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terça-feira, 31 de dezembro de 2013

O Futuro do Livro - Robert Darnton



Publicado em 19/06/2012


Robert Darnton, diretor da biblioteca de Harvard, fala sobre o futuro do livro num mundo que observa a massificação da internet e a popularização dos leitores eletrônicos. Autor de A questão dos livros e a frente da Digital Public Library of America, iniciativa que deve disponibilozar online e de graça 2 milhões de livros a partir de 2012, o historiador fala também do papel que as bibliotecas devem assumir num futuro próximo.


Comente se você é a favor ou contra o livro tradicional

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Origem da comemoração do Ano Novo


 
O ritual de comemoração do Ano Novo teve uma origem diretamente ligada à natureza, aos ciclos celestes e lunares e à agricultura – daí a ideia de recomeço, preservada até os dias atuais.
A primeira comemoração ocorreu na Mesopotâmia por volta de 2.000 a.C. e era conhecida como "Festival de Ano Novo". Na Babilônia, a festa começava na primavera por ocasião do equinócio, ou seja: no ponto ou momento em que o Sol, corta o equador, fazendo com que os dias sejam iguais às noites.
Deus Juno
Os romanos foram os primeiros a estabelecerem um dia para a comemoração desta grande festa (753 a.C.).O ano começava em 1º de março, mas foi num decreto do governador romano Júlio César, que fixou o 1 de janeiro como o Dia do Ano-Novo trocado em 153 a. C., adotado em 46 a.C , e mantido no calendário juliano. O mês de Janeiro deriva do nome de Jano, o deus de duas faces (bifronte) - uma voltada para frente (visualizando o futuro) e a outra para trás (visualizando o passado) o deus dos portões, a quem os romanos dedicavam esse dia. O povo Romano adoravam vários Deuses, e não existe nenhum relato de que o povo Judeu, que viveu nessa mesma época, tenha
comemorado o ano novo, tampouco os primeiros cristãos.
Em 1582 a Igreja Católica consolidou a comemoração, quando adotou o calendário gregoriano criado pelo Papa Gregório VIII.
Alguns países comemoram em datas diferentes: Na China, por exemplo, a festa da passagem do ano começa em fins de janeiro ou princípio de fevereiro. Durante os festejos, os chineses realizam desfiles e shows pirotécnicos.
No Japão, o Ano Novo é comemorado nos três primeiros dias de janeiro.
A comunidade judaica comemora sua festa de Ano Novo ou Rosh Hashaná, - "A festa das trombetas" -, em meados de setembro ou no início de outubro e dura dois dias.
Os islâmicos celebra o Ano Novo em meados de maio. A contagem corresponde ao aniversário da Hégira (que em árabe significa emigração), cujo Ano Zero corresponde ao nosso ano de 622. Nesta ocasião, o profeta Maomé deixou a Cidade de Meca estabelecendo-se em Medina.


O termo Réveillon tem origem no verbo francês réveiller, "acordar", "deixar de dormir", do latim velare, "fazer vigília", de vigilare, "velar, cuidar, não dormir". Na França, o termo é usado mais comumente no Natal, mas também é usado no ano-novo como Réveillon de la Saint-Sylvestre, pois o dia 31 de dezembro é o dia de São Silvestre. No Brasil, o termo se popularizou para se referir à festa de ano-novo.Pular sete ondinhas e fazer sete pedidos assim que soa a meia-noite do Ano Novo é um costume brasileiro tão arraigado quanto vestir branco. A origem desses rituais está nas religiões africanas trazidas pelos escravos. O branco representa luz, pureza e bondade.

domingo, 22 de dezembro de 2013

Aniversário - Origem da palavra e suas comemorações



A palavra aniversário vem do latim anniversarius (anni = "ano" + vers = "que retorna" + arius = "data"), que significa "o que volta todos os anos" ou "o que acontece todos os anos"

A moda surgiu por volta de 3000 a.C. Tanto os egípcios quanto os gregos, que adotaram o costume, restringiam as comemorações apenas a seres superiores: faraós e deuses.
A prática de comemorar aniversários só se tornou comum no Ocidente no século 19, quando, na Alemanha, foi organizado um festival comemorativo coletivo.
. As pessoas acreditavam em espíritos bons e maus, às vezes chamados de fadas boas e más. Todos temiam que esses espíritos prejudicassem o aniversariante, de modo que ele ficava cercado de amigos e parentes, cujos votos de felicidade, e sua própria presença, o protegeriam contra os perigos desconhecidos que o aniversário natalício apresentava. Dar presentes resultava em proteção ainda maior. Dizer feliz aniversário aos amigos e pessoas queridas da família ou não era a maneira supersticiosa de protegê-los dos maus espíritos. O costume de acender velas nos bolos começou com os gregos. Bolos de mel redondos como a lua e iluminados com velas eram colocados nos altares do templo de Ártemis. As velas de aniversário, na crença popular são dotadas de magia especial para atender pedidos. A guarda de registros de aniversários natalícios era importante, nos tempos antigos, principalmente porque a data do nascimento era essencial para se fazer um horóscopo. “Os primeiros cristãos não celebravam o nascimento de Cristo porque consideravam a comemoração do aniversário um costume pagão.”* Eles provavelmente sabiam que as comemorações de aniversário natalício tinham ligação com superstições. Foi só no século 4 que a Igreja começou a celebrar o nascimento de Cristo, o Natal. Daí, ressurgiu o hábito de festejar aniversários e pouco a pouco foram surgindo as peças simbólicas: o bolo, as velinhas, o "Parabéns a Você" etc.
O "Parabéns a Você" surgiu em 1875. Na verdade, nesse ano as americanas Mildred e Patricia Hill criaram a melodia de "Good Morning to All", que, depois de mudanças aqui e ali, deu origem ao "Parabéns a Você", em 1924. A versão brasileira da música foi decidida em um concurso da Rádio Tupi-RJ, em 1942, vencido pela paulista Bertha Celeste Homem de Mello

* Do livro Birthday Parties Around the World (Festas de Aniversário em Todo o Mundo), 1967. dos antropólogos americanos Ralph e Adelin Linton.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

O teste para Papai Noel - Ficção


O alvoroço estava formado na porta do shopping. Ninguém sabia explicar o que estava acontecendo. O que se via era um grupo de Papai Noel falando alto, puxando a barba e apalpando a barriga um do outro, para constatar se era natural, gritando Ho-Ho-Ho, até que chegou um gordo, se dizendo o responsável e pedindo que fizessem fila para o teste:
- Vamos acabar com essa baderna. Não adianta discutir, só quem tem um bom currículo, saúde de ferro e  diploma de Papai Noel é que será aprovado. Só temos uma vaga e quem não preencher os requisitos será eliminado.
- Antigamente não pediam nada disso. Bastava ser velho, barrigudo e com barba branca. A gente só fazia o teste do ho-ho-ho e quem fizesse melhor era contratado. Agora com esse tal de currículo passa até travesti. Aqui mesmo tem um- disse o mais exaltado.
- Traveca? - gritaram todos.
- Isso mesmo. Mas não vou apontar, quero ver na hora do teste. A barba é postiça.
Dito isso todos riram e passaram a olhar e medir uns aos outros.

- Atenção,  quem chegou primeiro? Disse o responsável  dono da fila.

