Pesquisar este blog

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

CIBER- CULTURA. Será que estamos nos tornando avatares?


💻☎📱📞

De que forma as pessoas me imaginam quando leem algo que posto nas redes sociais,  das quais faço parte e que tenho vários seguidores ou "amigos"?
Será que se me conhecessem pessoalmente teriam a mesma impressão?
Outro dia fui apresentada a um amigo virtual, por acaso, numa festa na casa de uma amiga real e ele disse - Ah! Você é minha amiga no face, e foi saindo. Não trocamos nenhuma conversa, e eu não o reconheci como tal. Tenho a impressão que nem eu nem ele quisemos quebrar a magia da empatia virtual, que não foi a mesma na real.E o mais preocupante é que os amigos de antes das redes, que costumávamos falar por telefone e encontrar em reuniões sociais, hoje estão se comunicando por mensagens nos What's up, Facebook , em vez de  telefone ou ao vivo. 
É comum vermos milhares de pessoas protestarem contra o governo, conclamando o povo param manifestações de rua e nada acontece. Quantas pessoas vão às ruas? Se todas aquelas pessoas que postam suas indignações fossem para as ruas, talvez muita coisa já teria mudado no Brasil e até mesmo no mundo, pois a insatisfação é geral.
O mais interessante é que todos ficam sabendo de todos, onde estão, o que estão fazendo, buscando visibilidade através dos efêmeros selfies que postam a todo momento. - " O outro com o qual nos comunicamos através das redes sociais deixa de ser a pessoa em carne e osso e passa a ser uma criatura virtualmente construída,  um habitante da hiper- realidade - diz  o professor de Filosofia João de Fernandes Teixeira, titular da Universidade Federal de São Carlos. E ele acrescenta: talvez estejamos ingressando na era do "autismo coletivo" expressão  que ele considera paradoxal e significativa.
Qual será a consequência dessa situação? estamos mais próximos ou mais isolados? Este é um tema para reflexão e que a Filosofia da Tecnologia está tentando explicar.

domingo, 25 de janeiro de 2015

O triunfo das narrativas femininas na literatura e no cinema

O triunfo das narrativas femininas na literatura e no cinema

Baseado no livro de memórias de Cheryl Strayed, o filme 'Livre' retoma o gênero das narrativas femininas. Elas misturam casamentos fracassados, aventura e autodescoberta

NINA FINCO
23/01/2015 08h00
Kindle
Share 

PIONEIRAS A atriz Reese Witherspoon gravando o filme Livre. As histórias de mulheres  na estrada estão ganhando mais visibilidade (Foto: Anne Marie Fox)
O desejo de viajar para mudar a vida parece ser parte da mais profunda natureza humana. Inúmeras histórias contaram, ao longo dos séculos, as jornadas de heróis e desbravadores que saíram em busca de aventura e reconhecimento. Modernamente, foi no final dos anos 1950, com o surgimento da cultura beatnik nos Estados Unidos, que a literatura viveu seu último grande boom de relatos “pé na estrada”. A cultura americana, que associa mobilidade e liberdade de forma quase direta, produziu autores nômades, como Jack Kerouac, William S. Burroughs e Allen Ginsberg. Uma característica comum a essas histórias é que seus protagonistas são sempre homens. As mulheres são citadas apenas na condição de acompanhantes das poéticas e atormentadas almas masculinas. Não que elas mesmas não estivessem por lá, vagando. Estavam, atravessando os Estados Unidos a pé ou de carro. Mas suas histórias não costumavam ser ouvidas. Até recentemente. Nos últimos anos, uma leva de escritoras de sucesso está mudando esse cenário.
É o caso de Cheryl Strayed. Seu livro Livre (Objetiva, 376 páginas, R$ 39,90) conta a caminhada solitária de 1.800 quilômetros pela Costa Oeste dos Estados Unidos que Cheryl iniciou em 1995, aos 26 anos. Durante três meses, ela atravessou desertos, montanhas e gelo enquanto tentava lidar com a morte prematura da mãe e as consequências dessa perda. Cheryl se viciou em heroína e traiu o marido seguidamente, até destruir seu casamento. O relato ferozmente sincero da autora comoveu os leitores. O livro ficou sete semanas consecutivas no primeiro lugar da lista dos mais vendidos do jornal The New York Times, em 2012, e foi traduzido para 30 idiomas. Acabou chamando a atenção da atriz Reese Witherspoon. Ela estrelou e produziu a adaptação para os cinemas que estreou no Brasil na quinta-
feira, 15 de janeiro. Na semana passada, foi indicada a concorrer ao Oscar de  Melhor Atriz pelo papel. “As pessoas se identificam com minha história porque viajar faz parte de nossos instintos mais antigos”, disse Cheryl em entrevista por telefone a ÉPOCA. “Quando nos colocamos fora de nossa zona de conforto, aprendemos sobre quem somos. Entendemos mais sobre a condição humana.” Em cartaz desde dezembro nos Estados Unidos, o filme já conseguiu US$ 30 milhões, considerado um bom resultado. A crítica adorou o filme. A.O. Scott, do The New York Times, o chamou de “um clássico do feminismo moderno”.
 
