Pesquisar este blog

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Quem conta um mini Conto aumenta um ponto. Episódio em Cartório.


                                                   
Um senhor entra no cartório e diz:  vim tirar o registro do meu filho.
Atendente - tirar ou registrar? 
Pai - isso aí, registrar certidão.
Atendente - seus documentos, por favor.
Pai - quais?
Atendente - carteira de identidade
Pai - pois não, "taqui".
Atendente - nome da mãe e documento
Pai - ele não tem mãe.
Atendente -  onde já se viu alguém não ter mãe? 
Pai - uma mulher deixou na minha porta com esse bilhete: "tudo indica que é seu filho, foi parido em casa" . E sumiu, ninguém sabe ninguém viu. 
Atendente -  mas tem que ter testemunha e mostrar que a criança está viva.
Pai -   A criança está aqui, minha vizinha me acompanhou e está com ele lá fora. Vou buscar.
Vizinha - um momento que estou dando o peito pra ele.
Atendente - a  senhora está amamentando? Então o filho é seu.
Vizinha - né não senhora.
Atendente-  a senhora tem um filho recém nascido em casa?
Vizinha - não senhora
Atendente- e como tem leite materno para amamentar?
Vizinha - é sempre assim, quando vejo recém nascido fico logo derramando leite.
Atendente- não vai me dizer que quer que eu acredite nessa história,  não é minha senhora?
Pai -  coisa de Deus  não tem explicação dona.
Atendente - dá licença, meu senhor, que vou conversar com sua vizinha.
Vizinha - falando baixinho no ouvido da atendente -  sei o que a senhora está pensando, mas não vou confessar, senão vai dá rolo.
Atendente - que rolo?
Vizinha - meu marido é viajante,  sabe como é?  
Atendente- não senhora, não sei.
Vizinha- Fica mais de ano  fora , na estrada.
Atendente- licença que vou conversar com o pai do bebê.
Pai - falando baixinho: sei não, acho que foi coisa rápida, já faz meses, quase um ano. 
Atendente - olha aqui: se vocês não assumirem agora essa relação não tem registro. E tem mais, preciso da testemunha, a parteira, porque o parto foi feito em casa.
Pai - não seja por isso, minha mãe é parteira.
Atendente- e foi ela quem fez o parto desta criança?
Vizinha - foi ela sim senhora,  e foi ela a autora do bilhete também.
Atendente- vocês são um bando de safados. Só voltem aqui com a parteira.
Vizinha - sabia que ia precisar, igual da outra vez. Ela tá lá fora.
Atendente- Que outra vez? 
Vizinha - ela sempre testemunha para os partos que faz.
Chega a parteira toda de branco.
 Atendente- foi a senhora quem fez  esse parto, fale a verdade? Quem me garante que a senhora é mesmo parteira? Ou se isso não é sequestro?
Parteira - olha aqui minha senhora, eu faço parto há muitos anos e sou muito respeitada. 
Pai - eu garanto por minha mãe.
Atendente - preciso dos documentos das duas e comprovante de endereço.
Vizinha e parteira- pois não, taqui.
Atendente- conferindo os documentos - bem,  lavo minhas mãos, problema de vocês; que nome vão colocar na criança?
Pai da criança- o nome vai ser Deus dos Santos.
Atendente - não posso colocar esse nome. O senhor vai expor seu filho ao ridículo, e isso está proibido.
 Pai- ele vai se chamar Deuz com Z. Me disseram que pode. Meu primo se chama Jesus e minha irmã Deusa.
Vizinha -  (já assumindo ser  mãe do garoto) -  E o apelido vai ser Deuzinho.
Atendente - aqui não se registra apelido.
Parteira - (e agora avó de Deuz ) - e  essa criança, quem vai criar?
Atendente- isso vocês resolvem na justiça. Por hoje chega. Que Deus  proteja Deuz. É  cada uma  que me aparece.!