Pesquisar este blog

domingo, 7 de junho de 2015

Nelson Motta - Al Pacino se consagrou com grandes personagens da história do cinema

Edição do dia 05/06/2015
06/06/2015 01h13 - Atualizado em 06/06/2015 01h29

Nelson Motta fala sobre a trajetória do ator que fez história com seus personagens em filmes como "Perfume de Mulher" e "O Poderoso Chefão".

Nelson Motta




NelsonMotta, o maior ator vivo do mundo. Pacino é baixinho, narigudo e desajeitado, mas virou um dançarino de tango irresistível em "Perfume de Mulher".
Em "Donnie Brasco", para viver um canhoto infiltrado na máfia, o destro Al Pacino passou um tempão usando só a mão esquerda.
Durante as gravações de "Serpico", ele foi além: parou de verdade um caminhão e ameaçou prender o motorista. Tudo para testar seu personagem, um policial.
Pacino tem muita confiança nas próprias escolhas: ele recusou, por exemplo, o papel principal de outro clássico de Coppola, "Appocalypse Now", por achar o roteiro mais maluco do que ele.
Mas quando ele quer um papel, ninguém segura! Os produtores não o queriam como Michael Corleone. Com determinação, ele conseguiu viver o papel do gangster violento e cerebral.
E se você acredita em predestinação, os avós maternos de Al Pacino são da cidade siciliana de...Corleone.
Veja o que Nelson Motta diz sobre esse ícone do cinema:
De chefões mafiosos a policiais honestos, de militares rabugentos a traficantes violentos, de gays a reis de Shakespeare, Al Pacino chegou a fazer o próprio tinhoso em "O Advogado do Diabo", e comemora seus 75 anos consagrado como um dos maiores atores de todos os tempos.
Filho de imigrantes italianos, o novaiorquino Alfredo James Pacino era baixinho e brigão, começou a fumar e a beber com nove anos de idade e continua até hoje, embora nunca tenha se envolvido com drogas pesadas. Ele fugiu de casa com 17 anos para estudar teatro no Actor's Studio, trabalhando como garçon e muitas vezes dormindo na rua para pagar o curso de teatro.
Mas valeu a pena. Logo na sua estreia no palco, já como Al Pacino, arrebentou e começou a ganhar premios e a ser notado por Hollywood. Só com 30 anos Pacino entrou no cinema, mas entrou quebrando tudo, em três grandes filmes.
Primeiro com uma atuação sensacional como Michael Corleone em "O Poderoso Chefão", é aclamado como um dos herdeiros de Marlon Brando. Depois como o Sargento Serpico, na biografia de um policial que denuncia os métodos violentos, o racismo e a corrupção da policia de Nova York em 1973.
E fechando com o gay Sonny, que, para bancar uma operação de mudança de sexo de seu parceiro, protagoniza um desastrado assalto a banco em "Um Dia de Cão" que dura inteiro, transmitido ao vivo pela televisão e com final trágico.
Pacino tambem foi presença marcante como Michael Corleone nas duas sequências de "O Poderoso Chefão", mostrando seu talento e versatilidade.
Nos anos 1980, a carreira de Al Pacino entrou na descendente, com filmes fracassados e tendo como unica exceção brilhante o violentíssimo "Scarface", de Brian de Palma, em que Pacino protagoniza algumas das cenas mais chocantes do cinema moderno.
Na década seguinte brilhou em filmes muito bons e diferentes entre si como o traficante arrependido de "O Pagamento Final", o policial inflitrado na máfia em "Donnie Brasco" e ganhando o Oscar com a sua atuação em "Perfume de Mulher" como o militar cego e mal-humorado que adora dançar.
Nos últimos anos Pacino viveu brilhantemente personagens tão diferentes como o sinistro Dr. Kevorkian, o Doutor Morte, em "Voce Não Conhece Jack", o usuário Shylock de "O Mercador de Veneza", os reis Herodes, de "Salomé", e Ricardo III, de Shakespeare, e o legendário produtor de discos Phil Spector, mostrando que está cada vez melhor.