 
 
>> Mais reportagens sobre cinema

Cheryl não é a única desbravadora no território das narrativas femininas sobre viagens e transformações existenciais. No ano passado, o filme Tracks (ainda sem tradução para o português) colocou nas telas do cinema a história da australiana Robyn Davidson (interpretada por Mia Wasikowska). Em 1977, ela cruzou 2.700 quilômetros no deserto australiano, a pé, acompanhada de quatro camelos e sua cachorra – depois de ter convivido com aborígenes e caipiras numa cidade do sertão poeirento do país. Depois da viagem – registrada pelo fotógrafo da revista National Geographic Rick Smolan –, Robyn tornou-se uma espécie de propagandista das culturas nômades. Escreveu diversos livros sobre o assunto. As memórias que deram origem ao filme só foram escritas em 1995. Durante a caminhada, Robyn teve de se haver com a morte da mãe, que se matou quando ela tinha 11 anos.

Não é apenas a morte que move as mulheres em direção ao mundo da aventura. Em dois grandes sucessos de venda e bilheteria, o ponto de partida das protagonistas foi a falta de perspectivas e o divórcio. Luto afetivo, portanto. Em 2006, Elizabeth Gilbert lançou suas memórias sobre uma viagem à Itália, à Índia e a Bali após dolorosa separação. Apesar de ter financiado a aventura mundial com US$ 200 mil de uma editora – o que produziu acusações posteriores de que sua “jornada interior” seria apenas uma tarefa bem paga –, as descobertas sobre o amor que Elizabeth relata conquistaram leitores mundo afora. Comer rezar amarvendeu 9 milhões de cópias e tornou-se queridinho da apresentadora Oprah Winfrey, talvez a maior formadora de gosto e opinião do planeta. O filme, lançado em 2010 com Julia Roberts no papel de Elizabeth, obteve  mais de US$ 80 milhões em bilheteria.

“As mulheres não saem em jornadas mais frequentemente porque são vistas como agentes de preservação da ordem social, não como agentes de mudança”, afirma a escritora americana Vanessa Veselka, de 46 anos. Ela fez duas grandes viagens pelos Estados Unidos e pela Europa aos 15 e 19 anos. Vanessa, que é divorciada e tem uma filha, diz que, mesmo descontentes com suas vidas, as mulheres ficam presas ao cotidiano por obrigações impostas a elas tradicionalmente pela sociedade, como cuidar da casa e dos filhos. O medo dos perigos da estrada também é um enorme impedimento à exploração feminina. “A possibilidade de estupro e morte está em toda parte para as mulheres”, afirma. Isso acontece, segundo ela acredita, pela falta de divulgação de relatos de mulheres viajantes. “As narrativas nos tornam mais seguras porque permitem que sejamos vistas”, diz ela. “Pior que ter histórias bobas sobre mulheres na estrada é não ter nenhuma história.”
 
