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domingo, 27 de dezembro de 2015

Como o segundo maior lago da Bolívia desapareceu?


O lago Poopó virou um deserto (Foto: Reuters/David Mercado)
O lago Poopó virou um deserto (Foto: Reuters/David Mercado)
BBC
26/12/2015 15h57 - Atualizado em 26/12/2015 15h57

Como o segundo maior lago da Bolívia desapareceu?

Lago virou praticamente um deserto e 200 espécies migraram ou morreram; mudanças climáticas e má gestão estão entre causas.

Da BBC
tópicos:
"Temos um lago que desapareceu, agora é pampa; um deserto onde não se pode semear nada, nem produzir; não há nada, muito menos vida."
Com essas palavras, o dirigente camponês Valerio Rojas descreveu à agência de notícias Efe a situação do lago Poopó, o segundo maior da Bolívia, atrás do Titicaca.
O lago de água salgada, localizado no departamento de Oruro, que faz fronteira com o Chile, tinha uma extensão de 2.337 quilômetros quadrados.
Mas agora ele foi reduzido a três áreas úmidas, espécies de charcos, de menos de um quilômetro quadrado e apenas 30 centímetros de profundidade.
A catástrofe vinha sendo anunciada há anos e tem um forte impacto ecológico, econômico, social e político.
Ela representa a destruição de todo um ecossistema, a perda de espécies centenárias de fauna e flora, o desaparecimento de culturas pelo êxodo de comunidades que sobreviviam do lago e a falta de ações efetivas para enfrentar a seca.
Um lago de 2.337 km² foi reduzido a poucas áreas úmidas (Foto: Reuters/David Mercado)
Um lago de 2.337 km² foi reduzido a poucas áreas úmidas (Foto: Reuters/David Mercado)

Perdas ambientais e humanas
Segundo especialistas, cerca de 200 espécies de aves, peixes, mamíferos, répteis e uma grande variedade de plantas desapareceram com a seca do Poopó.

O ornitólogo Carlos Capriles disse ao jornal boliviano La Razón que, entre as aves que foram forçadas a abandonar o lugar, havia três espécies de flamencos ameaçados de extinção.
"Com o desaparecimento do Poopó, o habitat (das aves) se reduz e aumenta o risco de extinção", explicou Capriles.
Segundo ambientalistas, cerca de 200 espécies migraram ou morreram (Foto: Reuters/David Mercado)O especialista explicou que o lago era o ponto de descanso de aves migratórias que se deslocavam do norte para o sul. "Falamos de cerca de 200 espécies que pereceram ou foram para outras áreas."
Segundo ambientalistas, cerca de 200 espécies migraram ou morreram (Foto: Reuters/David Mercado)
Outros ativistas ambientais acrescentam que numerosos mamíferos, répteis e anfíbios ficaram sem habitat e alimento com a transformação do lago em praticamente um deserto.
Mas o pior aconteceu com os peixes, segundo Capriles. Eles não puderam migrar, como os outros animais, e morreram no local.
O Ministério do Meio Ambiente e Água confirmou a perda de uma grande quantidade de espécies únicas, ainda que não se saiba a quantidade exata. Eles planejam realizar uma contagem.
O desastre também teve um custo humano. Cerca de 350 famílias, em sua maioria de pescadores do lago, foram afetadas.
Com o deslocamento forçado também desaparece a cultura da comunidade, que sobrevivia do próprio lago Poopó em uma economia de subsistência.
Causas do desastre
A bacia do Poopó foi declarada, em 2002, um ecossistema de importância internacional onde a água é o principal fator que controla o ambiente, assim como a vegetação e a fauna.