- Eu estou aqui desde as três da manhã, ficha número um.
- Muito bem, vamos entrar.
- O número 1 entrou e saiu depois de alguns minutos.
- Número 2! - gritou o responsável.
Todos queriam saber como foi o teste e ficaram a fazer perguntas ao número 1que acabara de ser entrevistado.
- Bem, me mandaram sentar numa cadeira de Papai Noel e, quando cruzei as pernas, ouví um baita grito "Não pode cruzar as pernas"-
Todos riram e disseram: então o traveco é você?
- Claro que não. Na hora do "ho-ho-ho" mostrei quem sou. Duvido que tenha alguém aqui que ganhe pra mim no ho-ho-ho.
-E o seu currículo? - perguntou o número 3.
- Ficou com eles. Sou experiente de muitos natais. Sei como me comportar e respondi bem às perguntas.
Por exemplo: que cuidados temos que ter com a criança na hora de tirar retrato no colo?
- Qual é?
-Não vou dizer. Você é meu concorrente. Ainda falei pra eles que na Inglaterra é proibido Papai Noel colocar criancinhas no colo. E eles nem sabiam disso. Tenho certeza que fui aprovado.
- Que mais eles perguntaram?
- O que fazer se a mamãe da criança também quiser tirar retrato com Papai Noel?
- E o que você respondeu.
- Bem, se for bonita pode até sentar no colo. Sorriram.
- Então, já perdeu no teste - falou o  ficha 4.
-Engana-se, até minhas bochechas eles examinaram e disseram que são vermelhinhas e naturais. Ninguém aqui tem bochechas vermelhinhas como as minhas.
 Só  o número 5 ficava calado sem perguntar nada, aguardando a sua vez.
Saiu o 2 e entrou o 3
- E aí companheiro? todos perguntaram.
- Alguém aí sabe falar mais de uma língua?
- Por quê? Perguntou o número 4
- Eles estão querendo saber.
- Você sabe?
- Aprendi algumas palavras em inglês no curso de Papai Noel de fins de semana.
- E você falou em inglês pra eles?
- Falei, mas eles fizeram careta. Acho que não entenderam nada.
- Sai o 3 e entra o 4
- E aí companheiro? perguntou o número 1
- Quem tem menos de 60 anos aí?
- Acho que ninguém, por quê?
- Quando eu disse que tinha 65, eles disseram que o rojão era para alguém com menos idade. Não querem mais os vexames de levar velhinho para emergência no final da jornada de trabalho.
- Então, não vai haver mais Papai Noel em lugar nenhum. E que mais?
- Falei que fazia exercício físico todos os dias e que tenho uma saúde de ferro.
-Isso é por causa do Papai Noel que teve um infarto no ano passado - disse o 2
- Se eu não for aprovado vou tentar as lojas do centro da cidade. Pagam menos mas é melhor que nada - disse o sessentão.
Sai o 4 e entra o 5.
- Que cara é essa, n°4?
- Vou processar o shopping. Fui vítima de racismo. Disseram que sou afro-descendente e que não era teste para aprovar um Pai Tomaz. Me humilharam.
- Pensando bem, todo Papai Noel tem bochechas rosadas e você nem bochecha tem. Tá mais pra Jesus Cristo - disse o número 1 rindo e todo vaidoso com as suas bochechas vermelhinhas.
- E as cotas não contam? Vou convocar todos os papais noés para um manifesto de rua.
- Cota? Era só o que faltava. Isso, aqui, não é vestibular, companheiro - disse o número 3.

Retorna o responsável e avisa:

- Estão dispensados, o número 5 foi aprovado. Sinto muito, mas, quem sabe no próximo ano.
Desolados, todos queriam saber o que o 5 tinha a mais e melhor que eles. Ficaram esperando que o aprovado saísse e desse uma explicação. Em vão. Aí surgiram vários boatos: pistolão, cartas marcadas etc.
- Bem que eu achei aquele cara estranho. Não falava nada, sempre escondidinho atrás daquela revista de propaganda do shopping - falou desconfiado o afro.
- Temos o direito de saber a razão - falou o número 1 das bochechinhas vermelhas.Vamos entrar. Com certeza ele ainda está na sala do gerente.

Quando escondidinho percebeu que a turma estava entrando, saiu ligeirinho pelos fundos da sala com ajuda do gerente.
No outro dia lá estava o escondidinho bem disfarçado de Papai Noel, na área externa do shopping, discursando e afirmando que nunca na história desse país os pobres tiveram um natal tão farto. Ho-ho-ho!


quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Meus Livros em Clube de Autores - Formato digital

http://clubedeautores.com.br
Meus Livros em Clube de Autores - Formato digital
Cover_front_smallOnde Estou? 

Darcy Nogueira Brito
Versão ebook: R$ 8,85
Avani é uma mulher que convive, dia e noite ,com o fantasma do mal de Alzheimer. Sua mãe foi vítima deste mal numa idade precoce e por este motivo ela acredita que herdou o gene da doença.Qualquer esquecimento temporário é motivo pra Avani se desesperar

Cover_front_smallA Rebelião do Melão Amarelão e seus Amigos 
Conto Infanto-Juvenil 
Darcy Nogueira Brito
Versão ebook: R$ 8,85
O Livro conta a história de uma rebelião liderada pelo Melão Amarelão para protestar contra o mal uso e maus tratos das frutas e legumes sofridas nos supermercados, pelos consumidores e repositores. Escrito de forma didática, a autora aproveita para dá noções de ciências naturais valorizando a importância das frutas, legumes e verduras na alimentação.

Cover_front_smallA escritora e o coveiro 
Uma escritora que procura um psicnalista para desvendar o mistério da morte sempre presente em suas histórias de ficção 
Darcy Brito
Versão ebook: R$ 5,53

Cover_front_smallO Bolo 
Conto 
Darcy Brito
Versão ebook: R$ 5,53
Uma dona de casa que é dada como sequestrada e de repente as pessoas se dão conta da sua importancia e o quanto era ignorada no dia-a-dia. O lar antes harmonioso de repente vira de cabeça para baixo Será que ela vai ser resgatada

Cover_front_smallO Baú do Vovô Pança 
Formato: A5
Conto Infanto-Juvenil 
Darcy Nogueira Brito
Versão impressa: R$ 21,26
Versão ebook: R$ 5,53
O livro narra um diálogo emocionante entre um garoto e seu avô,que relata episódios vividos quando criança, falando das brincadeiras de épocas passadas, ensinando e comparando-as com os dias de hoje. O baú, na verdade, são suas lembranças que ele vai descrevendo enquanto responde às perguntas do neto.

Cover_front_smallOs dois mundos de Prudencio 
Conto 
Darcy Brito
Versão ebook: R$ 5,53
Prudencio vive num mundo à parte, num self que não coaduna com a realidade ao seu redor. Difícil saber quando ele está sonhando ou acordado. Mas as suas reflexões traduzem muitas verdades que rondam seu imaginário.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Mitologia Grega - O Enigma da Esfinge


Decifra-me ou devoro-te! O enigma da Esfinge
A Esfinge foi um importante tema mitológico nas antigas civilizações do Egito e da Mesopotâmia. Possuía cabeça de mulher, corpo de leão e asas de águia. Conta uma lenda grega que essa figura monstruosa, enviada por Hades ou Hera, invadiu Tebas destruindo os campos e afugentando os moradores. A criatura propôs a se retirar do local se alguém conseguisse decifrar o seu enigma, porém aquele que não o decifrasse seria devorado – decifra-me ou devoro-te!. Seu Enigma era: "Que animal caminha com quatro pés pela manhã, dois ao meio-dia e três à tarde e é mais fraco quando tem mais pernas?" Édipo, filho do rei de Tebas e assassino inconsciente de seu próprio pai, solucionou o mistério, respondendo: "o homem, pois ele engatinha quando pequeno, anda com as duas pernas quando é adulto e usa bengala na velhice." Ao ver seu enigma solucionado a Esfinge suicidou-se, lançando-se num abismo, e Édipo, como prêmio, recebeu o Reino de Tebas e a mão da rainha enviuvada, sua própria mãe.

