segunda-feira, 27 de abril de 2015

Invisibilidade pode ser arma contra fobia social, sugerem cientistas

27/04/2015 07h41 - Atualizado em 27/04/2015 07h41
Globo.com
Teste apontou estresse menor quando havia sensação de invisibilidade.
Experimento contou com a participação de mais de 100 pessoas.

Resumo do artigo



A sensação de ser invisível pode contribuir para diminuir o estresse que algumas pessoas sentem em frente às outras - foi o que descobriu um grupo de pesquisadores, segundo os quais essa ilusão pode ajudar no tratamento da ansiedade social.
Ser invisível é uma aspiração antiga. O filósofo grego Platão narra a história de Giges, que se torna rei graças a um anel que lhe confere invisibilidade. O romance de ficção científica de HG Wells, "O Homem Invisível", atribui essa faculdade a um cientista louco, e Harry Potter, o aprendiz de feiticeiro de J.K. Rowling, tem uma capa com esse poder.
Nos últimos anos, alguns progressos foram alcançados graças à pesquisa com metamateriais capazes de manipular as ondas com "camadas de invisibilidade", formadas por materiais artificiais que permitem desviar os raios de luz que chegam em um objeto, tornando-o invisível.
"Embora os dispositivos capazes de esconder completamente um corpo humano ainda não tenham sido desenvolvidos, não é irreal pensar que um dia vai ser possível, e é melhor ir se preparando", explicou Arvid Guterstam, coautor de um estudo publicado na última semana periódico "Scientific Reports", da conceituada revista científica "Nature".
"Queremos estudar as consequências psicológicas de tal invisibilidade para que estes dispositivos possam ser usados com segurança", acrescentou o pesquisador em neurociência do Instituto Karolinska, em Estocolmo (Suécia).
O estudo utilizou um total de 125 participantes, com 25 voluntários para cada experiência. Cada um deles foi equipado com um capacete de vídeo ao vivo e em 3D, alimentado por um par de câmeras colocadas ao nível dos olhos. Apontando para baixo, as câmeras filmavam o vazio. Em seguida, os pesquisadores pediram aos voluntários que se levantassem e olhassem para baixo. Em vez de ver seu próprio corpo, as pessoas viam um espaço vazio.

Os cientistas constataram que a frequência cardíaca dos participantes e seu nível de estresse declarado foi menor quando a pessoa tinha a sensação de ser invisível do que quando ela se percebia visível pelos demais.

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