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quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

'VERDADEZA' E A TRAGÉDIA DE SANTA MARIA

Li, num artigo da revista Ciência Hoje, intitulado  Anatomia do erro médico, que o oncologista norte-americano Jay Marion, que ministrou no Rio de Janeiro em Outubro, a palestra "Revelação de erros médicos" é a favor que pacientes sejam informados dos erros para ajudar a prevenir falhas futuras e, naturalmente, evitar problemas com processos na justiça impetrado pelos familiares, que só o fazem quando, segundo eles, o erro é acobertado . Muitos médicos ainda resistem à ideia, embora haja consenso de que erros médicos que resultam em danos físicos e psicológicos devam ser revelados - diz o artigo. De acordo com Marion, cerca de 100 mil mortes por ano, nos Estados Unidos, são atribuídas a causas que resultam de erro médico. E acrescenta: "Mas, como quem define o que é dano costuma ser o responsável pelo erro, seu julgamento nesses casos pode ficar comprometido.
Bem, estou transcrevendo este artigo para chamar a atenção para o termo, usado pelo palestrante, chamado de truthiness (mais ou menos 'verdadeza' em português)  uma verdade não baseada em fatos, mas em sentimentos; acreditar naquilo que se deseja em vez do que se sabe ser verdade. A verdadeza é  resultante da interferência dos nossos preconceitos, experiências etc.sobre a avaliação racional e intuição quando queremos revelar uma informação.Para Marion, essa 'verdadeza' pode interferir com os princípios éticos do médico, que pode achar melhor ou não revelar o erro.
Ora, não só no caso acima podemos nos deparar com 'verdadezas'. Há sempre pessoas fazendo julgamentos subjetivos, baseados em suas experiências, crenças ou preconceitos, para explicar acontecimentos cuja verdade pode ser omitida ou deturpada. Cito o exemplo da tragédia na Boate de Santa Maria, no Rio Grande do Sul que, por mais clara que esteja a razão da tragédia, tem gente que acha que foi uma fatalidade ou desígnio de Deus. Se acharmos que todos que estavam ali tinham seus destinos já traçados, para que investigar os culpados? Que ajuda isso pode trazer na prevenção de erros futuros? O mesmo exemplo serve para o outro caso recente do contraste usado na ressonância magnética, que levou a óbito três pacientes. O erro tem que ser explicado para se evitar a repetição. Acho que deixar nas mãos de Deus os julgamentos de erros terrestres não melhora a vida aqui na terra. Espero que esta minha verdade não seja uma 'verdadeza'.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Apressar a morte dos idosos é querer esvaziar o mundo.

Não podia deixar de comentar a respeito deste episódio.

Sempre ouvi falar que a velhice no Japão e na  China era sinônimo de sabedoria e respeito e, por este motivo, fiquei surpresa com a declaração, infeliz, do ministro das finanças do Japão Taro Aso, quando ele sugere que os velhos devem apressar a morte para diminuir as despesas com a saúde pública. Se isso fosse dito aqui no Brasil talvez não soasse estranho, visto que o idoso por aqui é tido como um fardo pesado, basta olhar nos asilos a quantidade de velhos abandonados pelos parentes e os maus-tratos que sofrem quando são entregues a "cuidadores. Mudou a cultura oriental japonesa ou mudou o mundo e com isso as relações com o idoso? Bem verdade que a declaração vem de um ministro das finanças e em se tratando de dinheiro e economia a coisa não anda muito bem no cenário global.
A velhice não tem que ser uma tragédia final. O processo traz enriquecimento no terreno da sabedoria e na existência dos que convivem com ela. Convivemos com nossos avós e com eles aprendemos a olhar a vida sob o ponto de vista futuro, aprendendo e reavaliando conceitos e nos posicionando em relação ao tempo. Há pouco tempo escrevi neste blog sobre o arquiteto Oscar Niemeyer, que faleceu aos 104 anos, que para mim é um exemplo do quanto o idoso pode ser importante na transmissão de seus conhecimentos acumulados durante uma longa vida.( postagem de 10/12/2012)

A declaração subjetiva do ministro é um contraponto às idéias contemporâneas relacionadas com o desenvolvimento da ciência tecnológica que prevê a melhoria e duração de vida do homem, prolongando por muito mais tempo e com saúde a sua existência no mundo. Não basta um país crescer financeiramente se a ética e a moral não se compra nem se vende em supermercados. A vida humana não deve ficar só sob os ditames financeiros. Necessário se faz mudar o olhar sobre os mais velhos. Até mesmo a imagem do velho de bengala, nas placas que sinalizam o atendimento exclusivo em espaços públicos, deve ser revista, pois nem todo idoso usa bengala.   