História de Édipo

Édipo nasceu em Tebas e era descendente de seu mítico fundador, Cadmos. Seu avô foi Labdacos (o "coxo") e seu pai foi Laios (o "canhoto").
Laios casou-se com Jocasta e teriam sido felizes como reis de Tebas se não fosse um problema: não conseguiam ter filhos. Por essa razão, muito religiosos, foram consultar o Oráculo de Delfos.
No templo, a pitonisa délfica revelou que teriam um filho dentro de pouco tempo, mas que ele estava destinado a matar o pai e casar-se com a mãe.
Eles se alegraram pelo filho. Quando ele nasceu, Laios lembrou-se do oráculo e mandou os servos matarem o bebê.
Levaram-no para uma a floresta, furaram-lhe os pés e o amarraram de ponta cabeça em uma árvore para ser devorado pelos animais selvagens.
Passaram por ali uns pastores de Corinto e o levaram. Deram-no aos reis de Corinto, que também sofriam por não ter um filho. O rei e a rainha adotaram-no como se fosse seu, e lhe deram o nome de Édipo, que quer dizer "pés furados".
Quando cresceu, Édipo começou a sentir-se diferente dos seus concidadãos e foi consultar o Oráculo de Delfos. Aí soube que estava destinado a matar o próprio pai e a casar-se com a mãe. Horrorizado, decidiu não voltar a Corinto, Pegou o carro e foi para bem longe.
Em uma estrada estreita, nas montanhas, encontrou um carro maior na direção contrária. Tentou desviar-se mas os carros acabaram chocando-se de raspão. O cocheiro do outro carro xingou Édipo que, revoltado, o matou. Então o patrão do cocheiro avançou sobre Édipo, que o matou também. E continuou a viagem.
Chegou a Tebas e encontrou a cidade consternada por dois problemas: o rei tinha morrido e um monstro, a Esfinge, estabelecera-se na porta da cidade propondo um enigma. Como ninguém sabia responder, a Esfinge ia matando um por um. Jocasta tinha oferecido sua mão a quem livrasse a cidade desse monstro.
Édipo foi enfrentar a Esfinge. Era um ser estranho, com corpo de leão, patas de boi, asas de águia e rosto humano. Seu enigma: O que é que tem quatro pés de manhã, dois ao meio dia e três à tarde?
Édipo respondeu que era o homem, porque engatinha quando criança, passa a vida andando sobre dois pés mas,velho, tem que recorrer a uma bengala. A Esfinge matou-se e Édipo, casando-se com Jocasta, tornou-se o rei de Tebas.
Tiveram quatro filhos. Os gêmeos Eteócles e Poliníces, Antígona e Ismênia. Foram felizes durante muitos anos. Mas, depois, uma peste assolou a cidade.
Édipo quis ir consultar Delfos, mas foi aconselhado a chamar Tirésias, um velhinho cego e sábio que vivia em Tebas. Este revelou que a causa era o assassino de Laios, que continuava na cidade. Édipo prometeu prendê-lo e matá-lo, mas o sábio revelou que ele mesmo era o assassino, porque Laios era o dono do carro que ele enfrentara.
Jocasta, envergonhada, suicidou-se. Édipo furou os próprios olhos e renunciou ao trono. Cego, precisou ser guiado por Antígona para ir a Delfos. Aí soube que devia ir a um bosque sagrado, em Colonos, perto de Atenas. Ajudado por Teseu, rei de Atenas, chegou lá. Encontrou um lago, onde tomou banho, e uma caverna, onde penetrou depois de mudar de roupa. Entrou na eternidade.


Mitologia Grega, conjunto de crenças e práticas ritualísticas dos antigos gregos, cuja civilização formou-se por volta do ano 2000 a.C. É composta basicamente de um conjunto de histórias e lendas sobre uma grande variedade de deuses. A mitologia grega desenvolveu-se plenamente por volta do ano 700 a.C. Nessa data já existiam três colecções clássicas de mitos: a Teogonia, do poeta Hesíodo, e a Ilíada e a Odisseia, do poeta Homero.
A mitologia grega possui várias características específicas. Os deuses gregos assemelham-se exteriormente aos seres humanos e apresentam, ainda, sentimentos humanos.
A mitologia grega enfatizava o contraste entre as fraquezas dos seres humanos e as grandes e aterradoras forças da natureza
.O povo grego reconhecia que suas vidas dependiam completamente da vontade dos deuses. Em geral, as relações entre os humanos e os deuses eram amigáveis. Porém, os deuses aplicavam severos castigos aos mortais que revelassem conduta inaceitável, como orgulho complacente, ambição extrema ou prosperidade excessiva.

domingo, 8 de dezembro de 2013

Marcel Proust -100 anos de "No caminho de Swann" - primeiro volume de Em busca do tempo perdido

Marcel Proust nasceu em Auteuil, subúrbio de Paris, em 1871. De saúde frágil, teve uma infância cheia de cuidados. Durante a adolescência, viveu nos Champs-Élysées, em Paris, onde o ar saudável lhe ajudava a diminuir os efeitos da asma.

Em 1891, ingressou na Faculdade de Direito da Sorbonne; preparou-se para seguir a carreira diplomática, da qual desistiu para dedicar-se à literatura. Seus primeiros escritos datam de 1892, quando, com alguns amigos, fundou a revista Le Banquet. A seguir, passou a colaborar em La Revue Blanche, freqüentando ao mesmo tempo os salões aristocráticos parisienses, cujos costumes forneceram material para sua obra literária, iniciada com Os Prazeres e os Dias (1896).
A morte da mãe, em 1905, fez dele herdeiro de uma fortuna razoável. Com a saúde cada vez mais debilitada, Proust acaba isolando-se dos meios sociais para dedicar-se exclusivamente à criação de Em Busca do Tempo Perdido, (do francês "À la recherche du temps perdu")  uma obra romanesca publicada entre 1913 e 1927, em sete volumes.No caminho de Swann, foi primeiro volume de Em busca do tempo perdido, editado há exatos cem anos.
Uma de suas ideias mais originais, porém, é a distinção entre memória voluntária e involuntária. Para Proust, não é possível acessar o próprio passado por meio da inteligência. Só a memória involuntária, disparada por algum elemento, é capaz de recuperá-lo. Daí a cena clássica da Madeleine. Ao mergulhar o doce numa xícara de chá e prová-lo, o protagonista relembra toda a sua infância na cidade fictícia de Combray.
O livro de Marcel Proust havia sido recusado por várias editoras, inclusive a NRF, casa editorial da revista Nouvelle Revue Française, editada por Gaston Gallimard (1891-1975) e Andre Gide (1869-1951). Proust teve de bancar a publicação, que saiu pela editora Bernard Grasset.
Os sete volumes que constituem a obra são (os títulos em português são os da edição portuguesa da Relogio d'Água publicados entre2003-2005 numa tradução de Pedro Tamen):
- Du côté de chez Swann (No caminho de Swann 1913)
- À l'ombre des jeunes filles en fleurs (À sombra das raparigas em flor, 1919), recebeu o prémio Goncourt desse ano)
- le Côté de Guermantes (O caminho de Guermantes, publicado em 2 volumes de 1920 e 1921)
- Sodome et Gomorrhe (Sodoma e Gomorra, publicado em 2 volumes em 1921-1922)
- la Prisonnière (A prisioneira, publicado postumamente em 1923)
- Albertine disparue (A Fugitiva - Albertine desaparecida, publicado postumamente em 1927) (título original: La Fugitive)
- le Temps retrouvé (O tempo reencontrado, publicado postumamente em 1927)

Proust é considerado como o primeiro autor clássico de seu tempo), "Em busca do tempo perdido" se classifica entre as maiores obras da literatura universal.

A tradução brasileira foi feita por Mário Quintana, o primeiro volume em 1948, o segundo em 1951 e os demais durante a década de 1950, e editada pela Editora Globo de Porto Alegre. Uma das traduções portuguesas é de Pedro Tamen, pela editora Relógio d'Água e Círculo de Leitores de Lisboa, entre 2003 e 2004.

Proust morreu em Paris, em 1922.

                                  Algumas frases de Marcel Proust

- "Os verdadeiros paraísos são os paraísos que se perderam."

- "A viagem da descoberta consiste não em achar novas paisagens, mas em ver com novos olhos."

- "A felicidade é salutar para o corpo, mas só a dor robustece o espírito."