Viagens existenciais  (Foto: AFP)
Sob o sol da Toscana conta uma aventura sem estrada. A escritora americana Frances Mayes acabara de passar por um divórcio envenenado por disputas financeiras quando decidiu tirar férias na Itália, no verão de 1990. Lá, faz uma escolha inesperada: usa todo o seu dinheiro para comprar uma casa abandonada de 200 anos e reformá-la. No processo, faz amigos, cura feridas e reencontra o amor. O livro ficou dois anos na lista dos mais vendidos e virou filme em 2003. A história com homens e mulheres felizes com mais de 40 anos virou a bíblia romântica dos maduros em busca de novos horizontes. “É um refresco glorioso passar algum tempo com personagens que não têm 20 anos, uma esposa chorosa e outros arquétipos redutores”, afirmou, na época, o crítico Desson Thomson, do Washington Post.
Um relato que também mistura ficção e realidade é Expresso Marrakesh. A história acompanha uma garotinha de 5 anos numa viagem ao Marrocos com a mãe e a irmã mais velha. A autora, Esther Freud, neta do psicanalista Sigmund Freud, escreveu o livro com base em sua infância incomum: em 1972, sua mãe deixou Londres e levou Esther e sua irmã a uma viagem de autodescobrimento inspirada pelo movimento hippie. A história virou filme em 1998, estrelado por Kate Winslet.

Existem outras narrativas mais antigas sobre mulheres que saem em jornadas de autodescobrimento. Mas são ficcionais. O caso mais conhecido é o filme Thelma & Louise, de 1991. O grande filme dirigido por Ridley Scott  tem um componente de violência e fantasia que não se encontra nas histórias de mulheres reais. Márcio Markendorf, professor adjunto do curso de cinema da Universidade Federal de Santa Catarina, diz que as narrativas femininas modernas refletem o espírito do tempo, que se tornou muito mais favorável à liberdade e à autoexpressão das mulheres. Há mais histórias surgindo e elas se tornam mais visíveis. “Está ocorrendo uma passagem da personagem testemunha para a de heroína. Isso sublinha as conquistas éticas, estéticas e políticas das mulheres”, diz ele.

O momento não poderia ser mais oportuno. Elizabeth Cardoso, professora do programa de pós-graduação em literatura e crítica literária da PUC-SP, diz que existe uma demanda por histórias reais no cinema e na literatura. É parte da cultura de reality shows que se impôs nos últimos anos. “Todas as artes estão em diálogo com a realidade”, afirma. “Por esse caminho, a perspectiva feminina vem ganhando espaço.” O público, que vota com o bolso cada vez que entra no cinema ou compra um livro, aprova a tendência. O sucesso das narrativas femininas sugere que elas terão vida longa.

Poesia Nua

Folha Centro Sul Brasil



Todos sabem que escritores novos, sobretudo, os que se baseiam em revisionismo, em estudos críticos da história, da cultura, da filosofia, da arte em geral não tem vez com as grandes editoras e a máfia das livrarias no país que dão atenção quase que exclusiva a balélas intelectuais e a governistas.
No geral, quem não tem grana para publicar por conta própria precisa recorrer a patrocínios ou a medidas mais radicais como abaixo.
Brasil Notícias - Romper com as barreiras impostos pelo mercado editorial e com os múltiplos requisitos e exigências das iniciativas públicas e privadas de apoio à cultura. Com esse propósito, um  grupo de poetas de Brasília decidiu ir à luta.
"Após receber das editoras e editais alguns 'nãos' e vários “qualquer coisa a gente entra em contato”, 15 poetas de Brasília tomaram uma decisão inusitada: posar nus em um calendário para arrecadar fundos para publicar seus livros", escreveu a produtora do projeto, Marina Mara, no Facebook.
O projeto chama-se Poesia Nua e será lançado em Brasília no Lounge Poético, na próxima terça-feira (27), em um sarau erótico, onde os calendários serão autografados pelos “modelos”, inofrma Marina Mara.
"Os poetas do projeto têm entre 19 e 61 anos. São homens e mulheres com diferentes vivências, mas com algo especial em comum: o amor à poesia", destaca.
As artes gráficas e a produção do projeto são de Marina Mara, a poeta-pelada do mês de março que já tem um histórico em projetos inusitados de circulação de poesia pelo Brasil. Segundo Marina, “nossa poesia teve que se desnudar da burocracia do mercado literário para chegar até o leitor – e isso foi libertador.”
O calendário Poesia Nua contou com o apoio da WL Comunicação Visual, do Lotus SPA, da parceria da Mirah Fotografia e apresenta 15 ilustrações que mesclam a arte do renomado artista britânico Banksy com a fotografia das brasilienses Estefânia Dália e Sabrina Moura.
O Poesia Nua prevê, após arrecadar fundos, o lançamento de uma coletânea com 15 livretos com poemas dos poetas do projeto: Àgata Benício, André Giusti, Aurea Valentina, João Pacífico, Lindha Torres, Maísa Arantes, Mana Gi, Marina Mara, Melissa Mundim, Paula Passos, Prem Supunya, Seirabeira, Tairo Loiola, Tati Carolli e Vanderlei Costa.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

