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sábado, 7 de setembro de 2013

Um pouco do crítico e irônico Machado de Assis


Joaquim Maria Machado de Assis (1839-1908) um dos maiores escritores brasileiros de todos os tempos, era pobre, epilético e neto de escravos alforriados, não frequentava a escola com regularidade mas sempre teve grande interesse pela leitura e por isto conseguiu instruir-se por conta própria. Aos 16 anos publicou seus primeiros versos no jornal A Marmota, nessa época ele trabalhava como aprendiz em uma tipografia. Seu reconhecimento só veio na década de 1870, época influenciada pela Literatura romântica. Na década de 1880, uma mudança de estilo e de conteúdo fundou o Realismo no Brasil, e sua carreira sofreu uma grande reviravolta; é ai que ele revela toda a sua ironia e espírito crítico através de suas obras, como os romances Memórias Póstumas de Brás Cubas,(1881), Quincas Borba (1891) Dom Casmurro (1899). Nessas obras Machado de Assis faz uma grande reflexão sobre a sociedade brasileira e os valores morais dos que nela vivem.

  No capítulo XXX de Memórias Póstumas, sobre a escola, por exemplo, lemos um trecho: "Tinha amarguras esse tempo; tinha os ralhos, os castigos, as lições árduas e longas, e pouco mais, mui pouco, e mui leve. Só era pesada a palmatória, e ainda assim....Ó palmatória terror dos meus dias pueris, tu que foste o compelle intrare¹, ...... Que querias tu, afinal, meu velho mestre de primeiras letras? Lição de cor e compostura na aula; nada mais, nada menos do que quer a vida, que é das últimas letras; ..."
Memórias Póstumas de Brás Cubas, foi divulgado primeiramente na "Revista Brasileira" em 1880 e em Volume no ano seguinte, causando impacto com o seu tom cáustico e seu pessimismo. Machado se Assis
confessava adotar a "forma livre" de Lawrence Sterne,(1713-1768), escritor inglês, famoso pela sua ironia e humor. Também o filósofo Arthur Schopenhauer ( 1788- 1860) impregnou o pensamento de Machado. Segundo este filósofo o universo é Vontade; cega, obscura, e irracional vontade de viver.

Em Machado, o experimentalismo ficcional está animado pelo espírito de brincadeira e zombaria.
Em Quincas Borba no capítulo XXX, vemos os anti-valores e desfaçatez:
" Rubião perguntou-lhe uma vez:
Diga-me senhor Freitas, se me desse na cabeça ir à Europa, o senhor era capaz de acompanhar-me?
 - Não,
- Por que não?
- Porque sou amigo livre, e bem podia ser que discordássemos logo no itinerário.
- Pois tenho pena, porque o senhor é alegre.
- Engana-se, senhor; trago esta máscara risonha, mas eu sou triste. Sou um arquiteto de ruínas...."²






¹ compelle intrare - " obrigue-os a entar" parábola bíblica que quer dizer que a violência é válida quando usada para o bem. (Nota do Editor  de Memórias Póstumas de Brás Cubas- Série Bom Livro Edição Didática).

²-
Clássicos Brasileiros - edição de Ouro





domingo, 1 de setembro de 2013

O Desabafo da Barata

Foto google
Estou na dúvida se  fico aqui escondidinha esperando que essa idiota desista de me matar com o chinelo, e aí é bem provável que ela opte por um inseticida, ou se me arrisco, saindo correndo numa velocidade proporcional  a de uma fórmula 1. Então ela sai correndo atrás de mim e se eu tiver sorte ela bate com o chinelo no chão várias vezes, enquanto fujo para uma frecha mais segura da cozinha dela. O pior é ficar ouvindo ela me chamar de nojenta e fazer cara de quem vai vomitar. Nojenta é ela que não limpa direito os cantos da casa. Deixa cair migalhas no chão, esquece o prato sujo de comida em cima da pia de noite; isso sem falar que há anos não limpa a tal caixa de gordura que já deveria ter sido isolada. Eu estou fazendo o que a natureza mandou que eu fizesse. Não mato ninguém para me alimentar, só como restos. Ela sim, é que mata animais e plantas para sobreviver; come cadáver e se dá ao luxo de me chamar de nojenta. Essa coisa de ter medo e nojo de barata é mais cultural que biológico. Deveria ter nojo era dessas comidas de Fast-food que fica sobre os balcões, com todo mundo falando em cima, transmitindo seus vírus e bactérias diretamente nos alimentos, provocando muitas vezes infecções por botulismos etc. Muito mais mal faz é esse inseticida que ela está agora nas mãos, pulverizando por toda parte, porque não sabe onde eu me escondi. É que aproveitei, quando ela saiu para pegá-lo na área de serviço, e me mandei para a casa da vizinha, passando por debaixo da porta. Sei que meus dias estão contados mas, pelo menos, já deu tempo para eu deixar meus ovinhos bem grudadinhos embaixo das gavetas e armários com panelas mal-lavadas. Hihi!