Mas então como ele desapareceu?
As razões são complexas e vão desde os efeitos climatológicos e manejo problemático de recursos aquíferos até a atividade humana, a contaminação e a falta de atenção a um desastre que todos já viam que estava prestes a ocorrer.
Peixes foram os mais atingidos (Foto: Reuters/David Mercado)Peixes foram os mais atingidos (Foto: Reuters/David Mercado)
As análises do governo apontam o fenômeno El Niño e o aquecimento global ocasionado pelos países industrializados como culpados.
O vice-ministro de Recursos Hídricos e Irrigação, Carlos Ortuño, cita dados científicos que estabelecem que a temperatura mínima aumentou 2,06º C nos últimos 56 anos, e que o El Niño provocou secas desde outubro.
A falta de água como fruto da ação humana também é apontada como uma das causas.
Os lagos Poopó e Titicaca dependem da entrada de água do rio Desaguadero. Mas um plano diretor da década de 1990 acabou privilegiando o Titicaca, impedindo a passagem de água para a bacia do Poopó.
Além disso, o próprio rio foi afetado pela atividade humana, que o usa para seus cultivos, sistemas industriais e de mineração.
Esta última atividade causa contaminação. Oruro é um departamento mineiro e a extração, há anos, é feita de forma "não responsável", disse o vice-ministro Ortuño.
Mas ele também destacou a má administração de um fundo que foi feito para evitar a seca do lago.
Em 2010, a Bolívia e a União Europeia firmaram um acordo segundo o qual haveria um fundo de cerca de US$ 15 milhões para o programa Cuenca Poopó (Bacia Poopó).
O ex-prefeito de Oruro, Luis Aguilar, em cuja gestão foi assinado o acordo, disse que seu sucessor foi "mal assessorado" no manejo do dinheiro, que foi usado para "projetos sem sentido" e foi "esbanjado" sem conseguir a recuperação do lago, de acordo com o jornal La Razón.
O ex-diretor do Serviço Departamental Agropecuário, Severo Choque, diz que também "não se priorizou de maneira adequada o trabalho específico no lago".
Mau uso da água também contribuiu para desaparecimento do lago (Foto: Reuters/David Mercado)
Mau uso da água também contribuiu para desaparecimento do lago (Foto: Reuters/David Mercado)
Recuperação, um desafio
Vários críticos pediram que seja realizada uma investigação para descobrir os responsáveis pela falta de ação que permitiu o desastre.

"O custo desse desastre deve ser manejado com absoluta rigidez na identificação de seus responsáveis", escreveu o colunista do jornal La Prensa Enrique A. Miranda Gómez.
Ele pediu que fosse colocada em prática uma política sustentável de "reprocessar o curso das água que vêm do Titicaca e investir em ajuda para populações afetadas, dando a elas infraestrutura produtiva, apoio social e sobretudo segurança aos mais jovens".

O vice-ministro de Recursos Hídricos e Irrigação, Carlos Ortuñez, e o governador de Oruro, Víctor Hugo Vásquez, informaram que seriam destinados US$ 3,25 milhões principalmente para ajuda humanitária e trabalho técnico sobre a corrente de água que chega ao Poopó através do rio Desaguadero.
Na terça-feira (22), o governo boliviano e o departamento de Oruro anunciaram um plano para "reconstruir" o lago Poopó.
Também citaram um financiamento internacional para o chamado Plano Diretor da Bacia do Poopó que vai exigir, segundo eles, US$ 130 milhões.
Este, segundo Ortuñez, será o "maior desafio" do governo para conseguir executar o plano que será elaborado por especialistas nacionais e internacionais.
Mas, enquanto isso, o segundo maior lago da Bolívia segue parecendo um deserto.

sábado, 26 de dezembro de 2015

Razão X Emoção e o balanço de fim de ano.


Foto google

É costume as pessoas se excederem nas festas de fim de ano, nas comidas, bebidas e nas emoções. As comidas até que são saudáveis porque são acompanhadas de frutas, nozes, castanhas, e a carne de peru é branca. Mas o problema está no excesso, principalmente das bebidas. Estas podem causar transtornos na saúde e no comportamento, sem falar na blitz do bafômetro que nessa época do ano é mais comum. A menos que se tenha um GPS para fugir dela. E, acompanhando tudo isso, tem as emoções que afloram nessa época, que é quando as pessoas se questionam de tudo que fizeram ou deixaram de fazer durante o ano, cobrando de si e dos outros e querendo compensar  de uma só vez e de diversas maneiras, seja com presentes, palavras, abraços e lágrimas. E aí quem é emotivo e propenso a uma pressão alta ou enfarte, corre riscos. Sabemos que um só dia não é suficiente para mudar toda uma situação construída ao longo da vida,  por isso o melhor conselho é encarar essas datas do nosso calendário comemorativo sem muito fermento, porque melhor que fazer balanço geral é traçar novas metas, seja em relação problemas pessoais, profissionais ou de saúde. Feliz Ano Novo.

domingo, 20 de dezembro de 2015

Uma pequena trégua neste Natal.

