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domingo, 13 de abril de 2014

A influencia européia no começo do século XX - ou Cultura Belle Époque

Advento do Chá (five o'clock tea) e a
Confeitaria Colombo (acima)

A vida intelectual no Brasil, no começo do século passado, tinha influência fortíssima européia,  Inglaterra e, principalmente, França.  O Brasil foi o único pais do mundo em que a filosofia de Auguste Comte chegou a ser aplicada a nível de Estado. A literatura consumida pelo público era também francesa. Flaubert, Renan, Júlio Verne, Zola. Eram essas as idéias que influenciavam e orientavam os fundadores da nossa República. Escritores e poetas, políticos e bacharéis iam todos os anos à Cidade-Luz. Os Cafés de Paris inspiraram os poetas simbolistas e parnasianos, que escreviam versos em francês. Da  Inglaterra chegavam as influências na área econômica e esportivas, importando máquinas e teorias mercantis, bem como o football. Na literatura inglesa tivemos como legado o ultra-romantismo de  autores como Álvares de Azevedo (1831-1852) , influenciado por George Gordon Byron,conhecido como Lord Byron (1788-1824) considerado um dos maiores poetas europeus e criador de personagens sonhador e aventureiro. Muitos representantes da aristocracia escreviam versos em francês e a jeunesse dorée (juventude dourada) declamava poesia e ouvia música de câmara. No Rio as livrarias como a Garnier, e confeitarias como a Colombo eram famosas por serem ponto de encontro de intelectuais. Na Confeitaria compunha-se versos, falava-se de política, criticavam-se. Na prosa, Machado de Assis (1839 -1908), sob influência inglesa, dava curso a sua obra Dom Casmurro (1900) intimista e perfeita, e Esaú e Jacó (1904). Enquanto isso naturalistas "à la Zola" e realista "à la Flaubert" disputavam a preferencia do público. Mas, enquanto a influência francesa e inglesa exercia um papel determinante, as primeiras décadas do século passado assistiu a irrupção de uma temática marcadamente nacional. Graça Aranha (1868- 1931) publicou "Canaã", romance voltado para as questões dos imigrantes europeus e a viabilidade do Brasil como um país independente. Neste mesmo ano Euclides da Cunha(1866-1909) entrega ao público "Os Sertões", centralizando a rude humanidade do interior do Brasil em oposição à refinada elite das cidades.
Livraria Garnier (esteve em atividade entre 1844 e 1934)

Fonte: Enciclopédia Nosso Século (1900- 1910)



terça-feira, 1 de abril de 2014

INCAPACIDADE E CORRUPÇÃO


Opinião   

Quem já passou de meio século de vida pode falar com propriedade de "antigamente era assim". Sei que hoje em dia as coisas mudam muito rapidamente e é comum você ouvir até uma criança falar em antigamente. Quando menina, e isso já se vão muitos São Joãos, as escolas públicas, por exemplo, eram tidas como as mais confiáveis, principalmente as de ensino médio. Claro que havia muitas particulares que tinham um bom ensino, mas ninguém se sentia excluído por estudar em escola do governo. O Colégio Central da Bahia era um desses estabelecimentos de ensino público que envaidecia o aluno que por ele passasse. As instituições funcionavam bem melhor que hoje em vários setores, não só na educação como também na saúde e seguridade social. Lembro do IAPI, IAPC, IAPTEC, IAPSEB,  INPS, etc.; existiram outras  instituições que não alcancei, instituídas na década de 30 a partir do governo Vargas. Não vou me deter na história da seguridade social que começou no final do século XIX (1889) no governo do Chanceler alemão Otto Von Bismarck. A partir de 1990 o INAMPS passou a chamar-se INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social). Até então as coisas pareciam funcionar razoavelmente. Lembro, quando ainda era professora do estado, que fui muito bem atendida pelo IAPSEB na ocasião em que precisei fazer uma cirurgia, e não tinha outro plano de saúde  particular como tenho hoje, já que o atual Planserv deixa muito a desejar. Muitos médicos atendiam em seus consultórios particulares pelo antigo INPS. Atualmente, o SUS (Sistema Unico de Saúde), criado em 1988 pela Constituição Federal, considerado um dos maiores sistemas públicos de saúde do mundo, enfrenta problemas políticos e de gestão, o que o impede de cumprir com o seu objetivo.

Estou mencionando tudo isso para dizer que onde as instituições não funcionam bem o caos se instala. O que existe é uma má gestão pela incapacidade e politização das instituições e uma corrupção desenfreada. É por esse motivo que vemos a toda hora a polícia se digladiando com manifestantes nas ruas e sendo acusada de despreparada e violenta.

Não é a polícia que vai resolver as mazelas deste país. Ela é apenas um braço dessa estrutura mal governada. Estão jogando a responsabilidade para um órgão que existe para manter a ordem dentro de um conjunto de normas que tem que ser bem administradas. A polícia não tem culpa da insatisfação do povo, ela também é vítima. Combater o tráfico de drogas e o crime organizado requer muito mais que ocupação de favelas pelas UPPs. Os usuários de crack são produtos de uma sociedade doente, que vivem à margem, ignorados pelas autoridades que preferem fechar os olhos para o problema e mandar a polícia agir da forma que ela sabe. O que pode a polícia fazer diante de pessoas insatisfeitas com as condições de vida que levam? Acredito que os que entram no mundo das drogas gostariam de não estar ali. Seja ele um viciado ou um traficante. Nesse mundo globalizado, competitivo e capitalizado em que necessidades são criadas a partir de ofertas que estimulam o desejo através da mídia, os que se sentem excluídos acabam por apelar para alguma forma de satisfação. E a situação se agrava quando se olha ao redor e não vê saída. Se o individuo não tem educação, saúde e consequentemente emprego, enquanto outros têm tudo, e, além disso, seus representantes políticos decepcionam com casos de corrupção, o jeito é protestar de alguma forma. É evidente que a melhor saída não são as drogas ou a violência, mas o que fazer quando não se tem a quem reclamar? É fácil criticar a violência policial que, em alguns casos, é exagerada, mas se imaginar na pele deles em momentos de difícil controle  não o é. Enquanto as instituições deste país estiverem fora dos eixos, povo e polícia irão se debater inutilmente por muito tempo.