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sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Lembranças de um Baile de 15 anos - Mini Conto


Lembranças de um Baile de 15 anos.
Mini Conto

Darcy Brito


Deinha, recostada na rede da varanda, rememorava um tempo muito gostoso da sua juventude:
Era década de 50. Anete, sua prima, havia se arrumado como uma princesa no dia dos seus quinze anos e nada iria tirar a sua alegria. Seu vestido branco de organza bordada e saia volante era de dar inveja às amiguinhas do seu bairro. Ela se aprontara mais cedo para buscar a tiara emprestada na casa de Deinha, aproveitando para irem juntas à festa. O baile seria no grande salão do casarão do velho professor Isidoro, que ensaiava as valsas com as meninas e meninos do bairro, nas suas aulas de teatro e dança.
A rua onde morava ainda não tinha asfalto e quando chovia formava umas poças d’água enlameadas. Uma rua muito comprida, contornando a igreja e retornando ao mesmo ponto inicial. Apesar da advertência de sua mãe para ter cuidado com a lama, Arlete não pode escapar da “tragédia” que lhe aguardava. Ao passar por uns garotos, que ela costumava esnobar, viu de repente seu lindo vestido todo lambuzado. 
- Moleques despeitados – gritava Anete, chorando na casa da prima Deinha – Eles atiraram uma pedra grande na poça de lama bem na hora que eu ia passando!
- Oh, Deus! Lamentava a prima. E agora?
- Temos que dar um jeito, - dizia enxugando as lágrimas. Vamos lavar antes que minha mãe veja. Organza é fácil de secar no ferro de engomar.
- Mas não tem brasa para esquentar o ferro – falava a prima, aflita, olhando para a preta , que torcia a boca dizendo: - Nem mi ói. Essa lama só sai no môio
- Vou chamar minha avó, Anete. Ela sempre dá um jeitinho.
- Vem cá minha filha – disse a avó preocupada. Abra a roda do vestido aqui em cima da mesa que eu vou passar um pano limpo e molhado. Ainda bem que foi só a saia, mas não garanto nada.
- Se eu soubesse que isso iria acontecer não teria vindo, mas não ouvi minha mãe!
- Fique calma prima, vou ao sótão buscar a tiara para lhe emprestar, você vai ficar linda – disse Deinha.
- Nossa, minha filha, foi pior a emenda que o soneto. Ficou amarelo – disse a avó aflita.
- Amarelo e molhado, vou vestir o outro que minha madrinha me deu de presente. É bonito, apesar de vermelho, e eu queria branco. - Vou com você prima e xingo aqueles moleques. Eles estão com raiva porque não foram convidados. Pixotes metidos a homens.
- Mas, tenha cuidado, Deinha, eles podem sujar seu vestido e você não tem outro – disse a avó.
A festa da prima debutante teve até orquestra improvisada pelo professor Isidoro. Todas as moças com seus pares. Menos Deinha. É que, ao tomar as dores da prima ela xingou os meninos da poça, de ”moleques despeitados”, sem reparar que no meio estava o seu par na valsa, o qual muito escabreado, e com raiva, decidiu que não iria ao baile. 
Enquanto as meninas ajeitavam as anáguas para que ficassem bem arrumadas, Deinha, sem entender a ausência, olhava pela janela, e nada do seu par. Nesse momento, um rapaz de outro bairro, estava tentando penetrar na festa e pulou o muro. Ela o viu, mas, não o denunciou; em vez disso se dirigiu a ele fingindo conhecê-lo para que o tio não criasse problema e, muito afetada, o convidou para a valsa. Muitas fotos foram tiradas, inclusive a de Deinha com o penetra.
O que o destino reservou para Deinha contarei a diante.
Durante muito tempo aquelas poças de lama compôs o cenário da Rua do Amparo. Quando secas, a poeira fazia um redemoinho causado pelo vento. O pai de Deinha, que gostava de usar terno branco de linho vivia reclamando da sujeira que acumulava na bainha de suas calças. A situação melhorou um pouco quando surgiu a Marinete, uma condução parecida com um lotação. Havia o bonde, mas este só viajava até o largo, antes da baixada, onde moravam as primas. O aparecimento da marinete foi uma festa. A garotada saía atrás correndo tentando alcançá-la e pongando no pára-choque traseiro. O asfalto só chegou algum tempo depois.