DEUS UM DELÍRIO Richard Dawkins


DEUS UM DELÍRIO
Num tempo de guerras e ataques terroristas com motivações religiosas, o movimento pró-ateísmo ganha força no mundo todo. E seu líder intelectual é o respeitado biólogo Richard Dawkins, eleito um dos três intelectuais mais importantes do mundo (junto com Umberto Eco e Noam Chomsky) pela revista inglesa Prospect. Autor de vários clássicos nas áreas de ciência e filosofia, ele sempre atestou a irracionalidade de acreditar em Deus e os terríveis danos que a crença já causou à sociedade. Agora, nesteDeus, um delírio, ele concentra exclusivamente no assunto seu intelecto afiado e mostra como a religião alimenta a guerra, fomenta o fanatismo e doutrina as crianças.
O objetivo principal deste texto mordaz é provocar: provocar os religiosos convictos, mas principalmente provocar os que são religiosos "por inércia", levando-os a pensar racionalmente e trocar sua "crença" pelo "orgulho ateu" e pela ciência.
Dawkins despreza a idéia de que a religião mereça respeito especial, mesmo se moderada, e compara a educação religiosa de crianças ao abuso infantil. Para ele, falar de "criança católica" ou "criança muçulmana" é como falar de "criança neoliberal" - não faz sentido.
O biólogo usa seu conceito de memes (idéias que agem como os genes) e o darwinismo para propor explicações à tendência da humanidade de acreditar num ser superior. E desmonta um a um, com base na teoria das probabilidades, os argumentos que defendem a existência de Deus (ou Alá, ou qualquer tipo de ente sobrenatural), dedicando especial atenção ao "design inteligente", tentativa criacionista de harmonizar ciência e religião.
Mas, se é agressivo para expressar sua indignação com o que considera um dos males mais preocupantes da atualidade, Dawkins refuta o negativismo. Ser ateu não é incompatível com bons princípios morais e com a apreciação da beleza do mundo. A própria palavra "Deus" ganha o seu aval na ressalva do "Deus einsteiniano", e o maravilhamento com o universo e com a vida, já manifestado em seus outros livros, encerra a argumentação numa nota de otimismo e esperança.

"Se este livro funcionar do modo como espero, os leitores religiosos que o abrirem serão ateus quando o terminarem." - Richard Dawkins

"Em Deus, um delírio, a debilidade intelectual da crença religiosa é desnudada sem piedade, assim como os crimes cometidos em nome dela." -The Times

"Este livro é um apelo declarado para que não nos acovardemos mais." - The Guardian

"Richard Dawkins é nosso ateu mais brilhante." - The Spetactor

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Prêmio Sesc de Literatura recebe inscrições de contos e romances

19/01/2015 11h55 - Atualizado em 19/01/2015 11h55

Prêmio Sesc de Literatura recebe inscrições de contos e romances

Interessados devem preencher formulário que está disponível no site.
Trabalhos não podem ter sido publicados nem mesmo na internet.

Do G1 Piracicaba e Região
As inscrições para o Prêmio Sesc de Literatura 2015 começam nesta segunda-feira (19). Podem concorrer nas categorias contos e romance escritores que moram no Brasil e tenham mais de 18 anos. Cada concorrente poderá participar com apenas uma obra por categoria. A inscrição pode ser feita pela internet.

