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sábado, 31 de agosto de 2013

Vinicius de Moraes - Soneto de Fidelidade e outras belezas -



Vinicius de Moraes

19/10/1913/ - 09/07/1980

Rio de Janeiro - RJ




De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
E assim quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama        
MAS QUE SEJA INFINITO ENQUANTO DURE

domingo, 11 de agosto de 2013

Confissões de um morto




Perdão por eu ter morrido.

Você tinha razão quando dizia que eu adiava a vida, perdendo muitos momentos felizes que poderíamos ter passados juntos. Muitas vezes a deixei esperando, por ter ficado entretido no trabalho, esquecendo um compromisso para irmos ao cinema.
O trabalho sempre foi para mim o mais importante. Tolice. Com que finalidade se trabalha tanto? Sempre achamos que temos o controle sobre as coisas da vida. O que não dá para se fazer hoje, é adiado. E assim, fui deixando para depois o que seria a melhor parte da minha vida.
Quando me lembro da energia perdida nos aborrecimentos em busca do dinheiro, da corrida por um lugar ao sol. Que lugar é esse que nunca chega?
Na verdade, meu lugar era você. E só agora eu vejo o que não enxergava quando tinha os olhos abertos. O problema é que a morte só existe de verdade quando se morre. Quando tudo que deveria ser dito ou feito não se pode mais fazer. Quando nos tornamos invisíveis. Se somarmos os anos de convivência e as vezes que deixamos para depois tudo que poderíamos ter vivido de bom, fica uma grande dívida. Não deixa de ser um consolo saber que depois de morto somos lembrados pelo que fizemos de bom. Mas isso não nos torna menos morto de fato. Só nas lembranças.
Costumamos dizer que a vida não é nada. Engano. A vida é tudo. A morte, essa sim, não é nada. Um nada eterno e irrevogável. A vida pode ser curta, mas, o que podemos tirar dela vale uma eternidade. Será que só através da morte é que enxergamos a vida? A morte é muitas vezes a lente dos vivos.
Você poderia ter sido meus óculos, mas não tive tempo para usá-los devidamente.
O peso que se impõe à vida comprime o espírito, que só é libertado quando a solidez sobre ele se desfaz. Mas essa leveza costuma chegar tarde demais.
Sei que morri, mas, fui pego de surpresa. A morte é sempre surpreendente. Estou tão desolado quanto você. Fui um estúpido, e, se eu não fosse tão egoísta pediria que não sofresse por mim.

                                                                                                                 Darcy N. Brito


terça-feira, 23 de julho de 2013

Fique atento aos Fatores de Risco de Doenças Coronarianas

De acordo com os estudos na área de cardiologia, os fatores de risco para se adquirir uma doença arterial coronariana está dividido em fatores não controláveis e fatores controláveis. Os fatores não controláveis geralmente estão ligados ao envelhecimento. Mas, estudos mostram que a maioria das pessoas tem no mínimo um grande fator de risco que pode ser controlado, e saber lidar com o problema é que faz a diferença que levará a doença a se manifestar ou não. A respeito dos fatores não controláveis, temos o exemplo da idade onde a doença acomete quatro em cada cinco pessoas com mais de 65 anos. No caso do sexo os homens têm maior probabilidade. Mas as mulheres têm mais complicações após um ataque cardíaco e os cientistas ainda não encontraram motivos para esta diferença. Temos ainda: os fatores genéticos - se seu irmão ou pai foi diagnosticado com a doença antes dos 55 anos de idade ou se sua mãe ou irmã foi diagnosticada antes dos 65 anos;  os  fatores étnicos - brancos descendentes de europeu tem menos probabilidade que afro- descendentes, mexico-americanos, indios americanos e havaianos nativos.
Os fatores de riscos controláveis conhecidos são: tabaco, diabetes, níveis de colesterol LDL alto, pressão alta, sobrepeso ou obesidade. Estes fatores podem ser controlados com uma dieta saudável, execício físico e medicamentos controlados. A falta de exercício é tão perigosa quanto o hábito de fumar. O estresse também é um fator de risco que pode aumentar a pressão sanguínea, reduzir o fluxo de sangue no coração, diminuir a capacidade de bombeamento do coração, desencadear ritmos anormais de bombeamento e ativar o sistema de coagulação sanguínea. A raiva constante também é uma inimiga do coração, pois podem aumentar os níveis de triglicérides e colesterol ruim. Há evidências de que a depressão torna as pessoas mais vulneráveis à doença cardíaca, embora os médicos ainda desconheçam os motivos. Vemos, então, que apesar dos riscos que corremos no dia a dia nesses tempos modernos, há muitos meios de evitarmos ou adiarmos uma doença  arterial coronariana grave, para isso é necessário ficarmos atentos aos sintomas, procurar regularmente um especialista a fim de nos orientar. 