foto
Durante esta semana de clima natalino vou me esforçar para postar amenidades. Digo 'esforçar' porque está difícil uma omissão diante de tanta notícia desagradável, desde catástrofe ambiental a catástrofes políticas e governamentais. Quero também aproveitar para dizer que não tenho nenhum prazer em postar críticas a essas criaturas envolvidas nas falcatruas, muito pelo contrário. Lamento profundamente que o Brasil tenha desviado para um caminho lamacento por culpa de seus dirigentes, representantes do povo, empresários e uma boa parcela da sociedade, que colocaram seus interesses acima dos interesses da Nação. Acredito que esta nuvem carregada de chuva ácida vai passar e nossa Nave vai resistir às turbulências. Mesmo porque tudo isto vai servir de exemplo para os futuros ocupantes de cargos públicos, que irão entender sua verdadeira função, que é a de defender os interesses do povo que o elegeu visando uma melhor qualidade de vida. E que esta é que é verdadeira "regra do jogo", e não o "é dando que se recebe" entre corruptor e corrupto. Este último, com certeza, não existiria se não houvesse o corruptor. Digo isto porque sei da pressão que sofrem os empresários para tocarem em frente os seus objetivos, desde uma simples abertura ou ampliação de uma clínica, uma loja, ou à uma construção civil de grande porte, sendo na maioria das vezes obrigados a darem propinas em troca. Aproveito para me solidarizar com o competente brasileiro Juiz Federal Dr. Sérgio Moro, sem o qual a defesa da legalidade democrática não se faria presente.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Somos todos culpados

É de admirar que, com tantos trilhões roubados neste país, o Brasil ainda esteja de pé. Mesmo cambaleando, mesmo de uma perna só. Não fossem esses ladrões que governam a nação; esse Judiciário comprado; a conivência da sociedade e a ignorância do povo brasileiro, poderíamos estar numa situação de primeiro mundo, porque dinheiro não falta. Mas, de acordo com as pesquisas, somos o terceiro país mais ignorante do planeta e, é claro, um dos mais corruptos também.
A Dinamarca está em primeiro lugar como o país menos corrupto do mundo. Isto porque a sociedade dinamarquesa exige total transparência do governo e muita responsabilidade social das empresas que atuam no seu país.
Enquanto não houver no Brasil transparência nas ações do governo e nas empresas que atuam no país, e, principalmente, seriedade no Judiciário, nada irá mudar essa situação.
Há quem diga que tudo isto acontece por resquício de um Brasil Colônia, que o país ainda não teve tempo para amadurecer, etc..  Mas, 500 anos é pouco? Não, é desculpa. O Brasil é um vovô comparando com a Austrália,  que só ficou independente do Reino Unido em 1901, e tem o segundo melhor índice de desenvolvimento (IDH ) do mundo, só perdendo para a Noruega, com baixíssima taxa de violência e criminalidade. É preciso acabar com esse infantilismo do brasileiro que vive deitado em berço esplêndido esperando que a Pátria Babá venha lhe dar mamadeira na boca.

sábado, 12 de dezembro de 2015

Quando não há mais desejo... 12/12/2015 às 07:18 Nicéas Romeo Zanchett


Este é um assunto pouco abordado porém de relevância importante.

A qualidade de vida das pessoas pode ser medida pela atividade sexual. Mas, mesmo assim, são inúmeros as que têm rotina de vida normal e só conhecem ou experimentam as delícias do amor sexual nas telas de TV e cinema.
Teoricamente não é possível alguém não gostar de sexo, pois se trata do maior prazer físico que o ser humano pode experimentar. Entretanto, algumas pessoas passam a vida toda sem sentir o menor desejo sexual.  Muitas, que já tiveram vida sexual ativa, hoje engrossam as fileiras dos "sem sexo". Os obstáculos são muitos, mas a maioria, que tem parceiro fixo e não sente desejo, alega que é falta de prazer durante a relação.
As pesquisas indicam que os que mais admitem problemas são as mulheres jovens e os homens mais velhos. Elas geralmente tem de enfrentar a ansiedade decorrente da pouca experiência. A tensão pode levar dor à relação sexual. Forma-se então um círculo vicioso. O sexo não prazeroso acaba em inapetência. Já os senhores entre 50 e 70 anos vivem uma angustia três vezes maior que os rapazes de 18 a 30 anos, resultante da dificuldade de conseguir e manter uma ereção. 
Os rapazes tem dificuldade pela inexperiência e os senhores pelo medo da impotência. Mesmo depois que surgiram as pílulas milagrosas para ereção, poucos podem usá-las com segurança.
Com o passar dos anos e chegada de doenças típicas da velhice, aliadas a hábitos pouco saudáveis, - uso indiscriminado de medicamentos, tabaco, bebida alcoólica, má alimentação e vida sedentária-, fazem o vigor físico diminuir. A culpa também pode recair no stress, traumas com experiências sexuais mal sucedidas do passado, doenças sexualmente transmissíveis "DST", ejaculação precoce, orgasmos inatingíveis, ansiedade na hora do sexo, etc. Na verdade essas pessoas não rejeitam o ato sexual em si, mas tem problemas e dificuldades de excitação e daí, aos poucos, vão se habituando a uma vida sem sexo e o desejo desaparece.
Por outro lado, o homem ou a mulher que está sozinho, em nossos dias, com  tantas doenças sexuais rondando por aí, sentem medo da contaminação e descartam as oportunidades que encontram.
O sexo bom e prazeroso não acontece quando vem acompanhado de medos. O homem de nosso tempo aprendeu gostar de sexo oral, mas esta modalidade é uma das mais difíceis de ser praticada pelas dificuldades de proteger-se. A camisinha pode proteger o pênis, mas a boca também é uma entrada de bactérias que podem ser perigosas. Portanto é preciso que haja confiança absoluta entre os parceiros para certas praticas sexuais. E aí o sexo vai se tornando cada dia mais escasso até cessar definitivamente.
Para praticar um bom sexo é preciso, acima de tudo ter boa saúde. Quando a circulação sanguínea está dificultada por algum problema de saúde o sangue não circula direito, tanto para irrigar o cérebro como para tornar possível uma ereção.
Nicéas Romeo Zanchett