Moravam nessa rua pessoas das mais diferentes classes sociais. Do engenheiro ao pedreiro, do advogado ao escrivão; médico, professor, sapateiro, costureira, alfaiate, padeiro, comerciantes, guarda de polícia, cartomantes, espíritas. Destacava-se ali uma personagem que marcou época na rua, uma negona alegre conhecida como Fiúta. Ninguém nunca soube se era esse o seu verdadeiro nome, mas todos a conheciam porque era ela quem dava as notícias mais frescas num tempo sem televisão. Muito risonha, apesar de lhe faltarem dois dentes na parte superior da arcada dentária.  O vestido mais curto na frente, devido à barriga, lhe dava um aspecto de eternamente grávida.
Foi Fiúta quem espalhou uma notícia que deixou Anete muito aborrecida. Sem nenhuma certeza, falou para os quatro cantos que a menina ia casar “a pulso”, ou seja, o namorado a tirou de casa, ou, fez mal à pobrezinha, desonrou-a. Eram os termos usados na época para definir uma moça que não era mais virgem. Chegou até ao absurdo de falar que a mãe a encontrou numa poça de sangue. Se fora verdade ou mentira não deu para saber, mas o fato é que Anete casou-se de uma hora para outra com apenas dezessete anos. As amigas se esquivavam de sua companhia por ordem das mães que a achavam uma má influência. O mais incrível é que foi justamente o penetra da festa de seus quinze anos o responsável ou irresponsável pelo episódio nupcial. Após dançar a valsa com a prima Deinha, ele foi convidado, pelo pai da aniversariante, a dançar com dona da festa. O penetra tinha uma cara de bom moço, sabia disfarçar e seduzir as mocinhas casadoiras. Deinha estava arreada aos “quatro pneus” por ele, segundo ela havia confessado para a prima Anete. Esta por sua vez, para não decepcionar a prima, escondeu sua paixão pelo penetra. É ai que começa o triângulo amoroso, onde a base não era nada sólida. Ele namorava as duas ao mesmo tempo sem que a sonhadora Deinha percebesse. Anete, mais arisca, o levou para a sua casa a fim de mostrar-lhe o novo LP do argentino Gregório Barrios cantando boleros, numa tarde em que sua mãe foi comprar tecidos nas lojas Duas Américas, na Rua Chile. Esse detalhe foi relatado também por Fiúta, que costumava engomar e passar roupa para a mãe de Anete. Deinha era um ano mais nova que a prima Anete e estudava em turno oposto da outra, o que facilitava a infidelidade do penetra que ia buscar uma ao meio dia e a outra às cinco e trinta. Ele estudava eletro-mecânica, na escola de segundo grau, no bairro de Nazaré, onde os rapazes eram tidos como inteligentes e também ousados, porque mexiam com todas as meninas que passavam na porta da escola. 
Quando a notícia correu de boca em boca, Deinha foi a última a saber e tentou cortar os pulsos na frente do namorado que a impediu do ato e jurou ter sido fofoca, mas Deinha nem quis apurar nada,  terminou o namoro e não foi ao casamento da prima Anete.
Depois de alguns anos, revendo as fotos de seus quinze anos, Anete teve vontade de rever a prima, que já estava casada com um ex -colega do penetra. As duas se encontraram sem ressentimentos, mas aí aconteceu o inesperado, ou, quem sabe, o esperado. A paixão antiga, que é como navio submerso, provocou borbulhas que escaparam até à superfície. Como disfarce, o penetra tentou relembrar o dia do baile em que ele pulou o muro cheio de medo que houvesse cachorro solto. Ali também Fiúta teve participação. Segundo ele mesmo contou, Fiúta, que ele descrevia como uma negona simpática e estava em todas as festas ajudando em alguma coisa, ficou olhando para que ninguém notasse e deu o sinal positivo para que ele pulasse o muro. 
Voltando às borbulhas de amor, que na época não pertencia ao cantor Raimundo Fagner, houve arrepios por todos os sentidos dos ex-apaixonados. Daí em diante ninguém segurava os dois. Segundo as más línguas, Deinha havia segredado a uma amiga que iria revidar, mas essa fofoca tinha aroma de Fiúta. Contam que os dois se encontravam nas matinês do Cine Guarany no meio da semana. A verdade é que o penetra estava sempre visitando o ex-colega com ou sem Anete. Elas já não moravam tão próximas como na rua do Amparo. Deinha estava em Brotas e Anete no Campo da Pólvora, numa época em que não havia engarrafamentos de carros e era comum a visitação aos amigos.