- "Aquilo que se aproxima não é a comunhão das opiniões, mas a consanguinidade dos espíritos."

- "Para tornar a realidade suportável, todos temos de cultivar em nós certas pequenas loucuras."

 -"O amor é uma doença inevitável, dolorosa e fortuita".

 -"Tudo o que foi prazer torna-se um fardo quando não mais o desejamos".


domingo, 24 de novembro de 2013

Lançamento do livro "Onde Estou"?

Darcy Nogueira Brito lança novo livro na Galeria de Arte de Leonel Mattos no Salvador Shopping
O livro” Onde Estou”? Um conto que aborda o problema do mal de Alzheimer.
Sinopse:

  O livro Onde Estou? Editado pela Usinas de Letras, da escritora Darcy Nogueira Brito, será lançado, dia 1º de dezembro, a partir das 16 horas, na Galeria Leonel Mattos, no Shopping Center Salvador. O livro relata o drama de uma mulher que convive, dia e noite, com o mal de Alzheimer. A personagem é Avani cuja mãe foi vítima desta doença numa idade precoce, e por este motivo acredita que herdou o gene do Alzheimer. Qualquer esquecimento temporário é motivo para Avani se desesperar. A escritora Darcy Nogueira Brito aborda o problema de uma forma científica, leve e otimista.


   Darcy Nogueira Brito é formada em História Natural pela Faculdade Ciências e Letras da UFBa., com pós graduação em  Saúde Pública. Foi professora de Biologia do Colégio da Bahia  (Central) por vários anos, atualmente aposentada. É autora de vários livros publicados entre eles romances, contos e histórias infanto-juvenis. Em suas obras costuma explorar temas polêmicos do cotidiano de uma forma leve e recheada de informações sobre o tema central. Uma característica de seu estilo é sempre deixar um final em suspense a ser imaginado pelo leitor.

Este livro já se encontra em formato digital em   http://clubedeautores.com.br e em livrarias.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Revendo o uso do Eletrochoque


foto Google


A Revista Ciência Hoje de Novembro de 2013, traz um artigo muito importante sobre o uso do eletrochoque ou eletroconvulsoterapia (ECT), no tratamento da depressão, sendo considerada a melhor opção terapêutica nos casos mais graves da doença.
Diz a revista que este método, que já foi aplicado erroneamente,  causou muito medo e sofrimento, e, por isso, há um preconceito muito grande em relação ao uso do ECT geralmente associado a cadeira elétrica, tortura política, muito divulgada na mídia e ao próprio termo 'eletrochoque'.
 Atualmente o método de aplicação do ECT evoluiu muito. Está mais seguro, não traz nenhum tipo de sofrimento ao paciente, não causa danos ao cérebro e pode ser usado até por grávidas, por não trazer risco ao feto nem indução de aborto.Só é contraindicado quando há aumento de pressão intracraniana, arritmias cardíacas graves e e infarto do miocárdio recente.  Hoje em dia está sendo usado em diversos centros universitários e clínicas especializadas no mundo, inclusive no Brasil. O desconforto psicológico do paciente é abolido ou minimizado com o uso de anestésico. As indicações para o uso do ECT são: tentativa ou ideia prevalente de suicídio; depressão grave;esquizofrenia refratária- ou seja, que não responde a medicamentos e tratamentos convencionais; síndrome catatônica (quadro marcado por imobilidade, mutismo, e falta de reação a estímulos externos).
 O uso do ECT foi feito pelos médicos italianos Ugo Cerletti (1877 - 1963) e Lucio Bini (1908-1964). Até o final da década de 60, o ECT era considerado a única terapia biológica eficaz no tratamento de muitos transtornos psiquiátricos mais graves. No entanto, com o sucesso progressivo dos medicamentos psicotrópicos seu uso foi diminuindo ficando reservados a quadro mais graves e específicos - em geral, relacionados à depressão. Essa subutilização se deve a vários fatores: Movimento Antipsiquiátrico da década de 60 contra o ECT; casos de abusos médicos no uso do ECT sem indicações precisas ou como método errado de sedação do paciente; crenças infundadas de que o ECT causaria danos irreversiveis ao cérebro.

Há alguns dias, a novela Viver a Vida mostrou um episódio em que a personagem Paloma é submetida a um tratamento com eletrochoque, numa clínica tida como ultrapassada e sob suspeitas. Cenas como essas, divulgadas na mídia, nos deixa temerosos e em dúvida a respeito dos tratamentos psiquiátricos. (nota da autora)

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Reflexão sobre a Morte

                                                       ( baseado no artigo sobre a Necessidade de Morrer, da Revista Filosofia Ciência e Vida nº87)
Foto Google

Você tem medo de morrer?

É claro que sim, você vai responder. Este é um sentimento da maioria dos humanos. A morte é o desconhecido que ninguém quer apostar para ver, por mais aventureiro que seja, pois sabe que não irá testemunhar nem descrever o que viu. Pelo menos conscientemente. De acordo com Epicuro* não devemos nos importar com a morte porque “enquanto eu sou a morte não é; e, quando ela for, eu já não serei”.
Este medo acomete a todos, principalmente nas culturas ocidentais. Mas sabemos que a morte é certa, que faz parte da vida tanto quanto o nascimento. Há quem imagine uma vida eterna, uma imortalidade; mas morrer é preciso, para haver o equilíbrio da vida. O medo da morte origina-se da mítica bíblica que trata a morte como punição. Segundo Norbert Elias (1897- 1990) “No paraíso, Adão e Eva eram imortais, mas Deus os condenou à morte porque Adão, o homem, violou o mandamento do pai divino”. Nossa existência tem duração limitada e somos obrigados a encarar o fato. Hoje em dia, com o desenvolvimento da ciência tecnológica e a promessa de vida mais longa, nos afastamos do sentimento de finitude da vida. Não apenas isto, mas também por isto, anseia-se por uma juventude eterna, uma beleza eterna, uma saúde eterna. Há um excesso de narcisismo, um temor de envelhecer, gerado pelas mudanças na sociedade, que foca no aqui e agora e a velhice é encarada como algo negativo. Bombardeados por todos os lados pelas propagandas midiáticas criamos ilusões de imortalidade e nos afastamos da real finitude da vida.
Na Antiguidade greco-romana, na era do paganismo**, havia uma relação mais próxima entre a vida e a morte. O ancestral sepultado no pedaço de terra tornava essa terra sagrada, o húmus era devolvido ao local de onde retornara, havendo aí uma supervalorização da morte.

“Com o surgimento do Cristianismo a morte passa a ser substituída pela vida. No paganismo havia o direito de morrer, já com a religião cristã surge a sacralidade da vida, pois a vida é concebida como um dom de Deus e, por isso, deve ser preservada. Na Modernidade essa visão ganhou ênfase ao ponto de privilegiar a vida em detrimento da morte. No pensamento do filósofo René Descartes (1561- 1626) e de Francis Bacon, o mundo é visto “nu”, sem Deus, o homem se percebe capaz de realizar uma dominação de tudo aquilo que está ao seu redor, controlando os fenômenos da natureza.  Segundo o historiador Philippe Áries (1014-1984), o ser humano ocidental afastou e expulsou a morte do seu cotidiano, vista como uma coisa anormal.”(Sobre a necessidade de Morrer, revista Filosofia Ciência e Vida,nº87)

Mas a morte em si não é problema e deve ser vista sem surpresa, como algo corriqueiro, muito embora não seja fácil pensar nos deparando com ela. Estamos caminhando ao seu encontro e ela ao nosso. Podemos tentar retardar, andando mais devagar, porém, nunca imaginar que vamos evita-la para sempre. E, a partir daí, projetar melhor a existência.

