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segunda-feira, 26 de agosto de 2019

O Menino Que Não Abraçava


O MENINO QUE NÃO ABRAÇAVA e o Robô Toninho
Mini Conto de Darcy Brito
 
Alguns dias se passaram antes que Ênio tomasse coragem para seguir em frente com seu projeto. O que tinha acontecido com ele o deixou tão abalado que até mesmo o seu mais ambicioso sonho ficou como se congelado em frio máximo. Mas, agora, não dava para adiar. Aqueceu a vontade, respirando fundo, oxigenando e expirando seu gás maléfico, correu alguns quilômetros, suou, e mergulhou no mar, deixando que a água levasse o sal da sua tristeza. Tinha que impulsionar o seu projeto.

Ao chegar ao seu ambiente de trabalho duvidou da sua capacidade: eu fiz tudo isso mesmo? Questionou-se. Não me lembro desse detalhe. Teve receio de estar ficando mentalmente perturbado. Diante dele estava um objeto estranho e ficou sem saber por onde recomeçar. Sentiu-se um intruso, se apoderando de algo alheio. Do lado de fora de sua oficina, ou laboratório, como costumava chamar, o sol brilhava e energizava sua janela no terceiro andar de um prédio antigo, clareando todo o ambiente. Os automóveis buzinando e congestionando a rua, indiferente à situação lá de dentro, atraiu a atenção de Ênio, que por algum momento achou que estava em outro lugar. Baixou a persiana e ligou o ar condicionado. Tornou a olhar pelo cantinho da vidraça e reconheceu uma loja de peças em frente. Sentiu-se de novo  em seu ambiente. Voltou-se para sua obra, quase pronta só faltando poucos detalhes, e outra vez não lembrava de ter adiantado tanto.

Não saía de sua cabeça a recente morte daquele amiguinho de infância, hoje, adulto, que vivia lhe pedindo um abraço que ele nunca o deu. Na época não sabia o porquê da negação do abraço e muito menos da insistência do amigo, que sofria com isso. Na  verdade Enio não abraçava e nem gosta de ser abraçado. Foi diagnosticado com Síndrome de Asperger, um tipo brando de autismo, quando criança, cujos sintomas desapareceram na fase de adolescente para adulta. Com o tempo os dois deixaram de se ver, mas ele nunca esqueceu o amiguinho de infância. A notícia da morte do amigo veio através de um ex-colega mais ligado ao falecido.

Bem, tudo que queria agora era terminar seu projeto. Afinal foram anos de dedicação para chegar onde chegou. Fez curso de robótica no Japão com pós-graduação e doutorado e pós doutorado. Este robô teria que ser o mais incrível de todos que já havia projetado. Com aparência humana, voz semelhante e movimento dos braços que lembrasse leveza. Os comandos deveriam obedecer ao que ele já havia programado. Mas ainda faltava o rosto. Que rosto daria? Testou os comandos, tudo em ordem. De repente ouviu o Robô pedir um abraço, movimentando os braços para frente. Gelou com o susto. Não, não dei essa ordem. Desligou tudo, e percebeu que os braços do robô ficaram na posição do pedido. “Me dê uma abraço”! Teria ele dado esse comando ao robô? Acho que é impressão minha. Fechou a oficina,voltou para casa onde morava só, e pois-se a lembrar: “Você tem coração? O homem de lata, da estória do Mágico de Oz, tem”- e quando pedia o abraço perguntava: para quê servem os braços senão para o abraço? E declamava o poema “Braços que não abraçam não são braços, são traços".  Foi então que resolveu bisbilhotar seus álbuns de fotos e lá estava seu amiguinho, na foto da turma, bem na frente, sorrindo. Lembrou-se que seu robô ainda não tinha rosto. Como seria o rosto do amiguinho, agora adulto, que não via desde a adolescência? E pensou: Com certeza eu estava pensando nele quando ouvi o robô pedir o abraço, que veio com o comando dos braços. Seria uma grande homenagem por o rosto do amiguinho no robô – continuou pensando. Mas isso deveria ser feito por alguém que soubesse esculpir um rosto muito parecido com o real. E eu não tenho esse dom.