As mães das duas continuavam morando no mesmo lugar e as primas se encontravam nos aniversários, das tias e dos pais, que eram sempre festejados com muita alegria. Um dia, Anete observando os dois, Deinha, e o marido penetra, escolhendo um LP para colocar na radiola, percebeu um certo clima, quando a música começou a tocar, era o mesmo cantor dos tempos de namoro, Gregório Barrios cantando El dia que me Quieras. Gato do que usa cuida, pensou ela, que não era nada boba. 
- Gostei da escolha, disse Anete segurando o marido pelo braço.
- A radiola estava apresentando um defeito, não repetia o disco quando acionada, então, eu chamei o técnico e ele pilheriou perguntando para que repetir um disco tão grande - falou Deinha meio sem graça.
- Boa pergunta- falou Anete.
- É que não tenho, ainda, muitos discos, a radiola é nova.
- E muito bonita- falou desconfiado o marido de Anete - a combinação das cores marfim com vinho, na portinha, me agrada muito.
- E o que mais lhe agrada querido? Perguntou Anete olhando para a prima.
- Veremos depois do jantar, completou Deinha puxando os dois para a mesa que já estava servida.
Essas lembranças, que Deinha tinha do tempo em que morou na Rua do Amparo, eram freqüentes, gostava também de relembrar passagens engraçadas que acontecia no seu antigo bairro.
Numa ocasião, sem querer, Deinha deixou escapar o apelido de um morador que era conhecido como o “Feião, sem que o próprio soubesse da alcunha. Feião prestava pequenos serviços e costumava encerar o chão com Cera Parquetina vermelha e passar escovão no assoalho da casa da mãe dela. Ao cumprimentá-lo, na passagem, ela o saudou com um “Olá Feião”! 
- Olá, menina, você me acha feio? Perguntou ajeitando o cabelo.
- Não, por quê? Falou Deinha sem jeito.
- Você disse feião.
- Eu? Tentou consertar e disse: falei filhão.
- Mas eu tenho idade de ser seu pai, menina.
Na verdade a casa de Feião era conhecida como a casa dos feiões, por serem eles muito feios, de tez áspera e avermelhada, queixo proeminente e cabelo ralo e crespo. As mulheres tinham busto bem grande e nádegas batida como tábua, chulada como diziam. Mas apelidos como esses surgiam não se sabe de onde. Tinha também o Orelhinha, com a orelha costurada, dizem que de nascença. Esse sabia do apelido e até se identificava como tal, quando mandava cobrar algo: “Diga que foi Orelhinha quem mandou por conta do serviço”. Outro curioso era o Bocade Caçapa, baixinho, boca grande com um papo abaixo do queixo, esmurrava quem o chamasse pelo apelido, por isso estava sempre brigando e fazendo queixas aos pais dos meninos provocadores. Um dia, dois marmanjões tentaram botar uma bola de bilhar na boca do coitado e fizeram uma aposta: se a bola coubesse, ele, o Boca, ganharia dez mil cruzeiros, hoje não se sabe o valor desse dinheiro corrigido em reais. Claro que a bola não coube na boca coitado
Muito querido era o Cotó. Com seu bracinho cotó ele participava das quermesses de igrejas, queima de Judas, quebra-pote, mordida da maçã amanteigada, e sempre ganhando as competições. 
Bem, mas Deinha nunca esquecera o penetra. No episódio da radiola, depois do jantar, Anete puxou o assunto do baile e o vestido sujo de lama. O penetra por sua vez falou do medo que teve ao pular o muro enquanto Fiúta, que Deus a tenha, olhava ao redor. “Que bom que Deinha me viu e fez de conta que me conhecia”, falou desconfiado olhando para Anete que sempre teve ciúmes da prima. 
O cenário da Rua do Amparo e o cheiro do betume, do primeiro asfalto, sempre levam Deinha a devaneios. Quando ela pisou pela primeira vez no asfalto, ainda meio mole, teve o solado de seu sapatinho de verniz, que na época dizia-se de “oleado”, preso no chão. O sapato ficou perdido, não na lembrança, que costuma habitar seus sonhos sempre que ela quer refugiar-se em algum lugar do passado. 
Todas essas lembranças aqui contadas vieram à tona porque Deinha tinha lido no obituário do jornal a morte do Penetra.