*Epicuro de Samos (341 a.C.-270 a.C.) foi um filósofo grego do período helenístico. Seu pensamento foi muito difundido e numerosos centros epicuristas se desenvolveram na Jônia, no Egito e, a partir do século I, em Roma, onde Lucrécio foi seu maior divulgador. Wikipédia


** Paganismo - origina-se da palavra pagus, que significa pedaço de terra onde se plantava, na Antiguidade.

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

NÃO ME DESCONGELEM - O Embrião que não queria nascer - Miniconto interativo

Darcy Brito



A inquietação no contêiner de nitrogênio liquido, onde estavam os embriões crio preservados, era grande. Assim que percebiam  alguém prestes a escolher o futuro bebê, ficavam curiosos para saber de quem seriam filhos e em que país iriam parar. Então começavam a discutir uns com os outros, ansiosos para sair daquele lugar frio e desolado, mas não queriam uma mãe ou um lugar qualquer, afinal depois de tanto tempo esperando para serem removidos, daquele laboratório gélido, queriam ao menos um bom destino.
Havia, no meio deles, um líder, como é normal em todo ambiente de insatisfação. E esse líder tentava convencer a todos que era melhor ficar congelado que enfrentar um mundo lá fora tão hostil.

- Vocês não sabem o que lhes espera lá fora!
- E se.....
- E se o quê?
- Se for um lugar legal?

- Muito difícil nos tempos modernos.  Os embriões deveriam poder fazer suas escolhas, mas infelizmente isso é impossível até mesmo pelas vias naturais. Não podemos escolher as coisas mais importantes da nossa vida: os pais que temos, o sexo, o lugar onde nascemos etc. Mas acho que existe alguns que rejeitam a receptora e por isto preferem não nascer.

- Confio na sorte, tenho tudo para ser o escolhido, boa genética na ficha. Se lá fora for bom mando lhe dizer, prometo companheiro.

- Nem quero saber. Seja lá onde for vamos ter que batalhar muito para sobreviver.

- Mas dizem que é uma beleza: tem mar, tem flores, rios, árvores, animais.

- Até aí tudo bem. Mas tem gente de toda a espécie querendo sobreviver e você vai ter que competir, batalhar pelo pão de cada dia. E as doenças? Cada uma pior que a outra. Sem falar que temos que tomar banho todos os dias, fazer xixi, cocô etc...Se dermos sorte poderemos ficar ricos, mas dinheiro sempre vem acompanhado de preocupações com o seu uso. Se você se casar e separar terá que dividir tudo com mulher e filhos, e aí vem uma briga danada pela divisão dos bens. Pior é ser alvo de assaltantes, morrer assassinado, já pensou? Mas ser pobre não é lá coisa muito boa e no final ninguém escapa da morte, tô fora, enquanto estiver aqui não nasço nem morro, porque ainda não tenho vida de gente.

- Bobagem, poder ter a vida compensa tudo. Não quero ser jogado no lixo.

Aí, a força de vontade propulsora falou mais alto, e lá se foi o embrião, que queria ser descongelado, parar no país da fantasia. Sabe qual?

Bem amigos, vamos interagir?
O que vocês acham que aconteceu? O escolhido vai gostar ou se decepcionar com o lugar onde nasceu?
E o que não quis nascer, vai se arrepender?

Também é permitido mudar o final da história: escolher o sexo, o país, os pais e até dá um nome ao personagem.
Se quiser pode desenhar também.












sexta-feira, 18 de outubro de 2013

A vez do Cobre como Vilão do Alzheimer

Tubulação de cobre
Placa de beta-amilóide
Apesar do cobre ser um elemento químico que exerce um papel importante no organismo, como formação de tecidos, condução de sinais nevosos, secreção de hormônios, crescimento de ossos e etc., não se sabe ainda qual  o nível correto para o seu uso. Experimentos feitos em camundongos pela equipe do Centro Médico da Universidade de Rochester (EUA), concluiu que o cobre é um dos principais fatores ambientais responsável não só para iniciar o Alzheimer como, também, para aumentar a sua progressão. Isto porque ao se acumular no cérebro ele danifica o mecanismo cerebral que anula a ação da proteína beta-amilóide, placas encontradas em cérebro de pacientes com Alzheimer que é uma das marcas da doença. A proteína "faxineira"LRPl localizada na parede dos vasos sanguíneos cerebrais,  gruda na beta-amilóide e a expulsa do órgão. E é justamente nesta região que se acumula o cobre, que acaba por danificar (oxidando) as faxineiras LRPl  fazendo com que a beta-amilóide se acumule permitindo que o cobre e outros elementos furem o bloqueio das LRPl e cheguem ao órgão. Aí chegando o cobre aumenta a produção de bete-amilóide e danifica o  processo de limpeza promovendo a aglutinação da beta-amilóide e inflamação do órgão.
Desta forma, se o cobre for realmente um dos fatores ambientais que desencadeiam o mal de Alzheimer e o fazem prosperar, evitá-lo ficará difícil, isto porque este metal está presente em frutas, carnes vermelhas, sementes ( nozes, avelãs, castanhas etc) frutos do mar, vegetais, água e bebidas alcoólicas que  tenham contato com tubulações de cobre. Encontrar o equilíbrio entre o pouco é o muito é o recomendável pelos autores da experiencia. Tem pessoas que gostam de usar os chamados tachos de cobre para confecção de doces, e vale lembrar que o alumínio já foi também o vilão em hipóteses como estas, aos poucos descartadas, e muita gente deixou de cozinhar em panela com este metal.
(Resumo do artigo de Neurociências publicado na Revista Ciência Hoje, outubro 2013)

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Luz de Inverno - Filme belíssimo de Ingmar Bergman - 1962

Com a paranoia de uma iminente guerra nuclear um pescador se mata  quando descobre a existência da bomba atômica na China.O  pároco fica com sentimento de culpa por não ter podido evitar o suicídio. Onde estava Deus diante da tragédia?
O questionamento sobre a existência de Deus. O sofrimento da vida se tornaria mais compreensível se Deus não existisse?
E o que foi maior, o sofrimento físico de Cristo na cruz ou seu sofrimento por se sentir abandonado por Deus? Pergunta feita ao pároco pelo deficiente físico e  ajudante de missa.
A crise de fé do padre, que se ordenou depois que ficou viúvo e triste e não consegue segurar seus fiéis na sua igreja, num pequeno lugarejo frio.
E a paixão de uma professora solteirona pelo pároco e que não acredita na  fé dele em Deus.




terça-feira, 24 de setembro de 2013

O Caruru dos Mabaços


De repente me veio a lembrança de um tempo em que os devotos de Cosme e Damião festejavam o seu dia, 27 de Setembro, com um animado Caruru. Por toda a redondeza não se falava em outra coisa. Havia festa, principalmente nas casas onde tivesse gêmeos, e esta era o caso da minha. É nesta festa que eu entro com minhas lembranças de criança. O fato de ter irmãos gêmeos nos dava o direito, ou quem sabe o dever, de festejar o aniversário deles como mandava o preceito. Os "mabaços'', como os chamava minha avó, eram como enviados de Deus, e não se media esforços para festejar este dia, a começar pela missa a São Cosme e São Damião, logo de manhã, na Capela do bairro, missa especial para eles. Ganhávamos  roupas novas e quando voltávamos da missa já encontrávamos a casa com as ajudantes para cortar os quiabos. Eram as vizinhas que faziam questão de ajudar na cozinha neste dia. Meu pai, que não era nem exatamente católico nem evangélico, criticava dizendo que Cosme e Damião nunca foram irmãos e sim amigos, e que caruru era apenas uma comida de origem africana. Mas ninguém dava ouvidos. O bom mesmo era a preparação, o falatório e a festa dançante. Mesmo os que não eram convidados se infiltravam, com a desculpa de que eram devotos dos santos. O preceito mandava que se pedisse, durante a semana que antecedia a festa, uma tal de esmola para os santos, na redondeza, com a imagem de Cosme e Damião dentro de uma caixa enfeitada com flores, tarefa dada às crianças do bairro.Era uma algazarra. Tinha meninos que roubavam as moedas dos outros "pedintes" para não voltar sem nada, pois não era todo mundo que acreditava na veracidade dos pedidos. Porém, a lembrança mais forte que tenho desta época aconteceu  num caruru de uma vizinha em que  fui escolhida para fazer parte dos sete meninos do preceito. Sem saber, aceitei, e quando dei por mim estava sentada com mais seis crianças em volta de uma bacia cheia de caruru e todos comendo com as mãos diretamente, fazendo a maior meleira. Fiquei com nojo e não quis comer, mas permaneci olhando. Quando voltei, para o meu lugar, estavam servindo aos convidados, num prato separado, o caruru arrumadinho. Passaram por mim e disseram: você já comeu . Meus irmãos menores, que não participaram do preceito e sabiam da minha decepção, ficaram rindo de mim, que estava com água na boca. Voltei pra casa sem comer, nunca esqueci.