Ênio voltou ao seu trabalho para testar todos os comandos. Este Robô deveria fazer parte de um projeto industrial que ele estava concorrendo. A função deveria ser bastante abrangente, pois iria substituir um número considerável de profissionais. Coisa desta era em que vivemos, a chamada Quarta Revolução. E este Robô humanóide deveria ter um rosto.


Toda a história vivida por Enio estava no seu subconsciente. Pesava o fato de o amigo ter morrido sem que ele tenha dado um abraço. Voltou para seu projeto e imaginou um rosto de criança, o rosto do coleguinha, e decidiu que iria tocar em frente. Retirou a foto  do grupo que estava guardada no seu porta retrato, circulou em volta do rostinho do colega com um marcador de texto, iria em busca de um profissional que lida com reprodução em 3D.

O humanóide deveria obedecer a certos comandos de movimento físico com alguns graus de liberdade, tipo levantar o braço, virar o pescoço, emitir voz, etc. e ainda um software de reconhecimento facial. Faltava um rosto. Enio foi em busca desse rosto de criança, aquela criança da sua infância, o amigo.

Enquanto pesquisava alguém que pudesse atender aos seus anseios, o de esculpir com perfeição o rosto do amigo que teve seu abraço negado por toda uma vida, tentou recordar os tempos  de escola.

O amiguinho de Ênio chamava-se Antonino, mas era conhecido pelo apelido de Toninho. Negro e gordinho estava sempre contando histórias que lia nos livrinhos e revistas. Antes de começar a contar as historinhas avisava que queria um abraço como pagamento. Todos atendiam a essa exigência menos Ênio que saía de perto. Mas Toninho dizia que ele podia ficar junto aos outros sentadinhos no horário combinado, às vezes no recreio, outras antes de começar as aulas.

A idade deles variava entre 9 e 10 anos. Ênio tinha 10, mas era o maiorzinho de todos, com pele clara, cabelos e olhos acastanhados. Essa Escola tinha um diferencial, não fazia discriminação. Ricos, pobres ou com alguma deficiência que pudesse ser administrada eram bem recebidos.

Após refletir bem a respeito do seu humanóide, e a quem iria encomendar o rosto do amiguinho, lembrou que o coleguinha era negro. Então o seu robô tinha que ser negro, pensou.

Não só o rosto, mas também o corpo que iria representar toda a sua aparência externa. Pesquisou as diversas funções que os robôs estavam desempenhando no mundo e não viu  nenhum que se adaptasse ao seu. Na verdade nenhum tinha aparência negra, fosse qual fosse a função. Ênio ainda não sabia exatamente que função lhe daria ou qual interessaria mais aos seus julgadores. Sendo assim resolveu que iria dar uma função que mais traduzisse seu coleguinha. Procurou saber do amigo, que lhe dera a noticia do falecimento, e ficou sabendo que ele era enfermeiro de um hospital beneficente infantil, sendo que seu trabalho, além dos cuidados com a saúde física das crianças, era o de contar histórias para aqueles que tinham doenças mais graves como câncer, hepatite e outras que exigissem uma internação maior.

Resolveu que iria dar ao seu robô a função de enfermeiro e contador de histórias. Pronto. Que melhor função poderia ser mais fiel ao seu coleguinha?

Saiu em busca do profissional que iria esculpir o rosto do amiguinho.

Sim, mas seu robô seria um garoto? Ou ele iria em busca de uma foto de seu amigo já adulto?

Alguns dias se passaram desde a hora em que soube da morte do amigo, vitimado por um infarto fulminante. Na dúvida se iria ou não construir um robô adulto, que ele não teve nenhuma aproximação, resolveu que iria dar a seu invento um formato de criança negra, com vários comandos, inclusive falas que iriam contar diversas historinhas infantis às crianças em hospitais ou outros estabelecimentos. Mas, as regras impostas no concurso exigiam altura e expressão de rosto de um adulto normal e não falava em formato do corpo nem em cor. O que fazer? Pensou. Rosto de adulto em corpo com formato de criança lembra um anão, coisa que Toninho não era. Até poderia procurar uma foto de seu amiguinho já adulto, mas não era esse o sentimento que queria demonstrar. Então arriscou ignorar as regras.