segunda-feira, 26 de agosto de 2019

O Menino Que Não Abraçava


O MENINO QUE NÃO ABRAÇAVA e o Robô Toninho
Mini Conto de Darcy Brito
 
Alguns dias se passaram antes que Ênio tomasse coragem para seguir em frente com seu projeto. O que tinha acontecido com ele o deixou tão abalado que até mesmo o seu mais ambicioso sonho ficou como se congelado em frio máximo. Mas, agora, não dava para adiar. Aqueceu a vontade, respirando fundo, oxigenando e expirando seu gás maléfico, correu alguns quilômetros, suou, e mergulhou no mar, deixando que a água levasse o sal da sua tristeza. Tinha que impulsionar o seu projeto.

Ao chegar ao seu ambiente de trabalho duvidou da sua capacidade: eu fiz tudo isso mesmo? Questionou-se. Não me lembro desse detalhe. Teve receio de estar ficando mentalmente perturbado. Diante dele estava um objeto estranho e ficou sem saber por onde recomeçar. Sentiu-se um intruso, se apoderando de algo alheio. Do lado de fora de sua oficina, ou laboratório, como costumava chamar, o sol brilhava e energizava sua janela no terceiro andar de um prédio antigo, clareando todo o ambiente. Os automóveis buzinando e congestionando a rua, indiferente à situação lá de dentro, atraiu a atenção de Ênio, que por algum momento achou que estava em outro lugar. Baixou a persiana e ligou o ar condicionado. Tornou a olhar pelo cantinho da vidraça e reconheceu uma loja de peças em frente. Sentiu-se de novo  em seu ambiente. Voltou-se para sua obra, quase pronta só faltando poucos detalhes, e outra vez não lembrava de ter adiantado tanto.
Não saía de sua cabeça a recente morte daquele amiguinho de infância, hoje, adulto, que vivia lhe pedindo um abraço que ele nunca o deu. Na época não sabia o porquê da negação do abraço e muito menos da insistência do amigo, que sofria com isso. Na  verdade Enio não abraçava e nem gosta de ser abraçado. Foi diagnosticado com Síndrome de Asperger, um tipo brando de autismo, quando criança, cujos sintomas desapareceram na fase de adolescente para adulta. Com o tempo os dois deixaram de se ver, mas ele nunca esqueceu o amiguinho de infância. A notícia da morte do amigo veio através de um ex-colega mais ligado ao falecido.

Bem, tudo que queria agora era terminar seu projeto. Afinal foram anos de dedicação para chegar onde chegou. Fez curso de robótica no Japão com pós-graduação e doutorado e pós doutorado. Este robô teria que ser o mais incrível de todos que já havia projetado. Com aparência humana, voz semelhante e movimento dos braços que lembrasse leveza. Os comandos deveriam obedecer ao que ele já havia programado. Mas ainda faltava o rosto. Que rosto daria? Testou os comandos, tudo em ordem. De repente ouviu o Robô pedir um abraço, movimentando os braços para frente. Gelou com o susto. Não, não dei essa ordem. Desligou tudo, e percebeu que os braços do robô ficaram na posição do pedido. “Me dê uma abraço”! Teria ele dado esse comando ao robô? Acho que é impressão minha. Fechou a oficina,voltou para casa onde morava só, e pois-se a lembrar: “Você tem coração? O homem de lata, da estória do Mágico de Oz, tem”- e quando pedia o abraço perguntava: para quê servem os braços senão para o abraço? E declamava o poema “Braços que não abraçam não são braços, são traços.  Foi então que resolveu bisbilhotar seus álbuns de fotos e lá estava seu amiguinho, na foto da turma, bem na frente, sorrindo. Lembrou-se que seu robô ainda não tinha rosto. Como seria o rosto do amiguinho, agora adulto, que não via desde a adolescência? E pensou: Com certeza eu estava pensando nele quando ouvi o robô pedir o abraço, que veio com o comando dos braços. Seria uma grande homenagem por o rosto do amiguinho no robô – continuou pensando. Mas isso deveria ser feito por alguém que soubesse esculpir um rosto muito parecido com o real. E eu não tenho esse dom.
Ênio voltou ao seu trabalho para testar todos os comandos. Este Robô deveria fazer parte de um projeto industrial que ele estava concorrendo. A função deveria ser bastante abrangente, pois iria substituir um número considerável de profissionais. Coisa desta era em que vivemos, a chamada Quarta Revolução. E este Robô humanóide deveria ter um rosto.

