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quinta-feira, 31 de maio de 2012

Qual a diferença entre ser "homossexual" e ser "gay"?


Análise resumida do artigo "O Surgimento dos Homossexuais" , escrito por Alexey Dodsworth Magnavita, na Revista Filosofia ciência&vida, de maio de 2012.



Antes de responder a esta pergunta vamos a um pouco de história.

Michel Faucaut (1926-1984) questiona, em suas obras Ditos e Escritos e em A História da Sexualidade, tudo que se falava sobre homossexualidade no século XIX. Ele afirma que o “homossexual”, como categoria, tem data de nascimento: 1870, com o artigo de Carl Westphal (1833-1890), "As Sensações Sexuais Contrárias". Não significando, porém, que homens não fizessem sexo com homens antes de 1870. Havia recriminação contra atos homossexuais. O indivíduo não era rotulado como uma subclasse específica da humanidade. Bastava que ele se redimisse, ou seja, se confessasse a um padre, que prescrevia orações, como prática de “purificação” contra o ato dito “pecaminoso”. O sujeito não era algo, ele tinha feito algo. Embora a Inquisição nos séculos XVI e XVII, tenha levado muita gente, que praticava atos homossexuais, para a fogueira. A partir do século XIX, o discurso vigente falava a respeito de “uma espécie”, “uma categoria”. Nasce então o conceito de “o homossexual”, alguém com uma diferenciação de desejo que incluía toda a inteireza de seu ser.

A partir da década de 1870, descobrir-se desejando o mesmo sexo passou a ter uma implicação diferenciada: O individuo não estava apenas tendo um desejo, mas ele se descobria parte de um subconjunto da humanidade. Ele passou a pertencer a uma classe que havia se tornado alvo de estudo científico. Ele não se dizia de si, de seu desejo, e sim as autoridades.

No começo do século XX a força laboral produtiva e criadora, comprometida com o sistema capitalista em desenvolvimento, cujo centro fundamental era a família burguesa, os homossexuais passaram a constituir uma anomalia num sistema que exigia a procriação. Uma “espécie” ameaçadora para as máquinas. Com a psiquiatrização da homossexualidade no fim do século XIX, surgiu o pensamento equivocado de que tudo no homossexual se resume a sexo.

Para Foucault homossexual e gay não são sinônimos, existe uma diferenciação histórica.

O termo homossexual, como vimos, surge no contexto do final do século XIX, ilustrando uma suposta categoria de indivíduos portadores de uma doença misteriosa. Este conceito teve muita força, e, só no final do século XX a homossexualidade foi tirada do rol de distúrbios listados pelo Catálogo Internacional de Doenças. Até 1960, “homossexual” foi o termo utilizado, cheio de implicações médicas, legais, psicológicas, etc. A partir daí, de 1960 em diante, alguns homens e mulheres passaram a se referir a si mesmos como gays, do inglês alegre. O que não agradou aos ditos normais, que achava que o vocábulo comum tinha sido "seqüestrado" por um “grupo pervertido”.

Então, qual a diferença entre os termos “homossexual” e “gay”?

A diferença reside no fato de que, enquanto categoria, o homossexual era objeto de conhecimento das biociências, e os gays eram um grupo específico que afirmava ostensivamente um posicionamento político. Um grupo que lutava por seus direitos, pela descriminalização, em prol do respeito às diferenças. Ser gay, então, seria questão de orgulho e não de patologia. A partir daí nem todo "homossexual" é "gay", ele é apenas uma pessoa que deseja o próprio sexo e só isso. Mas, ser gay é uma conquista pessoal, é assumir uma postura política. Para Foucault nem todo homossexual é gay e não será enquanto permanecer paralisado em sentimentos de culpa e submisso a um discurso patológico. Segundo ele, ser gay é se aproveitar de sua diferença e batalhar para alterar o estado vigente. Sobre a questão do casamento gay, por exemplo, Foucault reconhece que é uma conquista importante, mas que a luta não deve se limitar à mera reprodução do modelo conjugal heteronormativo. Ele propõe algo mais revolucionário.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Vírus, somos feitos deles?

Ciência

Resumo do artigo " O papel dos vírus na árvore da vidaDa Revista Ciência Hoje, de maio de 2012, escrito por Gustavo Olszanski Acrani e José Luiz Proença Módena.

Vistos como maléficos, os vírus são comumente  associados a doenças que acometem humanos, animais e plantas, causando prejuízo á saúde e à economia. Mas é bom saber que apenas uma pequena fração dos vírus conhecidos causa doenças em seus hospedeiros. Esse é apenas um dos efeitos. Na verdade eles podem interagir de diversos modos com os seres vivos do planeta fazendo deles ferramentas notáveis para a evolução da vida. Os vírus são parasitas intracelulares obrigatórios.Eles estão condenados a depender da maquinaria metabólica de células hospedeiras onde vão se replicar. Sua estrutura, chamada vírion, é um genoma de DNA ou RNA, protegida por uma capa de proteina. São considerados mensagens genéticas ordenando a sua replicação. Por serem capazes de infectar organismos de maneira permanente e muitas vezes imperceptiveis, eles podem transmitir informações genéticas entre diferentes hospedeiros, contribuindo para gerar variabilidade dos seres, já que qualquer uma das formas de vida celular existente pode ser infectada por muitas espécies de vírus. São então agentes da evolução.Vírus com genoma de RNA (os retrovírus) são encontrados em todos os vertebrados. Sendo o mais famoso deles o HIV, que causa a AIDS em humanos. As duas capacidades marcantes dele é a de sintetizar o DNA a partir do seu RNA com ajuda da proteina viral, a transcriptase reversa, e interagir seu material genético (convertido em DNA) ao material genético da célula. A ocorrência dessa interação em células germinativas como óvulos e espermatozoides, permite que a nova informação seja transmitidas de pais e mães para filhos. E assim o vírus passa a constituir parte do genoma do hospedeiro, deixando de ser apenas uma partícula infectante.Esses fragmentos genéticos são chamados de "retrovírus endógenos". Estima-se, por exemplo, que 8,3% do genoma humano sejam formados por esses fragmentos, em consequência de infecções virais ao longo de cerca de 3,5 milhões de anos de evolução.