sábado, 31 de agosto de 2013

Vinicius de Moraes - Soneto de Fidelidade e outras belezas -



Vinicius de Moraes

19/10/1913/ - 09/07/1980

Rio de Janeiro - RJ




De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
E assim quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama        
MAS QUE SEJA INFINITO ENQUANTO DURE

domingo, 11 de agosto de 2013

Confissões de um morto




Perdão por eu ter morrido.

Você tinha razão quando dizia que eu adiava a vida, perdendo muitos momentos felizes que poderíamos ter passados juntos. Muitas vezes a deixei esperando, por ter ficado entretido no trabalho, esquecendo um compromisso para irmos ao cinema.
O trabalho sempre foi para mim o mais importante. Tolice. Com que finalidade se trabalha tanto? Sempre achamos que temos o controle sobre as coisas da vida. O que não dá para se fazer hoje, é adiado. E assim, fui deixando para depois o que seria a melhor parte da minha vida.
Quando me lembro da energia perdida nos aborrecimentos em busca do dinheiro, da corrida por um lugar ao sol. Que lugar é esse que nunca chega?
Na verdade, meu lugar era você. E só agora eu vejo o que não enxergava quando tinha os olhos abertos. O problema é que a morte só existe de verdade quando se morre. Quando tudo que deveria ser dito ou feito não se pode mais fazer. Quando nos tornamos invisíveis. Se somarmos os anos de convivência e as vezes que deixamos para depois tudo que poderíamos ter vivido de bom, fica uma grande dívida. Não deixa de ser um consolo saber que depois de morto somos lembrados pelo que fizemos de bom. Mas isso não nos torna menos morto de fato. Só nas lembranças.
Costumamos dizer que a vida não é nada. Engano. A vida é tudo. A morte, essa sim, não é nada. Um nada eterno e irrevogável. A vida pode ser curta, mas, o que podemos tirar dela vale uma eternidade. Será que só através da morte é que enxergamos a vida? A morte é muitas vezes a lente dos vivos.
Você poderia ter sido meus óculos, mas não tive tempo para usá-los devidamente.
O peso que se impõe à vida comprime o espírito, que só é libertado quando a solidez sobre ele se desfaz. Mas essa leveza costuma chegar tarde demais.
Sei que morri, mas, fui pego de surpresa. A morte é sempre surpreendente. Estou tão desolado quanto você. Fui um estúpido, e, se eu não fosse tão egoísta pediria que não sofresse por mim.

                                                                                                                 Darcy N. Brito


terça-feira, 23 de julho de 2013

Fique atento aos Fatores de Risco de Doenças Coronarianas

De acordo com os estudos na área de cardiologia, os fatores de risco para se adquirir uma doença arterial coronariana está dividido em fatores não controláveis e fatores controláveis. Os fatores não controláveis geralmente estão ligados ao envelhecimento. Mas, estudos mostram que a maioria das pessoas tem no mínimo um grande fator de risco que pode ser controlado, e saber lidar com o problema é que faz a diferença que levará a doença a se manifestar ou não. A respeito dos fatores não controláveis, temos o exemplo da idade onde a doença acomete quatro em cada cinco pessoas com mais de 65 anos. No caso do sexo os homens têm maior probabilidade. Mas as mulheres têm mais complicações após um ataque cardíaco e os cientistas ainda não encontraram motivos para esta diferença. Temos ainda: os fatores genéticos - se seu irmão ou pai foi diagnosticado com a doença antes dos 55 anos de idade ou se sua mãe ou irmã foi diagnosticada antes dos 65 anos;  os  fatores étnicos - brancos descendentes de europeu tem menos probabilidade que afro- descendentes, mexico-americanos, indios americanos e havaianos nativos.
Os fatores de riscos controláveis conhecidos são: tabaco, diabetes, níveis de colesterol LDL alto, pressão alta, sobrepeso ou obesidade. Estes fatores podem ser controlados com uma dieta saudável, execício físico e medicamentos controlados. A falta de exercício é tão perigosa quanto o hábito de fumar. O estresse também é um fator de risco que pode aumentar a pressão sanguínea, reduzir o fluxo de sangue no coração, diminuir a capacidade de bombeamento do coração, desencadear ritmos anormais de bombeamento e ativar o sistema de coagulação sanguínea. A raiva constante também é uma inimiga do coração, pois podem aumentar os níveis de triglicérides e colesterol ruim. Há evidências de que a depressão torna as pessoas mais vulneráveis à doença cardíaca, embora os médicos ainda desconheçam os motivos. Vemos, então, que apesar dos riscos que corremos no dia a dia nesses tempos modernos, há muitos meios de evitarmos ou adiarmos uma doença  arterial coronariana grave, para isso é necessário ficarmos atentos aos sintomas, procurar regularmente um especialista a fim de nos orientar. 