Toda a história vivida por Enio estava no seu subconsciente. Pesava o fato de o amigo ter morrido sem que ele tenha dado um abraço. Voltou para seu projeto e imaginou um rosto de criança, o rosto do coleguinha, e decidiu que iria tocar em frente. Retirou a foto  do grupo que estava guardada no seu porta retrato, circulou em volta do rostinho do colega com um marcador de texto, iria em busca de um profissional que lida com reprodução em 3D.

O humanóide deveria obedecer a certos comandos de movimento físico com alguns graus de liberdade, tipo levantar o braço, virar o pescoço, emitir voz, etc. e ainda um software de reconhecimento facial. Faltava um rosto. Enio foi em busca desse rosto de criança, aquela criança da sua infância, o amigo.
Enquanto pesquisava alguém que pudesse atender aos seus anseios, o de esculpir com perfeição o rosto do amigo que teve seu abraço negado por toda uma vida, tentou recordar os tempos  de escola.

O amiguinho de Ênio chamava-se Antonino, mas era conhecido pelo apelido de Toninho. Negro e gordinho estava sempre contando histórias que lia nos livrinhos e revistas. Antes de começar a contar as historinhas avisava que queria um abraço como pagamento. Todos atendiam a essa exigência menos Ênio que saía de perto. Mas Toninho dizia que ele podia ficar junto aos outros sentadinhos no horário combinado, às vezes no recreio, outras antes de começar as aulas.
A idade deles variava entre 9 e 10 anos. Ênio tinha 10, mas era o maiorzinho de todos, com pele clara, cabelos e olhos acastanhados. Essa Escola tinha um diferencial, não fazia discriminação. Ricos, pobres ou com alguma deficiência que pudesse ser administrada eram bem recebidos.

Após refletir bem a respeito do seu humanóide, e a quem iria encomendar o rosto do amiguinho, lembrou que o coleguinha era negro. Então o seu robô tinha que ser negro, pensou.
Não só o rosto, mas também o corpo que iria representar toda a sua aparência externa. Pesquisou as diversas funções que os robôs estavam desempenhando no mundo e não viu  nenhum que se adaptasse ao seu. Na verdade nenhum tinha aparência negra, fosse qual fosse a função. Ênio ainda não sabia exatamente que função lhe daria ou qual interessaria mais aos seus julgadores. Sendo assim resolveu que iria dar uma função que mais traduzisse seu coleguinha. Procurou saber do amigo, que lhe dera a noticia do falecimento, e ficou sabendo que ele era enfermeiro de um hospital beneficente infantil, sendo que seu trabalho, além dos cuidados com a saúde física das crianças, era o de contar histórias para aqueles que tinham doenças mais graves como câncer, hepatite e outras que exigissem uma internação maior.

Resolveu que iria dar ao seu robô a função de enfermeiro e contador de histórias. Pronto. Que melhor função poderia ser mais fiel ao seu coleguinha?
Saiu em busca do profissional que iria esculpir o rosto do amiguinho.

Sim, mas seu robô seria um garoto? Ou ele iria em busca de uma foto de seu amigo já adulto?
Alguns dias se passaram desde a hora em que soube da morte do amigo, vitimado por um infarto fulminante. Na dúvida se iria ou não construir um robô adulto, que ele não teve nenhuma aproximação, resolveu que iria dar a seu invento um formato de criança negra, com vários comandos, inclusive falas que iriam contar diversas historinhas infantis às crianças em hospitais ou outros estabelecimentos. Mas, as regras impostas no concurso exigiam altura e expressão de rosto de um adulto normal e não falava em formato do corpo nem em cor. O que fazer? Pensou. Rosto de adulto em corpo com formato de criança lembra um anão, coisa que Toninho não era. Até poderia procurar uma foto de seu amiguinho já adulto, mas não era esse o sentimento que queria demonstrar. Então arriscou ignorar as regras.