Todo o esqueleto já estava pronto e alguns comandos também. Faltava a voz que deveria ser, também, de uma criança. Na Agência onde trabalhava ele fazia pesquisas para aprimorar os comandos de voz. No caso do Robô Toninho ele pretendia que tivesse ao menos comandos que contasse algumas historinhas arquivadas e dessem respostas às perguntas das crianças e andasse.

O robô humanóide muitas vezes pode não ter braços e pernas, mas tem que ter um rosto que aproxime emocionalmente “olho no olho”. Toninho teria que ter tudo, inclusive seu rosto de criança. Restava saber se seu projeto seria aceito. Antes de continuar procurou saber da empresa contratante a possibilidade de seu projeto ser aceito. Ficou sabendo que o rosto não poderia ter uma identidade porque isto implicaria em pedir autorização à família do amigo falecido. Foi sugerido a ele criar um formato de um boneco que poderia ser negro e com o tamanho de um adolescente. Ênio perguntou se no caso de autorização da família ele teria aprovado seu projeto. Mas não recebeu uma resposta imediata, o coordenador do projeto argumentou haver uma possível reação emocional vinda da família dos envolvidos, e citou o exemplo dos transplantes de coração no qual  é vedado a identidade de ambos, de acordo com a ética médica. Mas o nome, Toninho, seria aprovado.

Independente de ser aceito ou não Ênio continuou com seu projeto. Para sua alegria seu projeto foi aceito, inclusive copiado por outro países.   

Toninho Humanóide hoje vive de alegrar crianças hospitalizadas que necessitam de incentivos para viver.

E assim Toninho ressuscitou.

                                     
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Bem, a história não acabou. Você pode criar um episódio onde o personagem Toninho alegrou uma criança. A imaginação agora é sua.




domingo, 16 de junho de 2019

Noite de Cultura

Noite de Cultura

Evento na Fundação João Fernandes da Cunha, em Salvador,  onde foi lançado o livro " Letras Pretas Cruas e Nuas",de autoria do escritor e jornalista Roberto Leal, presidente da União Baiana de Escritores -UBESC, e da Revista OMNIRA, homenageando o escritor Germano Machado falecido recentemente. Nesta revista está  incluída oito poesias e um conto de minha autoria,  além de vários poemas e contos de outros escritores.

terça-feira, 28 de maio de 2019

Síndrome do Estrangeirismo


  1. Brasileiros que por algum motivo foram morar em países estrangeiros, geralmente mais desenvolvidos, voluntariamente ou por necessidade de sobrevivência, a depender do tempo que permanecem, acabam por sentirem-se estrangeiros em seu próprio país ao voltarem para o Brasil. É a síndrome do estrangeirismo. Estrangeirismo consiste na valorização do que é de fora e menosprezo pelo nacional, muito comum nos brasileiros. Li um relato de um brasileiro que morou por cinco anos nos Estados Unidos, fazendo pós graduação e doutorado, que ao retornar ao Brasil teve muita dificuldade de readaptação comparando com a vida que levava lá, apesar de reconhecer que nunca se sentiu em casa nos Estados Unidos, onde , segundo ele, expatriado ou imigrante não tem nenhum privilégio. Uma vez estrangeiro sempre estrangeiro, principalmente no que se refere à latino-americano. Choque cultural é um sentimento perfeitamente compreensível,  embora alguns exagerem na síndrome. Lembro-me de quando ensinava no Colégio Central, uma professora que estava voltando de um curso em Londres, ridicularizava os trabalhos nas reuniões pedagógicas apontando erros e supervalorizando os programas comumente aplicados "lá em Londres". Coloquei "aspas" porque esse foi o apelido que ela ganhou, já que toda vez que discordava citava os exemplos de "lá em Londres" é diferente. E a vontade de voltar pra "lá em Londres" era recorrente. 
De acordo com estudiosos no assunto, esse sentimento de inferioridade, ou ausência de autenticidade de muitos brasileiros, talvez se deva à influência portuguesa dominante na época da colonização, seguida posteriormente pela influência europeia, britânica e francesa, e, mais recente, a estadunidense pós segunda guerra mundial,  dificultando o  brasileiro de "ser", de  assumir-se como tal, precisando de um ponto de referência em países mais desenvolvidos, o que o impede de possuir um certo orgulho de ser Brasileiro ao comparar-se com os outros. O termo complexo de vira-lata usado pelo escritor Nelson Rodrigues, embora grosseiro, talvez traduza esse sentimento. Não gosto de generalizar e sei que muitos não se enquadram nele, felizmente. Mas é comum ver brasileiros supervalorizando outros países, muitas vezes sem nenhum sentido, não levando em conta até mesmo a dimensão dos países, o tamanho da população e sua historicidade.
É muito bom abrir os horizontes , vivenciar outras culturas, adquirir novos conhecimentos, especializar-se em determinadas áreas, etc.. O ruim é quando a expatriação é feita não por escolha voluntária, mas por carência financeira, em que o indivíduo sem nenhuma especialização terá que submeter-se  a condições de sub-empregos. Estes geralmente voltam após algum tempo, muitas vezes por sentirem-se discriminados ou por não se adaptarem ao regime estrangeiro. Sim, porque não é fácil enfrentar a dureza num país culturalmente estranho.  Neste clima atual do Brasil, em que a situação econômica financeira ou insatisfação política está tumultuada, é comum ouvir um brasileiro dizer que vai morar fora, alguns cheios de planos  para montar um negócio abandonando até sua profissão local. Sonhar é bom, melhor ainda é refletir antes de tomar uma decisão, levando em conta que o Brasil é um país em desenvolvimento, culturalmente diferente dos demais, de dimensão quase continental, não podendo ser comparado a países bem mais desenvolvidos ou historicamente mais antigo que o nosso. "Bom mesmo é poder se sentir em casa" , disse o brasileiro citado neste texto ao retornar dos Estados Unidos.

