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domingo, 14 de agosto de 2016

"Como eram machistas e espertinhos esses Filósofos"!

Foto Google-Immanuel Kant (acima) e Aristóteles
Transponho aqui, de forma bem resumida, a minha reflexão sobre um artigo que li na Revista Filosofia Ciência &Vida, (número 118), "A Visão das Mulheres na Filisofia", por Ana Luiza Souza Ribeiro, professora de Filosofia do Ensino Médio, (MG).
Podemos constatar, através da História da Filosofia, que a maioria dos filósofos contribuiu de forma contundente para atitudes repugnantes em relação às mulheres. Discriminando, ridicularizando, ocultando e calando expressões femininas, como se estas fossem sinônimos de algo inferior. Daí a importância de se ultrapassar essas barreiras no século XXI, levantando questões e discutindo o problema, seja no âmbito político, social, religioso, profissional, educacional ou familiar. O que felizmente já acontece, embora ainda com alguns entraves. 
Na Grécia antiga a mulher tinha o mesmo status social dos escravos. Ou seja, não tinham direitos civis nem participação política. Suas vidas eram controladas pelos pais, maridos e senhores, do modo que eles bem entendessem. Dentre os filósofos da antiga Grécia, Platão (428-7 a.C./348-7a.C.), considerado o maior pensador de todos os tempos, foi o único que reconheceu a igualdade de natureza para homens e mulheres. Na sua obra A República, ele buscou construir uma sociedade justa em que todos fossem igualmente felizes, acreditando que ambos os sexos deveriam ter oportunidades iguais por meio da Educação. Porém, o pensamento patriarcal nessa época era muito forte, sendo que seu discípulo Aristóteles, apesar de ter obras sobre diversos temas como Física, Política, Ética, Arte, etc., pensava igual à maioria dos homens gregos da época. Para ele, o homem deveria determinar a vida das mulheres, cuja maior virtude, na opinião dele, era o silêncio. As mulheres não tinham voz. No seu livro "A Política", ele demonstra que o marido está para sua mulher como o governante está para o cidadão.
E não fica por aí, vejamos outros: na Modernidade, Immanuel Kant, filósofo alemão (1724-1804), para ele a racionalidade nas mulheres existe em grau menor em relação ao homem; a elas eram concedidas apenas funções domésticas, para justificar sua idéia de que a natureza de homem e mulher são diferentes. Outro pensador moderno, francês, Jean-Jaques Rousseau (1712-1778), autor de obras filosóficas de impacto na Literatura, Política e Educação, diz em seu livro Emílio, que as mulheres devem ser educadas para os homens e para a maternidade, servindo apenas para satisfazer os desejos masculinos, já que a sedução é própria da natureza feminina. Apesar de em suas obras defender a igualdade perfeita, as mulheres não são incluídas nelas. Vemos então uma visão negativa em relação às mulheres colocando-as numa posição de inferioridade natural, devido a uma hierarquia em que o poder dos homens se impõe ao das mulheres. 

Já a filósofa italiana Christine de Pizan (1364-14300) a primeira escritora da História ocidental, em sua obra A cidade das damas, mostra o universo feminino,  criticando a desigualdade diante dos homens e rejeitando a ideia de que as mulheres são seres frágeis, tentando romper com essa visão deturpada dos homens, usando, do mesmo modo que eles, a palavra.
Na Idade Moderna, podemos destacar outra mulher, a francesa de Mantauban, Olímpia de Gauges (1748-1743), precursora do feminismo que bradava em suas importantes publicações:  "Mulheres! Quando vamos quebrar as cadeias da opressão masculina?...ficar em silêncio é a convicção de um mundo governado por homens!". 
Felizmente, já no começo do século XIX, Sturat Mill (1806-1873), filósofo e economista britânico, pensador liberal mais influente desse século, salientou em seu livro A sujeição das mulheres, um ponto muito importante sobre o direito do voto das mulheres, um ensaio muito elegante em defesa da igualdade de gênero e dos direitos das mulheres, um dos melhores escrito até hoje, mostrando que a solução da questão encontrava-se nas restrições da legislação. 

Muitas outras mulheres se sobressaíram com suas próprias ideias a exemplo de Marie Curie (1867-1934), cientista, naturalizada francesa, a primeira pessoa e única mulher a ganhar o Nobel duas vezes.
É relevante destacar, também, o trabalho da historiadora, filósofa e ativista brasileira, Lélia Gonzalez (1935-1994), de origem humilde, filha de pai negro e mãe indígena, militou na causa das mulheres e do movimento negro. Inventa uma forma linguística bem específica, o chamado pretoguês, baseado na marca da africanização do português falado no Brasil. Dentre suas obras destacam-se o artigo E a trabalhadora negra, cumé que fica?