Todo o esqueleto já estava pronto e alguns comandos também. Faltava a voz que deveria ser, também, de uma criança. Na Agência onde trabalhava ele fazia pesquisas para aprimorar os comandos de voz. No caso do Robô Toninho ele pretendia que tivesse ao menos comandos que contasse algumas historinhas arquivadas e dessem respostas às perguntas das crianças e andasse.
O robô humanóide muitas vezes pode não ter braços e pernas, mas tem que ter um rosto que aproxime emocionalmente “olho no olho”. Toninho teria que ter tudo, inclusive seu rosto de criança. Restava saber se seu projeto seria aceito. Antes de continuar procurou saber da empresa contratante a possibilidade de seu projeto ser aceito. Ficou sabendo que o rosto não poderia ter uma identidade porque isto implicaria em pedir autorização à família do amigo falecido. Foi sugerido a ele criar um formato de um boneco que poderia ser negro e com o tamanho de um adolescente. Ênio perguntou se no caso de autorização da família ele teria aprovado seu projeto. Mas não recebeu uma resposta imediata, o coordenador do projeto argumentou haver uma possível reação emocional vinda da família dos envolvidos, e citou o exemplo dos transplantes de coração no qual  é vedado a identidade de ambos, de acordo com a ética médica. Mas o nome, Toninho, seria aprovado.

Independente de ser aceito ou não Ênio continuou com seu projeto. Para sua alegria seu projeto foi aceito, inclusive copiado por outro países.   
Toninho Humanóide hoje vive de alegrar crianças hospitalizadas que necessitam de incentivos para viver.

E assim Toninho ressuscitou.
                                     
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Bem, a história não acabou. Você pode criar um episódio onde o personagem Toninho alegrou uma criança. A imaginação agora é sua.




domingo, 16 de junho de 2019

Noite de Cultura

Noite de Cultura

Evento na Fundação João Fernandes da Cunha, em Salvador,  onde foi lançado o livro " Letras Pretas Cruas e Nuas",de autoria do escritor e jornalista Roberto Leal, presidente da União Baiana de Escritores -UBESC, e da Revista OMNIRA, homenageando o escritor Germano Machado falecido recentemente. Nesta revista está  incluída oito poesias e um conto de minha autoria,  além de vários poemas e contos de outros escritores.