domingo, 14 de julho de 2013

O Escritor e a Primeira Pessoa



O difícil de criar um personagem na primeira pessoa é a sensação de autobiografia. Mais difícil ainda é para o leitor, que sempre associa a figura do autor ao do protagonista e, muitas vezes, ao narrador, que o autor usa para descrever o personagem e sua história na primeira ou terceira pessoa. E se o leitor conhece pessoalmente o autor fica difícil, também, abstrair a figura do personagem e separar da do autor do livro. Uma vez ouvi Jô Soares falando, numa entrevista a Chico Buarque, da dificuldade que teve para abstrair, quando leu Estorvo, de autoria de Chico. Neste caso o autor conhecido pelas suas lindas composições musicais. Quando escrevi o meu primeiro livro “Rainha sem Faixa”, escrito na primeira pessoa, senti na pele esse problema. Pessoas que me conheciam me questionavam sobre a personagem, no caso uma mulher, dando a entender que era uma autobiografia.

Um personagem é construído a partir de observações e reflexões do autor, pode até ter algo de autobiográfico, mas não necessariamente ou propositalmente, esteja ele na primeira pessoa ou não. Ele é um mosaico, feito com pedaços de muitos outros, que de repente podem se incorporar ao protagonista da história. Quando um autor começa a escrever, muitas vezes nem sabe no que vai dar o enredo. A história vai se desenrolando, levando o autor às mais diferente situações, e o coloca num desafio para encontrar uma saída coerente, usando as palavras certas que leve o leitor a abstrair e refletir de acordo com a sua própria interpretação ou processo mental. O leitor pode ser um crítico que vê coisas que o próprio autor não viu ou teve intenção de dizer. A arte não requer explicações. Não é uma ciência que tenha que valer para todos da mesma forma. Ela dá o seu recado e o efeito varia de acordo com a carapuça.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Palmas para Gal Gosta, uma artista que arrisca



Além de uma belíssima voz, Gal é uma cantora que não tem medo do novo. Canta de Ismael Silva (Antonico) ao mais desconhecido compositor. É a melhor intérprete de Caetano Veloso que conheço. Este é outro que não tem medo de inovar, por isto esteve sempre à frente de seu tempo. Ao contrário de Maria Bethania, que escolhe o sucesso para cantar, Gal “se joga”, como se diz na gíria. Confia em si. Não teve receios de gravar o CD  “Recanto”, de estética agressiva, onde Caetano a introduz na música eletrônica.  Fazer sucesso ou não é apenas um detalhe para quem acredita no que faz. Talvez, por ser corajosa ou generosa, ela leva para um show ao vivo música de artista que ainda nem despontou como compositor, como foi o caso do  show “Hoje” em 2006 no Citibank Hall, em S. Paulo. O show é focado no CD homônimo repleto de canções inéditas e compositores jovens, que se mistura a composições como a canção  “As Time Goes By" . Gal é assim, põe no mesmo patamar quem e o que acredita ser bom, seja clássico ou seja novo. Lembro o quanto foi criticada em 1994, quando ousou cantando no show “Brasil Mostra Tua Cara”, mostrando os seios ao vivo no palco. Apesar de ser uma cantora talentosa não cultua o estrelismo nem vive criando factóides para aparecer na mídia, visando agradar alas de diversos setores ou grupos. Ou seja, uma artista segura do que vai fazer.