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

FIBROMIALGIA - saiba o que é


Autor: Dr. Pedro Ming Azevedo

Fibromialgia

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Fibromialgia: o que você precisa saber.
O que é fibromialgia?
Fibromialgia não chega a ser uma doença. Se você fizer uma biopsia das partes que doem, enviar para análise, fazer cultura, olhar no microscópio (…), nada vai surgir. O tecido não está doente. Não há nenhum vírus ou bactéria. E, a boa notícia, ninguém morre disso. No entanto, quem sofre de fibromialgia não tem a  menor dúvida de que alguma coisa está errada.
Que nome dar?
Diz-se “síndrome”, “distúrbio”, “patologia”. Seja lá qual for o nome, existe, e causa imensa morbidade para os acometidos.
Quem tem fibromialgia?
Fibromialgia pode acometer homens e até crianças, mas isso é bastante raro. Mais de 95% das pessoas que sofrem deste mal são mulheres, geralmente com idade superior a 20 anos.
Quais os sintomas de fibromialgia?
Dor no corpo todo. Dor “na carne”, não nas juntas. Dói o dia inteiro, mas a dor é particularmente maior ao acordar (parece que se “levou uma surra” na noite anterior”), sente-se uma discreta melhora ao longo do dia, mas no final da tarde a dor volta com toda sua intensidade. Dorme-se mal nesta síndrome. A cabeça “não para”. Todos os problemas da humanidade passam na cabeça da fibromiálgica, mas em especial os dos parentes próximos. O sono é descrito como “não reparador”, ou seja, a pessoa não descansa. Tem-se a sensação de cansaço e sonolência por todo o dia. Em muitas pessoas as mãos estão inchadas, principalmente pela manhã, algumas vezes formigam, ou ficam dormentes. Para outras, por momentos, a respiração pode ficar difícil, como se houvesse um grande peso sobre o peito. Essa sensação passa sozinha após minutos ou horas mas tende a voltar ao longo do dia. Dores de cabeça são comuns. Causa ou conseqüência, a depressão é muito freqüentemente associada à fibromialgia.
Como ter certeza de que eu tenho fibromialgia?
Não há exame diagnóstico específico. É muito comum a pessoa passar de médico em médico, realizar milhões de exames, de sangue à ressonância magnética, sem encontrar nada de errado. O diagnóstico de fibromialgia é baseado em exames laboratoriais normais, que excluem outras doenças que possam imitar a fibromialgia, e no quadro clínico típico. Os famosos “pontos em gatilho” da fibromialgia (pontos bastante dolorosos à palpação) são indicativos mas com maior valor para trabalhos clínicos do que para o diagnóstico em indivíduos.
O que causa fibromialgia?
Para ir direto ao ponto, o que causa a fibromialgia é o sono ruim. Quem não descansa por um período contínuo e duradouro fica com dores no corpo todo. É o que acontece na fibromialgia e em outras patologias do sono. Em outra doença, a apnéia do sono, por exemplo, o indivíduo não dorme por uma razão bem diferente: se ele aprofunda no sono engasga e sufoca. Mas o resultado é o mesmo: dores no corpo, dores de cabeça, cansaço e sonolência. Uma mãe que não consegue dormir porque o bebê acorda a noite toda também sente dores semelhantes. Mas, na fibromialgia, o que causa o sono ruim? Como já mencionado, a fibromiálgica não dorme porque “a cabeça não desliga”. Porque então “a cabeça não desliga”? Aí entra o próximo tópico.
A personalidade fibromiálgica
Fibromiálgicas carregam o mundo nas costas. Preocupam-se com tudo e com todos. Porque o filho vai mal na escola, porque a filha perdeu o emprego, porque o genro não dá bola para os problemas, porque o marido não se envolve… Trabalha e preocupa-se com e para todos. E freqüentemente aflige-a o fato de que ninguém se preocupa com estes problemas como ela. Bem, se uma pessoa toma conta do mundo sozinha, como é que ela vai conseguir dormir? Quem vai tomar conta do mundo enquanto ela estiver “desligada”? Os problemas são enormes, e após um vem logo outro. E a fibromiálgica passa a vida esperando as coisas melhorarem para ela começar a se cuidar, para começar a ser feliz. Mas as coisas nunca