terça-feira, 28 de maio de 2019

Síndrome do Estrangeirismo


  1. Brasileiros que por algum motivo foram morar em países estrangeiros, geralmente mais desenvolvidos, voluntariamente ou por necessidade de sobrevivência, a depender do tempo que permanecem, acabam por sentirem-se estrangeiros em seu próprio país ao voltarem para o Brasil. É a síndrome do estrangeirismo. Estrangeirismo consiste na valorização do que é de fora e menosprezo pelo nacional, muito comum nos brasileiros. Li um relato de um brasileiro que morou por cinco anos nos Estados Unidos, fazendo pós graduação e doutorado, que ao retornar ao Brasil teve muita dificuldade de readaptação comparando com a vida que levava lá, apesar de reconhecer que nunca se sentiu em casa nos Estados Unidos, onde , segundo ele, expatriado ou imigrante não tem nenhum privilégio. Uma vez estrangeiro sempre estrangeiro, principalmente no que se refere à latino-americano. Choque cultural é um sentimento perfeitamente compreensível,  embora alguns exagerem na síndrome. Lembro-me de quando ensinava no Colégio Central, uma professora que estava voltando de um curso em Londres, ridicularizava os trabalhos nas reuniões pedagógicas apontando erros e supervalorizando os programas comumente aplicados "lá em Londres". Coloquei "aspas" porque esse foi o apelido que ela ganhou, já que toda vez que discordava citava os exemplos de "lá em Londres" é diferente. E a vontade de voltar pra "lá em Londres" era recorrente. 
De acordo com estudiosos no assunto, esse sentimento de inferioridade, ou ausência de autenticidade de muitos brasileiros, talvez se deva à influência portuguesa dominante na época da colonização, seguida posteriormente pela influência europeia, britânica e francesa, e, mais recente, a estadunidense pós segunda guerra mundial,  dificultando o  brasileiro de "ser", de  assumir-se como tal, precisando de um ponto de referência em países mais desenvolvidos, o que o impede de possuir um certo orgulho de ser Brasileiro ao comparar-se com os outros. O termo complexo de vira-lata usado pelo escritor Nelson Rodrigues, embora grosseiro, talvez traduza esse sentimento. Não gosto de generalizar e sei que muitos não se enquadram nele, felizmente. Mas é comum ver brasileiros supervalorizando outros países, muitas vezes sem nenhum sentido, não levando em conta até mesmo a dimensão dos países, o tamanho da população e sua historicidade.
É muito bom abrir os horizontes , vivenciar outras culturas, adquirir novos conhecimentos, especializar-se em determinadas áreas, etc.. O ruim é quando a expatriação é feita não por escolha voluntária, mas por carência financeira, em que o indivíduo sem nenhuma especialização terá que submeter-se  a condições de sub-empregos. Estes geralmente voltam após algum tempo, muitas vezes por sentirem-se discriminados ou por não se adaptarem ao regime estrangeiro. Sim, porque não é fácil enfrentar a dureza num país culturalmente estranho.  Neste clima atual do Brasil, em que a situação econômica financeira ou insatisfação política está tumultuada, é comum ouvir um brasileiro dizer que vai morar fora, alguns cheios de planos  para montar um negócio abandonando até sua profissão local. Sonhar é bom, melhor ainda é refletir antes de tomar uma decisão, levando em conta que o Brasil é um país em desenvolvimento, culturalmente diferente dos demais, de dimensão quase continental, não podendo ser comparado a países bem mais desenvolvidos ou historicamente mais antigo que o nosso. "Bom mesmo é poder se sentir em casa" , disse o brasileiro citado neste texto ao retornar dos Estados Unidos.

quinta-feira, 2 de maio de 2019

Vamos proteger o Plâncton.


Meio ambiente

Vamos proteger o Plâncton.
Foto reprodução Google
Ao contrário do que se diz, a maior parte do Oxigênio da Terra não vem das florestas  e sim das algas marinhas e de água doce, que produzem 55% do oxigênio do planeta. As florestas são importantes, mas grande parte do oxigênio que ela produz é consumida  pelas próprias  árvores e animais que lá habitam.  Portanto, se 70% do planeta é coberto  por água, onde vivem as algas microscópicas, o plâncton, o ser humano tem que se preocupar em proteger  esses vegetais aquáticos. A fotossíntese é o processo de respiração da planta que transforma gás carbônico em oxigênio e oxigênio em gás carbônico, dependendo da hora do dia.
Cientistas descobriram um mundo de biodiversidade no plâncton, o conjunto de diminutas plantas, algas, vírus, bactérias e peixes embrionários, que são o alimento favorito das baleias e também um dos maiores provedores de oxigênio do planeta.
Sabia-se que o plâncton era fundamental para o meio ambiente, agora, os cientistas descobriram que esse organismo é muito mais complexo do que tinham imaginado..De acordo com estudos  plânctons dos mares pode absorver o dobro do CO² previsto.
Amostras dos testes de contaminação plástica mostraram que o Oceano Antártico, que no passado já foi livre de poluição humana, tem agora milhares de fragmentos plásticos por quilômetro quadrado. As toxinas liberadas do plástico e os derivados do material que entram na cadeia alimentar por meio dos peixes, pássaros e mamíferos, podem causar sérios danos ao ecossistema.