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

CRISE DO MASCULINO

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A tal "nova mulher" tem causado no homem uma série de reações negativas, como sentimento de  insegurança, disputa e, muitas vezes,  reações de violência por não entender o espaço conquistado pelas mulheres. Essa dificuldade se deve ao fato de as mulheres terem sido tratadas ao longo da história como cidadã de segunda classe, um objeto não essencial na sociedade. Culpa talvez da tradição judaico-cristã, com Eva expulsa do paraíso. O que pode haver de ruim na emancipação feminina? Direito à cidadania e autonomia não é e nem deve ser motivo para brigas ou disputas entre o masculino e o feminino. Não basta ser no mundo, é preciso estar situado nele e nele sem passividade, pois o ser humano não é uma pedra. A partir daí vem tudo mais que pode existir e acontecer ao sujeito.
No final do século XIX e início do século XX, nos Estados Unidos e na Inglaterra, surgiram muitas manifestações de mulheres tendo como razão principal a garantia de igualdade de direitos entre homens e mulheres e repúdio ao casamento arranjado em que as mulheres figuravam como propriedade dos homens, e, mais tarde, o direito ao voto. Vemos hoje muitas funções antes atribuídas apenas aos homens serem ocupadas por mulheres também, mas,apesar de todas as conquistas sociais femininas, ainda existe a dominação masculina, gerada pelo medo que o macho tem do feminino, advindo daí a violência contra o sexo frágil, ultimamente crescendo a passos largos. O homem não quer abrir mão dos privilégios que lhe foi dado nesta sociedade patriarcal ao longo dos anos. E a mulher contemporânea quer fazer parte da elaboração deste mundo, construída pelos homens, em pé de igualdade, o que causa uma certa inquietação por parte dos machões. A frase, "por trás de um grande homem existe sempre uma grande mulher", é criação machista. Isto porque eles não querem enxergar a mulher como um indivíduo de igual para igual. A crise do masculino vem do fato dele não aceitar a reivindicação do feminino como sujeito  que transcende uma situação de opressão, marcando seu lugar no mundo. Não cabe aqui descrever a violência masculina sob o ponto vista histórico, mas sabemos que ela está ligada ao gênero, pois desde os primórdios ser guerreiro era um título de grande importância para o macho. Então, na sociedade contemporânea ocidental o ser macho é visto de forma politicamente incorreta, dada essa crise do masculino, com nova roupagem, que leva o macho a situações vexatórias e muitas vezes de violência por sentirem-se desimportantes e desvalorizados. Homem e mulher são diferentes sim, e respeitar as diferenças significa reconhecer o valor que cada um tem, dentro das diferenças, na sociedade, sem que nenhum se sobreponha ao outro como melhor ou mais importante. A mulher não quer o lugar do homem, quer apenas ser respeitada como ser humano e não cabe só a ela a responsabilidade, mas, principalmente a ela..

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

TRISTE FAMA DAS BRASILEIRAS

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Nos anos 60 as mulheres tiraram os sutiãs para protestar contra a repressão sexual e a favor da pílula anticoncepcional e do aborto. Acho que agora é hora de se protestar contra o abuso sexual, da exposição gratuita da nudez feminina nos meios de comunicação, da exportação de imagens com apelo sexual para países estrangeiros, principalmente nesse período de carnaval quando o turismo é incentivado. Não vai aqui nenhuma censura aos meios de comunicação nem se trata de puritanismo. Mas é um paradoxo, o que se vê. Pois \ao mesmo tempo que se combate o turismo sexual no Brasil e a exploração de menores no mundo da prostituição, faz-se chamada do carnaval na televisão mostrando uma garota praticamente nua, sambando, a Globeleza. Concordo com ator Pedro Cardoso quando diz que as atrizes são expostas a nudez e sexo explícito em cinema e novela, sem que haja nenhuma necessidade no contexto da história do personagem. Na novela Gabriela, que esteve no ar por vários meses no ano passado, houve uma excesso de exposição da nudez de Juliana Paes, a Gabriela, com cenas de sexo explícito de vários personagens. Aliás, acredito que a história original escrita por Jorge Amado nos livros, tenha muito mais a oferecer de útil. Nem é preciso comentar sobre o tal BBB. Para combater o turismo sexual, como quer a sociedade, é necessário começar pelos meios de comunicação televisivo. Sabemos que os programas da rede Globo é visto no mundo todo, levando a imagem do Brasil que, com certeza, deve influenciar turistas de todo o tipo. É comum, nesta época de festas em Salvador, vermos estrangeiros acompanhados de garotinhas muitas vezes pobre e de menor. Elas aproveitam para "faturar uma grana" nessa época, como costumam dizer. Lá fora eles associam as brasileiras a mulheres fáceis, para não usar termos mais pesados, e vem para o Brasil fazer o que não fazem lá.. Mas a culpa não é só da mídia. As próprias mulheres não se dão valor, e se submetem por qualquer preço. Já estamos vendo aulas de inglês para prostitutas visando a copa de 2014.  E o pior é que a fama fica generalizada. Outro dia uma brasileira, que fazia um curso na Inglaterra, e namorava um inglês, queixou-se dizendo que o amigo deste, também inglês, perguntara para seu namorado se era possível "arranjar" uma pra ele também. Claro que ela se ofendeu e o namorado teve que explicar que ela não era o que ele, o amigo, estava pensando. Fica difícil até mesmo para brasileira que precisa de vistos, de passaportes ou passar pelo setor de imigração estrangeira ter que provar que "sou brasileira mas sou decente". Triste fama.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