O livro deve ser enviado em formato Word por meio de um formulário disponível no site. O candidato não pode assinar a obra com o nome verdadeiro e, portanto, deve adotar um pseudônimo. A inscrição gera um código identificador que permite ao inscrito acompanhar o processo de avaliação.
O livro deve ser inédito e não pode ter sido publicado nem mesmo na internet. A obra na categoria conto deverá ter entre 140 a 400 mil caracteres e na categoria romance entre 180 e 600 mil caracteres.  Os textos serão analisados por uma comissão julgadora composta de escritores, jornalistas, críticos literários e especialistas em literatura. E o resultado será divulgado em julho.

domingo, 18 de janeiro de 2015

PARA AONDE NOS LEVA ESTE MUNDO FLUTUANTE?


                    

Neste contexto atual do efêmero, do passageiro, onde nada mais é sólido nem permanente, contrariando o que é básico na existência humana, "o que fica e o que passa", estamos perdendo a nossa identidade, que sem dúvida, está nas origens da cultura da humanidade. Mas o pior é que perdendo os valores básicos perdemos também o que consideramos essencial para a convivência entre as pessoas na sociedade.
Hoje em dia a mentira, a injustiça a falta de solidariedade, o individualismo, e a mercantilização do ser, que valoriza mais o ter, estão obscurecendo tudo aquilo que antes nos dava segurança. Estamos flutuando na nuvem tecnológica, e, como toda nuvem, está sempre mudando de forma e lugar. E o que devemos fazer para resgatar o alicerce que está também ruindo? Apelar para a cultura talvez fosse a saída, se ela também não estivesse abalada, mal interpretada, usada como propaganda para obtenção de poder, e descartada como mercadoria de 1,99. Vimos, há pouco, que o primeiro pensamento da Ministra da Igualdade Racial, Nilma Lino Gomes, recém nomeada, foi o de querer banir a obra de Monteiro Lobato, que retrata a cultura da época, por considerá-la racista. Este exemplo pode parecer fora do contexto, mas não está. É a cultura que nos torna humanos, pois nascemos frágeis e dependentes dela, a fim de sobrevivermos no meio em que nos criamos. Para compreendermos os dias atuais é necessário estudar o passado e não solapá-los.
Não sei se ainda é de interesse nosso resgatar o que essa sociedade flutuante está demolindo. Se for, temos que dá início ao processo. Ou, então, abrir mão e partir para traçar outro destino, que nos privará do convívio saudável que nos faz solidários e felizes, dentro de um espaço real onde as cidades e as idéias se interligam. A geração de hoje, nascida e criada no intercâmbio das relações virtuais, talvez não perceba, ainda, que sob seus pés as raízes estão se transformando em areia movediça.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

O GLAMOUR DAS CADEIRINHAS DE ARRUAR

 

No século XlX   a cadeirinha de arruar* por muito tempo constituiu o único meio de condução, entre nós, nos ombros dos africanos. A princípio a cadeirinha era privilégio dos fidalgos, magistrados, médicos clínicos, professores notáveis, senhores de engenho, comerciantes,  vigários e cônegos, enfim, era um distintivo de abastança porque nem todos podiam manter certo número de africanos somente para o serviço da cadeirinha. Podia-se ver dezenas de cadeirinhas em ocasião de casamentos e batizados ricos conduzindo os noivos, padrinhos e convidados. Quatro carregadores (ou duas parelhas como se dizia na época), custavam um conto de réis.  A cadeirinha do potentado se destacava pelos trajes dos carregadores e pelas cores vivas: trajavam casaca de pano azul com portinholas, botões dourados ou encarnados; calças do mesmo tecido, agaloadas; chapéu alto de oleado com galão de ouro; colete de flanela clara com botões dourados e gravata de manta. A cadeirinha de arruar era muito usada pelas mulheres.  As senhoras com vestidos guarnecidos de ouro e prata, cheias de jóias, trazendo à cabeça chapelinhas* bem enfeitadas, prendiam as cortinas da cadeirinha para expor seu luxo e riqueza á curiosidade e admiração.