quinta-feira, 2 de maio de 2019

Vamos proteger o Plâncton.


Meio ambiente

Vamos proteger o Plâncton.
Foto reprodução Google
Ao contrário do que se diz, a maior parte do Oxigênio da Terra não vem das florestas  e sim das algas marinhas e de água doce, que produzem 55% do oxigênio do planeta. As florestas são importantes, mas grande parte do oxigênio que ela produz é consumida  pelas próprias  árvores e animais que lá habitam.  Portanto, se 70% do planeta é coberto  por água, onde vivem as algas microscópicas, o plâncton, o ser humano tem que se preocupar em proteger  esses vegetais aquáticos. A fotossíntese é o processo de respiração da planta que transforma gás carbônico em oxigênio e oxigênio em gás carbônico, dependendo da hora do dia.
Cientistas descobriram um mundo de biodiversidade no plâncton, o conjunto de diminutas plantas, algas, vírus, bactérias e peixes embrionários, que são o alimento favorito das baleias e também um dos maiores provedores de oxigênio do planeta.
Sabia-se que o plâncton era fundamental para o meio ambiente, agora, os cientistas descobriram que esse organismo é muito mais complexo do que tinham imaginado..De acordo com estudos  plânctons dos mares pode absorver o dobro do CO² previsto.
Amostras dos testes de contaminação plástica mostraram que o Oceano Antártico, que no passado já foi livre de poluição humana, tem agora milhares de fragmentos plásticos por quilômetro quadrado. As toxinas liberadas do plástico e os derivados do material que entram na cadeia alimentar por meio dos peixes, pássaros e mamíferos, podem causar sérios danos ao ecossistema.


domingo, 14 de abril de 2019

PROTEÇÃO QUÂNTICA CONTRA VIBRAÇÕES NEGATIVAS - Osny Ramos

Quem sou

Consultar novo site
Breve Currículo:
•       Graduação em Engenharia Mecânica
•       Bacharel em Filosofia
•       Pós-graduação com especialização em Filosofia da Ciência
•       Mestrado em Antropologia Filosófica
•       É professor de Filosofia e Física Quântica no Instituto de Parapsicologia e Ciências Mentais de Joinville
•       Há 20 anos estuda  e pesquisa a  influência dos fótons  sobre o psiquismo humano em Psicodinâmica das Cores
•       Há 8 anos estuda  a  ocorrência de processos quânticos na vida do homem.
•       Como engenheiro trabalhou em  empresas privadas, estatais e multinacionais.
•       Trabalhou como consultor de empresa em Qualidade Total.
•       Ministra cursos e palestras  sobre Física Quântica e Psicodinâmica das Cores em empresas, universidades e instituições cientificas.
•       É autor de três livros:  Tratado de Ontologia das Cores  – As Cores nos Ambientes – A Física Quântica em Nossa Vida