domingo, 14 de abril de 2019

PROTEÇÃO QUÂNTICA CONTRA VIBRAÇÕES NEGATIVAS - Osny Ramos

Quem sou

Consultar novo site
Breve Currículo:
•       Graduação em Engenharia Mecânica
•       Bacharel em Filosofia
•       Pós-graduação com especialização em Filosofia da Ciência
•       Mestrado em Antropologia Filosófica
•       É professor de Filosofia e Física Quântica no Instituto de Parapsicologia e Ciências Mentais de Joinville
•       Há 20 anos estuda  e pesquisa a  influência dos fótons  sobre o psiquismo humano em Psicodinâmica das Cores
•       Há 8 anos estuda  a  ocorrência de processos quânticos na vida do homem.
•       Como engenheiro trabalhou em  empresas privadas, estatais e multinacionais.
•       Trabalhou como consultor de empresa em Qualidade Total.
•       Ministra cursos e palestras  sobre Física Quântica e Psicodinâmica das Cores em empresas, universidades e instituições cientificas.
•       É autor de três livros:  Tratado de Ontologia das Cores  – As Cores nos Ambientes – A Física Quântica em Nossa Vida

quinta-feira, 4 de abril de 2019

O Brasileiro é destruidor de heróis


A frase que intitula esta postagem foi dita por um membro do Comitê do Prêmio Nobel, em Estocolmo, respondendo à seguinte pergunta feita pelo Fundador e ex presidente da Embraer, o brasileiro Engenheiro Ozires Silva:
- Por quê o brasileiro nunca ganhou um prêmio Nobel?
Demorando um pouco para responder e olhando nos olhos do nosso interlocutor, ele disse:
- "É porque os brasileiros são destruidores de heróis. Sempre que surge uma indicação, aparecem, em seguida, os jogadores de pedras".

Aproveitei a lembrança desta entrevista que assisti, dada pelo Dr. Ozires no ano passado, no Programa Roda Viva da TV Cultura, quando foi citado algumas áreas pioneiras no Brasil, inclusive de Santos Dumont na aviação, para comentar a respeito do comportamento de muitos brasileiros, não generalizo porque temos pessoas sérias também. Realmente ele tem razão. Hoje, vendo uma postagem no Facebook, onde Michele Bolsonaro, esposa do nosso presidente, aparece às lágrimas num encontro com um jovem portador de uma doença rara, num trabalho que desenvolve frente às causas sociais, e, nos comentários, uma pessoa chama a atenção, preocupada com uma possível reação negativa daqueles que se opõem ao governo, talvez achando oportunismo, mesmo sabendo que ela faz esse tipo de trabalho humanitário antes mesmo de ser a primeira dama. Já tivemos como indicada ao Nobel da Paz a nossa freira Irmã Dulce, tida como o "anjo bom da Bahia", em 1988 pelo então presidente José Sarney, e lembro das reações contra. Mas a freira Madre Tereza de Calcutá, que fazia um trabalho semelhante foi contemplada.
Há mais de um século brasileiros sonham em ganhar o prêmio. Já foram indicados: Barão do Rio Branco; Afrânio de Melo Franco; Oswaldo Aranha; Raul Fernandes; Marechal Rondon; Josué de Castro; D. Hélder Câmara ( indicado quatro vezes); Chico Xavier; Dom Paulo Evaristo Arns; Helbert de Souza, (o Betinho); Zilda Arns e Irmã Dulce.
Acrescento Maria da Penha. Inspirou a criação da Lei federal nº 11.340/2006, a Lei Maria da Penha, considerada hoje a terceira melhor lei do mundo no combate à violência doméstica. Concorreu em 2017.
Em 2018 tivemos como indicado a Prêmio Nobel da Paz, o brasileiro Luiz Tiago, pelo trabalho que faz frente a empresa Pontinho de Luz, um trabalho social que, segundo consta, está transformando vidas no Brasil e em países da América do Sul e da Europa.
Sabendo que o Prêmio Nobel visa contemplar trabalhos que trazem benefícios à humanidade, acredito que pelo menos um desses brasileiros citados mereceria o prêmio. Sugiro que pesquisem a respeito dos trabalhos que cada um deles desenvolveu ao longo de suas vidas.
Infelizmente, herói no Brasil é o bandido que lhe assalta e mata, enquanto o policial é condenado pelos defensores dos "direitos humanos". Bem, já tivemos até o presidiário e ex presidente, indicado a prêmio Nobel da Paz há pouco tempo, e não é preciso lembrar o nome dele.

Lembranças de um Baile de 15 anos - Mini Conto

Lembranças de um  Baile de 15 anos . Mini Conto Darcy Brito Deinha , recostada na rede da varanda, rememorava um tempo muito ...