As senhoras ou jovens recatadas fechavam a cadeira para não  serem observadas
Posteriormente a cadeirinha foi perdendo o valor e os menos abastados puderam alugá-las.
A lei n. 223 de 3 de maio de 1845 concedeu privilégio por dez anos a quem quisesse estabelecer uma companhia de Ônibus( Gôndolas). 
Por muito tempo existiu uma certa repugnância por parte das senhoras em tomarem as gôndolas. Foi a condessa de Barral, ( paixão  do Imperador D. Pedro ll )  nobre dama de educação esmerada, a primeira mulher a se servir desse meio de condução, fazendo propaganda em seu círculo de amizade, conseguindo com isso vencer a resistência. Nas gôndolas só tinha ingresso as pessoas decentemente vestidas. Não se fumava nem havia rusgas com os condutores. 
Soldados, marinheiros e praça de polícia, embarcavam em vapores.


*  arruar quer dizer andar nas ruas.
**chapelinha - Chapéu baixo,de abas largas, enfeitado de flores ou plumas vistosas, para uso de senhoras em dias de festas.

Fonte: Manuel Querino -A Bahia de Outrora 
Ilustração - fotos google.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

A Literatura Luso-Brasileira.



por
Consuelo Pondé de Sena
Publicada em 13/01/2015 23:50:00
Ao aceitar como verdadeiro o conceito firmado por Antônio Soares Amora, somente com o Romantismo é que ocorre o início da nossa autonomia literária. Com efeito, essa afirmativa nos conduz a ideia de que, durante os séculos XVI, XVII e XVIII, luso-brasileira teria sido a nossa literatura. Esse conceito, contudo, é contestado por muitos autores que recuam essa posição com a produção dos poetas da “Inconfidência” que revelavam inquietações relacionadas com a realidade histórica brasileira e eram dotadas de espírito antilusitano. Advogou essa posição Joaquim Norberto de Sousa e Silva, simpático ao denominado “grupo mineiro”, defensor de uma posição nacionalista desses literatos.
Outros tantos autores enxergam uma unidade evolutiva da nossa cultura literária, entendendo que uma mesma base geográfica, étnica e linguística, definia a cultura dos séculos XIX e XX, o que convertia esses tempos à cultura das centúrias anteriores. Todavia, prevalece o juízo de que a primeira fase, compreendendo os três primeiros séculos, estava imerso na cultura clássica do mundo português, sendo, portanto, um quadro da literatura luso-brasileira, enquanto o segundo instante, que já abrange cento e cinquenta anos da história nacional, configura o painel da literatura brasileira.
Dessa forma, o conceituado intelectual português, o já citado Soares Amora, que tive o privilégio de escutar aqui na Bahia, entende que a literatura luso-brasileira teve vigência dos meados do século XVI (1549 em diante) e se prolonga até o começo do século XIX (1808), desde quando o Brasil esteve, inapelavelmente, subordinada à política imperial portuguesa, infensa às manifestações estrangeiras, direi mesmo, enclausurada pelo domínio português, que combatia as expressões regionalistas e separatistas, cujo caso emblemático é a Conjuração Mineira.
Para Soares Amora, o tipo de colonização lenta observada na América Portuguesa guardava relação com o interesse de Portugal pelas “atrações” do Oriente, observando-se no último quartel do século XVI, com o debaque do Império Oriental, uma perspectiva de compensação para o Brasil. A idéia foi frustrada por conta da crise vivida por Portugal em face da sede de conquista e domínio da Espanha, o que retardou o avanço do Brasil, porque a Portugal só interessava a sua independência política, reconquistada apenas em 1640. 
Dalí em diante, Portugal cuidava de sua Restauração, dela cuidando durante a segunda metade do século XVII. Se antes Portugal não manifestava grande interesse pelo Brasil, sempre relegado ao segundo plano, somente no início do Século XVIII voltou a tomar pulso no reerguimento de suas colônias, em face da perda do poderio no Oriente e na atração despertada pela descoberta das nossas minas de ouro. Desta maneira, deduz Soares Amora, houve no Brasil duas épocas históricas na Era Luso-Brasileira.
A primeira abrange os séculos XVI e XVII, vale dizer, o Quinhentismo e o Seiscentismo português, limitados pela baliza 1549/1724. Esse período abriga as cartas informativas do Brasil, do Padre Manuel da Nóbrega, escritas da Bahia, documentos que o ilustre estudioso português reputa da primeira manifestação literária em nosso meio. Data de 1724 a fundação da Academia dos Esquecidos (Bahia). A segunda fase, referente ao século XVIII, ou ao Setecentismo Portugûes, pode ser delimitada em torno dos anos 1724 e 1808.  Neste último ano, com a Transmigração da Corte Portuguesa para o Brasil, começa a se delinear o processo de autonomia política e cultural, em outras palavras, a Era Nacional da sua literatura, em função das reformas introduzidas pelo Príncipe Regente D. João, mais tarde, D. João VI, momento de relevante significado histórico de todos conhecido.
A Era Luso–Brasileira tem entre seus nomes de maior prestígio intelectual: o Pe. Antônio Vieira, Cláudio Manuel da Costa, Tomás Antônio Gonzaga e Gregório de Mattos. Nascido em Salvador em 1633, Gregório de Mattos era uma figura singular.   Repentista nato, tocador de viola, deixou sátiras que até hoje encantam. Versos que registram fatos da vida social e moral de Lisboa e da Bahia do seu tempo. Outro nome de destaque dessa época é Manuel Botelho de Oliveira, também nascido em Salvador, em 1936, cuja vida e caráter muito se distanciaram do seu contemporâneo, de quem foi colega no Colégio dos Jesuítas e na Universidade de Coimbra. Autor de Música de Parnaso, publicado em 1705, em Lisboa, poema em quatro línguas (português, castelhano, italiano e latim) e duas comédias imitadas do teatro popular espanhol, foi o primeiro poeta nascido no país a publicar suas poesias, de que muito se orgulhava. Também é autor do pouco lido poema: À Ilha de Maré.
Não se restringem apenas a esses nomes os representantes da literatura desse período, mas o espaço limitado não me permite fazer outras considerações.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Grandes nomes da literatura mundial e brasileira morreram em 2014