domingo, 14 de julho de 2013

O Escritor e a Primeira Pessoa



O difícil de criar um personagem na primeira pessoa é a sensação de autobiografia. Mais difícil ainda é para o leitor, que sempre associa a figura do autor ao do protagonista e, muitas vezes, ao narrador, que o autor usa para descrever o personagem e sua história na primeira ou terceira pessoa. E se o leitor conhece pessoalmente o autor fica difícil, também, abstrair a figura do personagem e separar da do autor do livro. Uma vez ouvi Jô Soares falando, numa entrevista a Chico Buarque, da dificuldade que teve para abstrair, quando leu Estorvo, de autoria de Chico. Neste caso o autor conhecido pelas suas lindas composições musicais. Quando escrevi o meu primeiro livro “Rainha sem Faixa”, escrito na primeira pessoa, senti na pele esse problema. Pessoas que me conheciam me questionavam sobre a personagem, no caso uma mulher, dando a entender que era uma autobiografia.

Um personagem é construído a partir de observações e reflexões do autor, pode até ter algo de autobiográfico, mas não necessariamente ou propositalmente, esteja ele na primeira pessoa ou não. Ele é um mosaico, feito com pedaços de muitos outros, que de repente podem se incorporar ao protagonista da história. Quando um autor começa a escrever, muitas vezes nem sabe no que vai dar o enredo. A história vai se desenrolando, levando o autor às mais diferente situações, e o coloca num desafio para encontrar uma saída coerente, usando as palavras certas que leve o leitor a abstrair e refletir de acordo com a sua própria interpretação ou processo mental. O leitor pode ser um crítico que vê coisas que o próprio autor não viu ou teve intenção de dizer. A arte não requer explicações. Não é uma ciência que tenha que valer para todos da mesma forma. Ela dá o seu recado e o efeito varia de acordo com a carapuça.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Palmas para Gal Gosta, uma artista que arrisca



Além de uma belíssima voz, Gal é uma cantora que não tem medo do novo. Canta de Ismael Silva (Antonico) ao mais desconhecido compositor. É a melhor intérprete de Caetano Veloso que conheço. Este é outro que não tem medo de inovar, por isto esteve sempre à frente de seu tempo. Ao contrário de Maria Bethania, que escolhe o sucesso para cantar, Gal “se joga”, como se diz na gíria. Confia em si. Não teve receios de gravar o CD  “Recanto”, de estética agressiva, onde Caetano a introduz na música eletrônica.  Fazer sucesso ou não é apenas um detalhe para quem acredita no que faz. Talvez, por ser corajosa ou generosa, ela leva para um show ao vivo música de artista que ainda nem despontou como compositor, como foi o caso do  show “Hoje” em 2006 no Citibank Hall, em S. Paulo. O show é focado no CD homônimo repleto de canções inéditas e compositores jovens, que se mistura a composições como a canção  “As Time Goes By" . Gal é assim, põe no mesmo patamar quem e o que acredita ser bom, seja clássico ou seja novo. Lembro o quanto foi criticada em 1994, quando ousou cantando no show “Brasil Mostra Tua Cara”, mostrando os seios ao vivo no palco. Apesar de ser uma cantora talentosa não cultua o estrelismo nem vive criando factóides para aparecer na mídia, visando agradar alas de diversos setores ou grupos. Ou seja, uma artista segura do que vai fazer.



Pensamento Poético de Rabindranath Tagore.

 Rabindranath Tagore, poeta indiano, Nobel de Literatura:  “Se você chorar porque o sol se foi, as lágrimas não vão deixar você ver as estre...