sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Reflexão sobre a Morte

                                                       ( baseado no artigo sobre a Necessidade de Morrer, da Revista Filosofia Ciência e Vida nº87)
Foto Google

Você tem medo de morrer?

É claro que sim, você vai responder. Este é um sentimento da maioria dos humanos. A morte é o desconhecido que ninguém quer apostar para ver, por mais aventureiro que seja, pois sabe que não irá testemunhar nem descrever o que viu. Pelo menos conscientemente. De acordo com Epicuro* não devemos nos importar com a morte porque “enquanto eu sou a morte não é; e, quando ela for, eu já não serei”.
Este medo acomete a todos, principalmente nas culturas ocidentais. Mas sabemos que a morte é certa, que faz parte da vida tanto quanto o nascimento. Há quem imagine uma vida eterna, uma imortalidade; mas morrer é preciso, para haver o equilíbrio da vida. O medo da morte origina-se da mítica bíblica que trata a morte como punição. Segundo Norbert Elias (1897- 1990) “No paraíso, Adão e Eva eram imortais, mas Deus os condenou à morte porque Adão, o homem, violou o mandamento do pai divino”. Nossa existência tem duração limitada e somos obrigados a encarar o fato. Hoje em dia, com o desenvolvimento da ciência tecnológica e a promessa de vida mais longa, nos afastamos do sentimento de finitude da vida. Não apenas isto, mas também por isto, anseia-se por uma juventude eterna, uma beleza eterna, uma saúde eterna. Há um excesso de narcisismo, um temor de envelhecer, gerado pelas mudanças na sociedade, que foca no aqui e agora e a velhice é encarada como algo negativo. Bombardeados por todos os lados pelas propagandas midiáticas criamos ilusões de imortalidade e nos afastamos da real finitude da vida.
Na Antiguidade greco-romana, na era do paganismo**, havia uma relação mais próxima entre a vida e a morte. O ancestral sepultado no pedaço de terra tornava essa terra sagrada, o húmus era devolvido ao local de onde retornara, havendo aí uma supervalorização da morte.

“Com o surgimento do Cristianismo a morte passa a ser substituída pela vida. No paganismo havia o direito de morrer, já com a religião cristã surge a sacralidade da vida, pois a vida é concebida como um dom de Deus e, por isso, deve ser preservada. Na Modernidade essa visão ganhou ênfase ao ponto de privilegiar a vida em detrimento da morte. No pensamento do filósofo René Descartes (1561- 1626) e de Francis Bacon, o mundo é visto “nu”, sem Deus, o homem se percebe capaz de realizar uma dominação de tudo aquilo que está ao seu redor, controlando os fenômenos da natureza.  Segundo o historiador Philippe Áries (1014-1984), o ser humano ocidental afastou e expulsou a morte do seu cotidiano, vista como uma coisa anormal.”(Sobre a necessidade de Morrer, revista Filosofia Ciência e Vida,nº87)

Mas a morte em si não é problema e deve ser vista sem surpresa, como algo corriqueiro, muito embora não seja fácil pensar nos deparando com ela. Estamos caminhando ao seu encontro e ela ao nosso. Podemos tentar retardar, andando mais devagar, porém, nunca imaginar que vamos evita-la para sempre. E, a partir daí, projetar melhor a existência.

*Epicuro de Samos (341 a.C.-270 a.C.) foi um filósofo grego do período helenístico. Seu pensamento foi muito difundido e numerosos centros epicuristas se desenvolveram na Jônia, no Egito e, a partir do século I, em Roma, onde Lucrécio foi seu maior divulgador. Wikipédia


** Paganismo - origina-se da palavra pagus, que significa pedaço de terra onde se plantava, na Antiguidade.

Falando como platéia.

Tenho muito respeito pelos artistas de um modo geral, pois acho que eles são seres escolhidos para tornar a nossa vida mais alegre e mais l...