O ano de 2014 arrancou várias páginas importantes da literatura, páginas que jamais serão substituídas e que não serão esquecidas

Marcelo Brandão, Agência Brasil
Secretaria de Cultura/RJ
Poeta Manoel de Barros
Em 17 de abril, morreu um dos maiores nomes da literatura mundial. O colombiano Gabriel Garcia Márquez, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 1982, morreu em sua casa, na Cidade do México. Jornalista e escritor, tinha 87 anos e deixou como herança livros como O Amor nos Tempos do Cólera, Crônicas de uma Morte Anunciada e Cem Anos de Solidão, sua obra mais aclamada. O ano de 2014 arrancou várias páginas importantes da literatura, páginas que jamais serão substituídas e que não serão esquecidas. Ariano Suassuna, João Ubaldo Ribeiro, Rubem Alves, Manoel de Barros e Gabriel Garcia Márquez, todos eles se foram este ano, um ano implacável para quem gosta de se sentar ao lado da janela, acompanhado de um bom livro.
“Sonhei que assistia ao meu próprio enterro, a pé, caminhando entre um grupo de amigos vestidos de luto solene, mas num clima de festa”, escreveu Márquez no prólogo de Doze Contos Peregrinos. Sua visão de morte era fria, até certo ponto cruel. “Ao final da cerimônia, quando começaram a ir embora, tentei acompanhá-los, mas um deles me fez ver com uma severidade terminante que, para mim, a festa havia acabado. 'Você não pode ir embora', me disse. Só então compreendi que morrer é não estar nunca mais com os amigos”, concluiu após seu sonho.
No dia 18 de julho, o baiano João Ubaldo Ribeiro morreu em sua casa, no Rio de Janeiro, aos 73 anos. Membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), Ribeiro sofreu uma embolia pulmonar. Ele havia recebido, em 2008, o Prêmio Camões, concedido pelos governos de Portugal e do Brasil para autores que contribuem para o enriquecimento da língua portuguesa.
Em Viva o Povo Brasileiro, Ribeiro revive séculos de história do Brasil e tudo começa com uma frase, que se mostra justa, atemporal e cada vez mais apropriada aos dias de hoje. “O segredo da Verdade é o seguinte: não existem fatos, só existem histórias.”
“Li recentemente Viva o Povo Brasileiro. É um grande livro, nunca pensei que um livro me segurasse em 700 páginas sem entediar, sem se repetir. É um livro que todos deveriam ler”, disse o poeta cuiabano e radicado em Brasília, Nicolas Behr, à Agência Brasil.
No dia seguinte, o Brasil acordou com a notícia da morte de Rubem Alves, aos 80 anos. Além de escritor e pedagogo, Rubem Alves era poeta, filósofo, cronista, contador de histórias, ensaísta, teólogo, psicanalista, acadêmico e autor de livros para crianças. É considerado uma das principais referências no pensamento sobre educação e tem uma bibliografia com mais de 160 títulos distribuídos em 12 países.