DE HORÁRIOS E HONORÁRIOS

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Dizem que as leis brasileiras foram feitas para serem desrespeitadas. É comum ouvirmos nos noticiários reportagens mostrando bêbado dirigindo,apesar da lei seca; filas enormes em bancos, reclamações contra planos de saúde, salas de espera de clínicas médicas com mais clientes que assentos e  marcação de consultas com horas ignoradas. Esta situação última é a que mais irrita. Marca-se uma consulta para 2:30  e o médico só chega a partir das três e meia ou quatro horas. E não é porque o atendimento é por convênio, o que não justificaria a falta de respeito. Também os médicos que cobram exorbitâncias,( R$350,00 400,00) os "Bambambans", também se acham no direito de atrasar. E ai de quem reclama. Os profissionais que atendem por convênio se queixam dos honorários pagos pelas seguradoras de saúde. Os profissionais particulares estão sempre vindo de um outro "procedimento" de última hora que o fez se atrasar. E fica tudo por isso mesmo. Vemos aí que o problema não está só no serviço público.
O vereador Paulo Câmara (PSDB) apresentou projeto de lei na Câmara Municipal de Salvador fixando em 15 minutos o tempo máximo de espera para o paciente ser atendido nos consultórios e clínicas na capital baiana. Em Salvador já existe uma lei semelhante que fixa em 15 minutos o prazo máximo para atendimento de clientes nas agências bancárias, exceto nos dias imediatamente anteriores e posteriores a feriados, cujo prazo é de 20 minutos. Na prática essa lei não é obedecida nem fiscalizada, nem mesmo em bancos oficiais. Portanto, uma coisa é a lei, outra coisa é a realidade. Alguém já disse que fila grande é resultado de incompetência administrativa. Resta saber de quem é a responsabilidade. Se você resolver procurar o PROCON tem que enfrentar fila também.










quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

AINDA BEM!


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Costumamos ouvir críticas tipo "caixão não tem gaveta" a pessoas que têm algum dinheiro, e que preferem guardá-los a gastá-los em seu próprio beneficio. E eu digo: ainda bem que não tem. Na minha opinião dinheiro existe para proporcionar saúde, conforto, alegria, satisfazer desejos e resolver problemas que caibam no bolso. E isto só é possível enquanto estamos vivos. Se o dinheiro que se tem tivesse que ser levado no caixão não serviria de nada, pois ele em si não tem valor algum, ele vale pela sua utilidade. Já pensou em ter que vigiar o dinheiro enterrado com o defunto? Haveria de ter cemitérios só para defuntos ricos e munidos de vigilantes policial. Mesmo assim não estaria seguro e os assaltos aconteceriam com frequencia. Seria um transtorno para a família, dona do falecido, ter que administrar a situação. E se houvesse algum parente pobre, com certeza iria esbravejar e desejar o inferno para a alma do coitado. Sabemos que os reis e faraós eram enterrados com seus bens materiais, porque acreditavam na vida pós morte, jóias preciosas, principalmente, eram encontradas em suas tumbas. Acredito que, mesmo aqueles   que acham que um dia vão reencarnar, não devem querer levar essa preocupação para a outra dimensão. Afinal os problemas terrestres giram em torno do dinheiro. Temos visto, diariamente, exemplos de transtornos causados pela ganancia e suas consequências. Que  digam os políticos mensaleiros e os Lalaus da vida. O pouco, bem aproveitado honestamente, pode valer uma vida eterna enquanto dure.