Hoje em dia quase não vemos este tipo de festejo. "Os católicos, que faziam caruru, viraram crente", como bem falou minha empregada, que já ganhou muito dinheiro, segundo ela, para cortar panelões de quiabos quando menina. Mas, apesar de não ter religião, eu sempre faço um caruru, sem preceitos, que aprendi com minha avó, atendendo a pedidos de casa. Um dos irmãos gêmeos já é falecido e, talvez por isso, a gêmea com ele não goste de festejar o "dia dos mabaços", como dizia minha avó.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Fique por dentro da notícia







                                                             Atenção




           
 Agora você pode ficar sabendo o que sai nos jornais acessando
                           
http://culturice.blogspot.com.br/

clicando na coluna de notícias ao lado.  
Ciência, Globo,  Folha de S. Paulo, Veja




terça-feira, 17 de setembro de 2013

Sabe o que é Transhumanismo?

                                                                                                    
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Resumo do artigo  de Fred Furtado "O Futuro Transumano"', da Rvista Ciência Hoje, número 307, RJ  

Melhoramento físico e cognitivo dos humanos por meio de novas tecnologias.
É o movimento que defende que a forma atual do ser humano não representa o fim do nosso desenvolvimento, mas sim uma fase relativamente precoce. Ou seja, assim como usamos métodos racionais para melhorar as condições sociais e o mundo externo, também podemos utilizar novas tecnologias para o melhoramento físico e cognitivo dos humanos, sem necessariamente estarmos limitados a meios tradicionais como educação e desenvolvimento cultural.
Os bioconservadores, que se opõem aos transumanistas, acham que isto é uma nova versão da eugenia, movimento da primeira metade do século 20, que procurava a melhora da espécie humana pela promoção da criação de indivíduos considerados ‘aptos’, dificultando a de pessoas não dotadas de qualidades ‘positivas’, como portadores de deficiências físicas e mentais, homossexuais, certas etnias, entre outros, cujos métodos da prevenção incluíam esterilização compulsória, abortos forçados, segregação racial, eutanásia e extermínio em massa (com genocídio de milhões de judeus e ciganos na Alemanha nazista).
Porém, os transumanistas negam essa aproximação com a eugenia. Eles afirmam que o transumanismo defende os princípios da autonomia do corpo e da liberdade procriativa e ninguém deve ser forçado a usar qualquer tipo de tecnologia. Diagnósticos genéticos pré implantação (PGD em inglês) é uma técnica que permite selecionar embriões que não tenham genes relacionados a doenças, como, por exemplo, a fibrose cística. Esta é uma aplicação justificada, pois aumentaria a probabilidade de uma criança ter uma vida saudável e feliz. O filósofo australiano Julian Savulescu, diretor dos centros de Ética Prática e de Neuroética da Universidade de Oxford, denomina isso de ‘beneficência procriativa’. Embora a decisão deva ser dos pais, seria incorreto não tomar precauções razoáveis para garantir que a futura criança tenha uma melhor vida possível, assim como seria errado não obter o melhor tratamento para um filho doente. Mas, existem casos em que o próprio filósofo Savulescu se contradiz, como a questão das norte-americanas Sarah Duchesneau e Candy McCullogh. Surdas, em 2002 usaram o esperma de um amigo com surdez hereditária para ter um filho surdo. O filósofo australiano não vê problemas éticos na decisão: “A beneficência procriativa é um princípio moral que nos diz o que devemos fazer. Mas a autonomia procriativa é um princípio legal – devemos nos reproduzir da maneira que desejarmos, desde que não causemos danos a outros”. Embora considere a surdez como uma deficiência, Savulescu acha que sua opinião não deve ser imposta a outros. Não se pode permitir que pais surdos destruam a audição de seus filhos para torná-los surdos também. Portanto, o problema é complexo. 
Outros problemas que os opositores alegam é o aumento da desigualdade social e polarização na sociedade. Mas, para o cientista da computação Fábio Gandour, chefe de pesquisa da IBM Brasil, "isso não é tão assustador quanto parece. Seremos mais competitivos no futuro, é certo, assim como é hoje ter um tablet mais novo,  e será assim com os implantes". Mas por enquanto o objetivo é a terapia: permitir que as pessoas com deficiências ou doenças degenerativas possam ter uma vida similar a de pessoas sem esses problemas.
Para o físico Luís Alberto Oliveira, do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) essas mudanças suscitarão a discussão do que se entende por normalidade: "Num horizonte mais distante nos questionaríamos sobre  qual é o limite entre o natural e o artificial". Os desafios éticos dirão se o futuro será bom ou mau.                                                                                       

- Para ler mais http://humanityplus.org/philosophy/transhumanist-faq/

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

De Anticorpos e Polícia

foto google
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A qualquer hora que ligamos a televisão vemos manifestações de rua com vândalos em confronto com a polícia e, logo depois, depoimentos criticando a ação dos policiais. Ora, o papel da polícia é contra-atacar. Se o patrimônio público está sendo depredado, se as pessoas não estão tendo a liberdade de ir e vir, e correndo risco de vida é de se esperar que haja reação policial. Sabemos que em nosso corpo existe um mecanismo de defesa natural que age contra o inimigo invasor, são os anticorpos. Se estamos correndo risco de vida eles entram em ação. São os nossos “soldados”.O sistema imunológico é a polícia do nosso corpo, composto por células e moléculas que “patrulham” o organismo com a intenção de nos defender de “invasores” externos (bactérias, fungos, vírus, protozoários e até mesmo venenos). Quando um destes invasores entra no seu corpo, começa uma guerra. Algumas vezes eles erram na interpretação, causando prejuízo à saúde. Mas nem por isso devemos generalizar e eliminá-los, caso contrário, estaremos sujeitos a ataques sem que tenhamos nenhuma defesa. Demonizar a polícia é o mesmo que querer eliminar os nossos anticorpos. Os métodos podem não agradar e causar efeitos colaterais, assim como acontece quando somos submetidos ao ataque e defesa entre corpos estranhos e anticorpos. Ruim com eles pior sem eles, como se diz. Claro que alguns métodos de ataque são, muitas vezes, mais desastrosos que outros, assim como nos anticorpos. Uns lançam substâncias de ataques outros agem diretamente englobando os invasores. Esse ataque muitas vezes causa sintomas de dor, inflamação etc. Mas, apesar disso, o processo é benéfico. No caso dos policiais muitas vezes a situação foge ao controle, dada a situação de tensão causada pelo vandalismo generalizado. Os anticorpos sabem identificar quimicamente o invasor, porém, o mesmo não acontece com o policial, principalmente quando o inimigo vem mascarado.

sábado, 7 de setembro de 2013

Um pouco do crítico e irônico Machado de Assis


Joaquim Maria Machado de Assis (1839-1908) um dos maiores escritores brasileiros de todos os tempos, era pobre, epilético e neto de escravos alforriados, não frequentava a escola com regularidade mas sempre teve grande interesse pela leitura e por isto conseguiu instruir-se por conta própria. Aos 16 anos publicou seus primeiros versos no jornal A Marmota, nessa época ele trabalhava como aprendiz em uma tipografia. Seu reconhecimento só veio na década de 1870, época influenciada pela Literatura romântica. Na década de 1880, uma mudança de estilo e de conteúdo fundou o Realismo no Brasil, e sua carreira sofreu uma grande reviravolta; é ai que ele revela toda a sua ironia e espírito crítico através de suas obras, como os romances Memórias Póstumas de Brás Cubas,(1881), Quincas Borba (1891) Dom Casmurro (1899). Nessas obras Machado de Assis faz uma grande reflexão sobre a sociedade brasileira e os valores morais dos que nela vivem.