quinta-feira, 4 de abril de 2019

O Brasileiro é destruidor de heróis


A frase que intitula esta postagem foi dita por um membro do Comitê do Prêmio Nobel, em Estocolmo, respondendo à seguinte pergunta feita pelo Fundador e ex presidente da Embraer, o brasileiro Engenheiro Ozires Silva:
- Por quê o brasileiro nunca ganhou um prêmio Nobel?
Demorando um pouco para responder e olhando nos olhos do nosso interlocutor, ele disse:
- "É porque os brasileiros são destruidores de heróis. Sempre que surge uma indicação, aparecem, em seguida, os jogadores de pedras".

Aproveitei a lembrança desta entrevista que assisti, dada pelo Dr. Ozires no ano passado, no Programa Roda Viva da TV Cultura, quando foi citado algumas áreas pioneiras no Brasil, inclusive de Santos Dumont na aviação, para comentar a respeito do comportamento de muitos brasileiros, não generalizo porque temos pessoas sérias também. Realmente ele tem razão. Hoje, vendo uma postagem no Facebook, onde Michele Bolsonaro, esposa do nosso presidente, aparece às lágrimas num encontro com um jovem portador de uma doença rara, num trabalho que desenvolve frente às causas sociais, e, nos comentários, uma pessoa chama a atenção, preocupada com uma possível reação negativa daqueles que se opõem ao governo, talvez achando oportunismo, mesmo sabendo que ela faz esse tipo de trabalho humanitário antes mesmo de ser a primeira dama. Já tivemos como indicada ao Nobel da Paz a nossa freira Irmã Dulce, tida como o "anjo bom da Bahia", em 1988 pelo então presidente José Sarney, e lembro das reações contra. Mas a freira Madre Tereza de Calcutá, que fazia um trabalho semelhante foi contemplada.
Há mais de um século brasileiros sonham em ganhar o prêmio. Já foram indicados: Barão do Rio Branco; Afrânio de Melo Franco; Oswaldo Aranha; Raul Fernandes; Marechal Rondon; Josué de Castro; D. Hélder Câmara ( indicado quatro vezes); Chico Xavier; Dom Paulo Evaristo Arns; Helbert de Souza, (o Betinho); Zilda Arns e Irmã Dulce.
Acrescento Maria da Penha. Inspirou a criação da Lei federal nº 11.340/2006, a Lei Maria da Penha, considerada hoje a terceira melhor lei do mundo no combate à violência doméstica. Concorreu em 2017.
Em 2018 tivemos como indicado a Prêmio Nobel da Paz, o brasileiro Luiz Tiago, pelo trabalho que faz frente a empresa Pontinho de Luz, um trabalho social que, segundo consta, está transformando vidas no Brasil e em países da América do Sul e da Europa.
Sabendo que o Prêmio Nobel visa contemplar trabalhos que trazem benefícios à humanidade, acredito que pelo menos um desses brasileiros citados mereceria o prêmio. Sugiro que pesquisem a respeito dos trabalhos que cada um deles desenvolveu ao longo de suas vidas.
Infelizmente, herói no Brasil é o bandido que lhe assalta e mata, enquanto o policial é condenado pelos defensores dos "direitos humanos". Bem, já tivemos até o presidiário e ex presidente, indicado a prêmio Nobel da Paz há pouco tempo, e não é preciso lembrar o nome dele.

quinta-feira, 7 de março de 2019

Pedro de Alcântara - Um meninote de 15 anos governa o Brasil.


Dom Pedro II o Último Monarca sul-americano.
Dom Pedro II - Foto:  reprodução Google.

A prematuridade de Dom Pedro II pode ser tomada como exemplo.

