei se ainda é de interesse nosso resgatar o que essa sociedade flutuante está demolindo. Se for, temos que dá início ao processo. Ou, então, abrir mão e partir para traçar outro destino, que nos privará do convívio saudável que nos faz solidários e felizes, dentro de um espaço real onde as cidades e as idéias se interligam. A geração de hoje, nascida e criada no intercâmbio das relações virtuais, talvez não perceba, ainda, que sob seus pés as raízes estão se transformando em areia movediça.