  No capítulo XXX de Memórias Póstumas, sobre a escola, por exemplo, lemos um trecho: "Tinha amarguras esse tempo; tinha os ralhos, os castigos, as lições árduas e longas, e pouco mais, mui pouco, e mui leve. Só era pesada a palmatória, e ainda assim....Ó palmatória terror dos meus dias pueris, tu que foste o compelle intrare¹, ...... Que querias tu, afinal, meu velho mestre de primeiras letras? Lição de cor e compostura na aula; nada mais, nada menos do que quer a vida, que é das últimas letras; ..."
Memórias Póstumas de Brás Cubas, foi divulgado primeiramente na "Revista Brasileira" em 1880 e em Volume no ano seguinte, causando impacto com o seu tom cáustico e seu pessimismo. Machado se Assis
confessava adotar a "forma livre" de Lawrence Sterne,(1713-1768), escritor inglês, famoso pela sua ironia e humor. Também o filósofo Arthur Schopenhauer ( 1788- 1860) impregnou o pensamento de Machado. Segundo este filósofo o universo é Vontade; cega, obscura, e irracional vontade de viver.

Em Machado, o experimentalismo ficcional está animado pelo espírito de brincadeira e zombaria.
Em Quincas Borba no capítulo XXX, vemos os anti-valores e desfaçatez:
" Rubião perguntou-lhe uma vez:
Diga-me senhor Freitas, se me desse na cabeça ir à Europa, o senhor era capaz de acompanhar-me?
 - Não,
- Por que não?
- Porque sou amigo livre, e bem podia ser que discordássemos logo no itinerário.
- Pois tenho pena, porque o senhor é alegre.
- Engana-se, senhor; trago esta máscara risonha, mas eu sou triste. Sou um arquiteto de ruínas...."²






¹ compelle intrare - " obrigue-os a entar" parábola bíblica que quer dizer que a violência é válida quando usada para o bem. (Nota do Editor  de Memórias Póstumas de Brás Cubas- Série Bom Livro Edição Didática).

²-
Clássicos Brasileiros - edição de Ouro





domingo, 1 de setembro de 2013

O Desabafo da Barata

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Estou na dúvida se  fico aqui escondidinha esperando que essa idiota desista de me matar com o chinelo, e aí é bem provável que ela opte por um inseticida, ou se me arrisco, saindo correndo numa velocidade proporcional  a de uma fórmula 1. Então ela sai correndo atrás de mim e se eu tiver sorte ela bate com o chinelo no chão várias vezes, enquanto fujo para uma frecha mais segura da cozinha dela. O pior é ficar ouvindo ela me chamar de nojenta e fazer cara de quem vai vomitar. Nojenta é ela que não limpa direito os cantos da casa. Deixa cair migalhas no chão, esquece o prato sujo de comida em cima da pia de noite; isso sem falar que há anos não limpa a tal caixa de gordura que já deveria ter sido isolada. Eu estou fazendo o que a natureza mandou que eu fizesse. Não mato ninguém para me alimentar, só como restos. Ela sim, é que mata animais e plantas para sobreviver; come cadáver e se dá ao luxo de me chamar de nojenta. Essa coisa de ter medo e nojo de barata é mais cultural que biológico. Deveria ter nojo era dessas comidas de Fast-food que fica sobre os balcões, com todo mundo falando em cima, transmitindo seus vírus e bactérias diretamente nos alimentos, provocando muitas vezes infecções por botulismos etc. Muito mais mal faz é esse inseticida que ela está agora nas mãos, pulverizando por toda parte, porque não sabe onde eu me escondi. É que aproveitei, quando ela saiu para pegá-lo na área de serviço, e me mandei para a casa da vizinha, passando por debaixo da porta. Sei que meus dias estão contados mas, pelo menos, já deu tempo para eu deixar meus ovinhos bem grudadinhos embaixo das gavetas e armários com panelas mal-lavadas. Hihi!

sábado, 31 de agosto de 2013

Vinicius de Moraes - Soneto de Fidelidade e outras belezas -



Vinicius de Moraes

19/10/1913/ - 09/07/1980

Rio de Janeiro - RJ




De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
E assim quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama        
MAS QUE SEJA INFINITO ENQUANTO DURE

domingo, 11 de agosto de 2013

Confissões de um morto




Perdão por eu ter morrido.

Você tinha razão quando dizia que eu adiava a vida, perdendo muitos momentos felizes que poderíamos ter passados juntos. Muitas vezes a deixei esperando, por ter ficado entretido no trabalho, esquecendo um compromisso para irmos ao cinema.
O trabalho sempre foi para mim o mais importante. Tolice. Com que finalidade se trabalha tanto? Sempre achamos que temos o controle sobre as coisas da vida. O que não dá para se fazer hoje, é adiado. E assim, fui deixando para depois o que seria a melhor parte da minha vida.
Quando me lembro da energia perdida nos aborrecimentos em busca do dinheiro, da corrida por um lugar ao sol. Que lugar é esse que nunca chega?
Na verdade, meu lugar era você. E só agora eu vejo o que não enxergava quando tinha os olhos abertos. O problema é que a morte só existe de verdade quando se morre. Quando tudo que deveria ser dito ou feito não se pode mais fazer. Quando nos tornamos invisíveis. Se somarmos os anos de convivência e as vezes que deixamos para depois tudo que poderíamos ter vivido de bom, fica uma grande dívida. Não deixa de ser um consolo saber que depois de morto somos lembrados pelo que fizemos de bom. Mas isso não nos torna menos morto de fato. Só nas lembranças.
Costumamos dizer que a vida não é nada. Engano. A vida é tudo. A morte, essa sim, não é nada. Um nada eterno e irrevogável. A vida pode ser curta, mas, o que podemos tirar dela vale uma eternidade. Será que só através da morte é que enxergamos a vida? A morte é muitas vezes a lente dos vivos.
Você poderia ter sido meus óculos, mas não tive tempo para usá-los devidamente.
O peso que se impõe à vida comprime o espírito, que só é libertado quando a solidez sobre ele se desfaz. Mas essa leveza costuma chegar tarde demais.
Sei que morri, mas, fui pego de surpresa. A morte é sempre surpreendente. Estou tão desolado quanto você. Fui um estúpido, e, se eu não fosse tão egoísta pediria que não sofresse por mim.