Desde a infância, a austeridade marcou a vida de Pedro de Alcântara ( 1825- 1891), filho herdeiro do Imperador Pedro I e da Imperatriz Leopoldina, primeiros soberanos do Brasil independente.
Pedro de Alcântara viveu separado de seus pais, como era costume entra as famílias nobres. Quando tinha cinco anos, duras crises políticas fizeram seu pai abdicar do trono e exilar-se em Portugal.
A crise econômica que as campanhas da independência e as guerras externas haviam exacerbado, afeta a produção de açúcar, tabaco, algodão e couros, que faz a riqueza do país, fornecedor das potências industrializadas. Dessas indústrias continuamos a comprar produtos manufaturados, sem conseguir equilibrar a balança comercial com as nossas matérias primas.
Dom Pedro de Alcântara teria direito ao trono quando fizesse dezoito anos e deveria ser educado por homens ilustres: José Bonifácio foi nomeado seu tutor, e eram seus professores homens como Luiz Alves de Lima e Silva, futuro Duque de Caxias, e Felix Émile Taunay, artista francês.
Enquanto o Imperador era menor o país deveria ser governado por Regências. A Câmara e o Senado dividiam- se entre políticos das facções que depois se aglutinariam nos futuros partidos Conservador e Liberal. Na verdade essas duas facções representavam uma mesma elite de fazendeiros, comerciantes, militares e profissionais liberais.
Durante dez anos anos, Pedro de Alcântara levantava--se às 7 horas em ponto e às 8 almoçava na presença do médico, que examinava a qualidade, quantidade e temperatura dos alimentos. Em seguida começavam as aulas.Ao meio dia ele "jantava"  assistido pelo médico, o camarista e a camareira, que deviam entreter conversação, que versasse sobre objetos científicos e de beneficência. A conversa se prolongava até às 16.30h no inverno, e até ás 17h no verão. Depois Pedro de Alcântara fazia passeios a cavalo.
Fonte: Enciclopédia Nosso Século (1900-1910)
Em 1840 a Regência atravessava sérias crises. O descontentamento com o acúmulo de impostos e com a política centralizadora, que negligenciava os interesses da província, gerou rebelões regionais, algumas delas de caráter separatista, como a Guerra dos Farrapos, no Rio Grande do Sul, que se prolongaria por dez anos ( 1835-1845). A elite perdera a confiança na Regência e essa se viu obrigada a antecipar a maioridade de Pedro de Alcântara, que contava então com 15 anos de idade. 
Começa, então, o Segundo Reinado. Aos poucos  a economia do Brasil fazia progressos, pois o café cultivado no sul tornava-se o principal produto de exportação do país suplantando as lavouras decadentes de cana e algodão.
Prudente e austero desde muito jovem Dom Pedro ll empenhou~se em conciliar os interesses da elite. Adepto de rígida disciplina perseguia os políticos acusados de “conduta moralmente irregular”
Considerava-se funcionário público número 1 do Brasil, cumprindo com zelo suas obrigações burocráticas. Nas horas vagas dedicava-se à leitura ganhando fama de erudito e protetor de artistas e intelectuais, correspondendo-se no exterior com personalidades importantes como Pasteur e Wagner.
Preferindo "governar e não reinar", Dom Pedro II amparou-se num regime parlamentar inspirado nos moldes ingleses. O imperador nomeava o Conselho de Ministros, e este escolhia o Ministério, compondo o Poder Executivo. Nas eleições, restringindo o direito de voto e recorrendo à fraude, as elites agrárias compunham a Câmara, que desempenhava - junto com o Senado vitalício -   o Poder  Legislativo. Quando havia divergência entre o Gabinete e a Câmara o Imperador dissolvia-os, exercendo o poder moderador.
Revezando gabinetes moderados de conservadores e liberais reinou por quase cinqüenta anos. A relativa estabilidade de seu governo só seria abalada na década de 1870, quando o país começou a sentir os efeitos da Guerra do Paraguai. Os seis anos de guerra aumentaram vertiginosamente a divida externa para com a Inglaterra fornecedora de armas e capitais para os combatentes. Preso a essa divida e corroído por crescente inflação, o Império brasileiro não teria mais real estabilidade econômica.

Pensamento Poético de Rabindranath Tagore.

 Rabindranath Tagore, poeta indiano, Nobel de Literatura:  “Se você chorar porque o sol se foi, as lágrimas não vão deixar você ver as estre...