“Muitos são os mosaicos que podem ser feitos com um monte de cacos. […] Coração bonito faz mosaicos e músicas bonitas. Os mosaicos e as sonatas são o retrato de quem os fez. […] Escolhi os cacos de que mais gosto para fazer o meu mosaico, o meu livro de estórias, a minha sonata, o meu altar à beira do abismo”, escreveu Alves em Perguntaram-me se Acredito em Deus.
No dia 23, morria outro imortal. Era a vez de Ariano Suassuna, idealizador do Movimento Armorial e autor de diversas obras, entre elas, Auto da Compadecida e Farsa da Boa Preguiça. Poucos autores amavam e difundiam o Brasil e a cultura brasileira como ele.
Nos últimos anos, Suassuna lotava teatros com sua “aula-espetáculo”. Depois de ouvi-lo por cerca de uma hora e meia, o sentimento era de orgulho de ser brasileiro, de fazer parte de uma cultura tão rica, diversa e criativa. A despedida do criador de personagens como João Grilo e Chicó foi cercado de emoção. Após desfile pelas ruas de Recife, cidade que o escritor paraibano adotou como sua, chegou o momento do adeus.
O enterro de Ariano foi repleto de amigos, admiradores e familiares. Dois de seus poemas foram lidos e aplaudidos pelas centenas de presentes. Ariano talvez não soubesse, mas esse momento já era professado em sua grande obra, Auto da Compadecida: “A história da Compadecida termina aqui. Para encerrá-la, nada melhor do que o verso com que acaba um dos romances populares em que ela se baseou […] E se não há quem queira pagar, peço pelo menos uma recompensa que não custa nada e é sempre eficiente: seu aplauso”.
Poeta de versos certeiros, Manoel de Barros encerrou a triste lista de 2014. Morreu aos 97 anos, devido a uma obstrução intestinal, em Campo Grande. Na opinião de Nicolas Behr, Manoel de Barros “sem sair de casa, fez uma revolução na linguagem, na poesia brasileira”.
Conhecido pela linguagem coloquial – à qual chamava de idioleto manoelês archaico - e por buscar inspiração nos temas mais simples e banais, Manoel de Barros dizia ser possível resumir sua trajetória de vida em poucas linhas. “Nasci em Cuiabá, 1916, dezembro. Me criei no Pantanal de Corumbá [MS]. Só dei trabalho e angústias pra meus pais. Morei de mendigo e pária em todos os lugares da Bolívia e do Peru. [...] Publiquei dez livros até hoje. Não acredito em nenhum. Me procurei a vida inteira e não me achei – pelo que fui salvo. [...]", escreveu.
Para Behr, todos esses nomes cumpriram sua missão na Terra. Sua fala não é de lamento ou tragédia. Está mais para um reconhecimento, um agradecimento por tudo que fizeram. “Todos eles tinham em comum o verbo compartilhar. Sentimentos, emoções, criações. Deixaram uma boa obra. Perda seria se não tivessem escrito nada. Tudo que nasce, cresce e um dia morre. A morte é o que nos iguala. Tentar solucionar o insolúvel, esclarecer o drama humano. Foi isso que eles deixaram. Eles tiveram essa grandeza de compartilhar, não guardaram para si”, disse.
O próprio Manoel de Barros já dizia: “O artista é erro da natureza. Beethoven foi um erro perfeito”. Precisamos de mais erros como os que nos deixaram em 2014.
* colaborou Alex Rodrigues