                                                                                                                 Darcy N. Brito


terça-feira, 23 de julho de 2013

Fique atento aos Fatores de Risco de Doenças Coronarianas

De acordo com os estudos na área de cardiologia, os fatores de risco para se adquirir uma doença arterial coronariana está dividido em fatores não controláveis e fatores controláveis. Os fatores não controláveis geralmente estão ligados ao envelhecimento. Mas, estudos mostram que a maioria das pessoas tem no mínimo um grande fator de risco que pode ser controlado, e saber lidar com o problema é que faz a diferença que levará a doença a se manifestar ou não. A respeito dos fatores não controláveis, temos o exemplo da idade onde a doença acomete quatro em cada cinco pessoas com mais de 65 anos. No caso do sexo os homens têm maior probabilidade. Mas as mulheres têm mais complicações após um ataque cardíaco e os cientistas ainda não encontraram motivos para esta diferença. Temos ainda: os fatores genéticos - se seu irmão ou pai foi diagnosticado com a doença antes dos 55 anos de idade ou se sua mãe ou irmã foi diagnosticada antes dos 65 anos;  os  fatores étnicos - brancos descendentes de europeu tem menos probabilidade que afro- descendentes, mexico-americanos, indios americanos e havaianos nativos.
Os fatores de riscos controláveis conhecidos são: tabaco, diabetes, níveis de colesterol LDL alto, pressão alta, sobrepeso ou obesidade. Estes fatores podem ser controlados com uma dieta saudável, execício físico e medicamentos controlados. A falta de exercício é tão perigosa quanto o hábito de fumar. O estresse também é um fator de risco que pode aumentar a pressão sanguínea, reduzir o fluxo de sangue no coração, diminuir a capacidade de bombeamento do coração, desencadear ritmos anormais de bombeamento e ativar o sistema de coagulação sanguínea. A raiva constante também é uma inimiga do coração, pois podem aumentar os níveis de triglicérides e colesterol ruim. Há evidências de que a depressão torna as pessoas mais vulneráveis à doença cardíaca, embora os médicos ainda desconheçam os motivos. Vemos, então, que apesar dos riscos que corremos no dia a dia nesses tempos modernos, há muitos meios de evitarmos ou adiarmos uma doença  arterial coronariana grave, para isso é necessário ficarmos atentos aos sintomas, procurar regularmente um especialista a fim de nos orientar. 

domingo, 14 de julho de 2013

O Escritor e a Primeira Pessoa



O difícil de criar um personagem na primeira pessoa é a sensação de autobiografia. Mais difícil ainda é para o leitor, que sempre associa a figura do autor ao do protagonista e, muitas vezes, ao narrador, que o autor usa para descrever o personagem e sua história na primeira ou terceira pessoa. E se o leitor conhece pessoalmente o autor fica difícil, também, abstrair a figura do personagem e separar da do autor do livro. Uma vez ouvi Jô Soares falando, numa entrevista a Chico Buarque, da dificuldade que teve para abstrair, quando leu Estorvo, de autoria de Chico. Neste caso o autor conhecido pelas suas lindas composições musicais. Quando escrevi o meu primeiro livro “Rainha sem Faixa”, escrito na primeira pessoa, senti na pele esse problema. Pessoas que me conheciam me questionavam sobre a personagem, no caso uma mulher, dando a entender que era uma autobiografia.

Um personagem é construído a partir de observações e reflexões do autor, pode até ter algo de autobiográfico, mas não necessariamente ou propositalmente, esteja ele na primeira pessoa ou não. Ele é um mosaico, feito com pedaços de muitos outros, que de repente podem se incorporar ao protagonista da história. Quando um autor começa a escrever, muitas vezes nem sabe no que vai dar o enredo. A história vai se desenrolando, levando o autor às mais diferente situações, e o coloca num desafio para encontrar uma saída coerente, usando as palavras certas que leve o leitor a abstrair e refletir de acordo com a sua própria interpretação ou processo mental. O leitor pode ser um crítico que vê coisas que o próprio autor não viu ou teve intenção de dizer. A arte não requer explicações. Não é uma ciência que tenha que valer para todos da mesma forma. Ela dá o seu recado e o efeito varia de acordo com a carapuça.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Palmas para Gal Gosta, uma artista que arrisca



Além de uma belíssima voz, Gal é uma cantora que não tem medo do novo. Canta de Ismael Silva (Antonico) ao mais desconhecido compositor. É a melhor intérprete de Caetano Veloso que conheço. Este é outro que não tem medo de inovar, por isto esteve sempre à frente de seu tempo. Ao contrário de Maria Bethania, que escolhe o sucesso para cantar, Gal “se joga”, como se diz na gíria. Confia em si. Não teve receios de gravar o CD  “Recanto”, de estética agressiva, onde Caetano a introduz na música eletrônica.  Fazer sucesso ou não é apenas um detalhe para quem acredita no que faz. Talvez, por ser corajosa ou generosa, ela leva para um show ao vivo música de artista que ainda nem despontou como compositor, como foi o caso do  show “Hoje” em 2006 no Citibank Hall, em S. Paulo. O show é focado no CD homônimo repleto de canções inéditas e compositores jovens, que se mistura a composições como a canção  “As Time Goes By" . Gal é assim, põe no mesmo patamar quem e o que acredita ser bom, seja clássico ou seja novo. Lembro o quanto foi criticada em 1994, quando ousou cantando no show “Brasil Mostra Tua Cara”, mostrando os seios ao vivo no palco. Apesar de ser uma cantora talentosa não cultua o estrelismo nem vive criando factóides para aparecer na mídia, visando agradar alas de diversos setores ou grupos. Ou seja, uma artista segura do que vai fazer.



terça-feira, 25 de junho de 2013

Homofobia e a cura Gay


Foi o psicólogo americano, George Weinberg, quem criou a expressão homofobia, em 1972, em sua obra chamada Society and the healthy homossexual, combinando a palavra grega phobos( fobia) com o prefixo homo, forjando o termo homofobia- como referência à palavra homossexual. Na visão da sociedade a homossexualidade foi tida por muito tempo como pecado mortal, perversão sexual, aberração e, mais tarde, como doença, justificando com isto a busca de uma cura. A Ciência tentou comprovar que a homossexualidade era um distúrbio mental, mas falhou na comprovação, levando a Associação Americana de Psiquiatria a retirar esta orientação sexual  da lista de transtorno mental, em 1973. Também a Associação Americana de Psicologia, em 1975, seguiu o mesmo procedimento, orientando os profissionais da área a não adotarem este pensamento para evitar estigmas e preconceitos. Em 1977, a OMS incluiu a homossexualidade na lista da CID (classificação internacional de doenças) como sendo uma doença mental; porém, com a revisão, em 1990, a orientação foi retirada da lista de doenças, no dia 17 de maio. Daí este dia ficar marcado como o Dia Internacional contra a Homofobia. No Brasil, em 1985, antes mesmo da resolução da Organização Mundial de Saúde, o Conselho Federal de Psicologia deixou de considerar a orientação sexual como doença.

Existem muitas pesquisas pouco discutidas e com idéias infundadas. Assim a homofobia fica sendo um fenômeno complexo e alvo de ações incompreensíveis e abomináveis de ridicularização e até de violência contra o homossexual. Os avanços tecnológicos, científicos e morais do século XXI não permitem essas atitudes discriminatórias. É claro que elementos conservadores existem em toda sociedade, a depender da cultura de cada povo. Mas, segundo Foucault, “ temos que saber que existem outras possibilidades e que não há verdades absolutas”.

domingo, 16 de junho de 2013

A respeito da vaia na presidente

Brasília - Copa das Confederações
Ninguém imagine que as mazelas do Brasil irão desaparecer, de uma hora para outra, em função da Copa de 2014. Neste mundo globalizado, internetizado,  onde o número de celular é maior que o da população, fica difícil esconder a sujeira debaixo do tapete, porque até ali  pode ser colocada uma caneta espiã. A democracia não é mais  resultado de uma concessão ou permissão, é uma imposição natural resultante da atual era da informática em que vivemos. Não estamos na década de 70, do Pra Frente Brasil, que se gritava gool, enquanto as torturas se escondiam nos subsolos da ditadura. O mundo está mais transparente e tudo é visto em tempo real nos meios de comunicação. O pobre, do Bolsa Família também está conectado com seu celular, tirando fotos e filmando o que acontece nas ruas, desde as manifestações de protestos até a inflação dos preços nos supermercados. Portanto, não é de se estranhar a vaia merecida que a presidente Dilma recebeu em plena abertura da Copa das Confederações. Ali estavam não só os que gostam de futebol, mas os cidadãos que estão insatisfeitos com a atuação deste Governo que tenta enganar o povo dizendo que está tudo bem e que a Classe C ascendeu para classe média. O povo está demonstrando que não quer esmola, quer condições para crescer e viver com dignidade. Muitas manifestações, muitos protestos estão latentes e certamente vão surpreender quem acostumou-se a surfar na onda alheia.