melhoram o bastante.
Fibromialgia tem cura?
Tem. Mas depende muito mais da paciente do que do médico. Ao médico cabe apenas orientar e passar algumas medicações. As medicações na fibromialgia não são mágicas. Elas se baseiam em relaxantes musculares, que melhoram o sono e “desligam” um pouco a pessoa, e antidepressivos. Alguns antidepressivos também dão sono, outros apenas combatem a depressão associada, e diminuem a ansiedade. Muitas fibromiálgicas ficam dependentes de remédios para dormir e ansiolíticos, que resolvem muito parcialmente os problemas. Os relaxantes musculares e antidepressivos não causam dependência, mas, infelizmente, perdem a eficácia após mais ou menos de 8 a 12 meses. Então os problemas voltam, e os remédios não mais funcionam.
É verdade que esportes têm papel importante na fibromialgia?
Sim. Esporte age de diversas maneiras. Em primeiro lugar melhora a forma física, a auto-estima e o organismo como um todo. Em segundo, libera uma série de hormônios e mediadores que aliviam a dor e o cansaço. Em terceiro, pode melhorar a qualidade do sono. Por fim, o esporte é um momento onde a fibromiálgica deixa o mundo de lado para cuidar de si mesmo. Isso apenas já é grande avanço! Qual esporte fazer? Tenha em mente duas coisas: primeiro, a atividade deve ser para a vida toda! Portanto não faça algo que não goste, ou que não vai agüentar muito tempo. Se academia te entedia, mas dança te dá prazer, dance! Se cansar de um mude para outro. O importante é não ficar parada. Combine esforço aeróbico com alongamento. Musculação não é o mais indicado. Segundo, um corpo
dolorido e contraído dói mais ao exercício. É comum e esperado que as dores piorem no início das atividades físicas. Este é o momento de usar as medicações que seu reumatologista indicar, elas darão algum alívio. Insista. Continue. Faça por gosto e por você.
Como curar fibromialgia?
Geralmente uma crise forte de dor anuncia que a pessoa está realmente num limite e que uma mudança no estilo de vida é urgente. Algo está “demais”, pesado demais mesmo para esta pessoa campeã em agüentar as coisas. Esta crise pode ser uma oportunidade de alavancar uma transformação, e a cura. Entenda esta crise de dor aguda como um grito do
corpo pedindo que a pessoa atenda as exigências maiores de sua essência. Para curar a fibromialgia tem-se que tomar consciência dos mecanismos que causam a doença, e mudá-los. Os remédios são fundamentais, viabilizam uma condição onde a transformação tem chances de acontecer, aliviam por alguns meses. Este tempo é valioso para a pessoa mudar completamente o jeito como leva a vida. “Se trago as mãos distantes do meu peito, é que há distância entre intenção e gesto”, diz Chico Buarque. Da mesma forma, conscientizar-se está ainda a alguma distancia de resolver o problema. Pode não ser fácil mudar os padrões de comportamento de uma vida toda. Por isso psicoterapia é fundamental. Simplesmente deixar de se preocupar com as coisas e pessoas não é possível. Se fosse, deixaria um vazio enorme. A fibromiálgica pode perceber que há anos não vive sua própria vida. Reconstruí-la, retomar objetivos próprios e prazeres pessoais é fundamental. Lidar com a culpa de “deixar as pessoas à própria sorte” também pode ser difícil. A combinação da medicação certa, exercícios físicos, auto-conhecimento e muita vontade é a única fórmula capaz de operar milagres.