terça-feira, 25 de junho de 2013

Homofobia e a cura Gay


Foi o psicólogo americano, George Weinberg, quem criou a expressão homofobia, em 1972, em sua obra chamada Society and the healthy homossexual, combinando a palavra grega phobos( fobia) com o prefixo homo, forjando o termo homofobia- como referência à palavra homossexual. Na visão da sociedade a homossexualidade foi tida por muito tempo como pecado mortal, perversão sexual, aberração e, mais tarde, como doença, justificando com isto a busca de uma cura. A Ciência tentou comprovar que a homossexualidade era um distúrbio mental, mas falhou na comprovação, levando a Associação Americana de Psiquiatria a retirar esta orientação sexual  da lista de transtorno mental, em 1973. Também a Associação Americana de Psicologia, em 1975, seguiu o mesmo procedimento, orientando os profissionais da área a não adotarem este pensamento para evitar estigmas e preconceitos. Em 1977, a OMS incluiu a homossexualidade na lista da CID (classificação internacional de doenças) como sendo uma doença mental; porém, com a revisão, em 1990, a orientação foi retirada da lista de doenças, no dia 17 de maio. Daí este dia ficar marcado como o Dia Internacional contra a Homofobia. No Brasil, em 1985, antes mesmo da resolução da Organização Mundial de Saúde, o Conselho Federal de Psicologia deixou de considerar a orientação sexual como doença.

Existem muitas pesquisas pouco discutidas e com idéias infundadas. Assim a homofobia fica sendo um fenômeno complexo e alvo de ações incompreensíveis e abomináveis de ridicularização e até de violência contra o homossexual. Os avanços tecnológicos, científicos e morais do século XXI não permitem essas atitudes discriminatórias. É claro que elementos conservadores existem em toda sociedade, a depender da cultura de cada povo. Mas, segundo Foucault, “ temos que saber que existem outras possibilidades e que não há verdades absolutas”.

domingo, 16 de junho de 2013

A respeito da vaia na presidente

Brasília - Copa das Confederações
Ninguém imagine que as mazelas do Brasil irão desaparecer, de uma hora para outra, em função da Copa de 2014. Neste mundo globalizado, internetizado,  onde o número de celular é maior que o da população, fica difícil esconder a sujeira debaixo do tapete, porque até ali  pode ser colocada uma caneta espiã. A democracia não é mais  resultado de uma concessão ou permissão, é uma imposição natural resultante da atual era da informática em que vivemos. Não estamos na década de 70, do Pra Frente Brasil, que se gritava gool, enquanto as torturas se escondiam nos subsolos da ditadura. O mundo está mais transparente e tudo é visto em tempo real nos meios de comunicação. O pobre, do Bolsa Família também está conectado com seu celular, tirando fotos e filmando o que acontece nas ruas, desde as manifestações de protestos até a inflação dos preços nos supermercados. Portanto, não é de se estranhar a vaia merecida que a presidente Dilma recebeu em plena abertura da Copa das Confederações. Ali estavam não só os que gostam de futebol, mas os cidadãos que estão insatisfeitos com a atuação deste Governo que tenta enganar o povo dizendo que está tudo bem e que a Classe C ascendeu para classe média. O povo está demonstrando que não quer esmola, quer condições para crescer e viver com dignidade. Muitas manifestações, muitos protestos estão latentes e certamente vão surpreender quem acostumou-se a surfar na onda alheia.

Pensamento Poético de Rabindranath Tagore.

 Rabindranath Tagore, poeta indiano, Nobel de Literatura:  “Se você chorar porque o sol se foi, as lágrimas não vão deixar você ver as estre...